Biografia NÃO autorizada: A história de Mauro Mendes no Movimento Estudantil | MUVUCA POPULAR

Sábado, 23 de Fevereiro de 2019

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Biografia NÃO autorizada: A história de Mauro Mendes no Movimento Estudantil

Líder na UFMT, o atual governador brigava por "bandejão"

Por: Editoria especial / Muvuca Popular

 

O governador Mauro Mendes Ferreira (DEM) é um gestor público experiente, mesmo porque já comandou a prefeitura de Cuiabá (R$2,5 bilhões em orçamento), e saiu com a popularidade em alta em 2016. O que se espera é que aos 54 anos esteja preparado para governar Mato Grosso à partir de 2019. 

O emanuelzinhoretorna ao ano de 1984, quando Mauro Mendes tinha apenas 20 anos, e como líder estudantil teve a sua primeira experiência pública.

A chapa “Reflexão e Luta” encabeçada pelo jovem iniciante na arte política, venceu o pleito eleitoral com o voto da estudantada, para comandar o Diretório Central (DCE) no período 1984/1985 com 55% dos votos válidos, batendo a chapa “Banda” (25% dos votos) e a “Mudança Já” (20% dos votos). A chapa Mendes tinha bons nomes, e os mais conhecidos hoje são da poetisa Luciene Carvalho, que era a secretária-geral, e o tesoureiro-geral Pascoal Santullo Neto.

O então estudante goiano de engenharia elétrica Mauro Mendes venceu porque as outras chapas eram “políticas”, ou seja, os eleitores enxergaram neles membros de uma classe média que tinha outras preocupações. Por exemplo, o pessoal da “Mudança Já” era ligado ao MR-8 (referente a morte de Che Guevara em 8 de outubro de 1967) e eles estavam

A chapa Mendes tinha bons nomes, e os mais conhecidos hoje são da poetisa Luciene Carvalho, que era a secretária-geral, e o tesoureiro-geral Pascoal Santullo Neto

divididos entre os deputados Rodrigues Palma (PTB) e Dante de Oliveira (PMDB). A discussão política estava em plano nacional e os eleitores queriam soluções locais e práticas.

A chapa anterior, que comandava o DCE era o “Semear”, e eles fundaram o Capeu (Casa Provisória do Estudante Universitário) para alojar 17 colegas carentes, sendo 15 vindos de fora de Cuiabá e que não tinha dinheiro sequer para uma refeição diária, muito menos dividir um quarto. Os outros 2 eram cuiabanos, mas igualmente paupérrimos. A ação do secretário-geral Molina foi ocupar uma das salas de aula do bloco das Agrárias.

A situação de 17 estudantes frente a um universo de seis mil outros, incluídos os campus de Barra do Garças e Rondonópolis, não era preocupante para a reitoria da universidade, mas era doída para o DCE. A turma do Capeu acabou sendo despejada através do uso de força bruta, e isso provocou tanta indignação que a reitoria procurou abrigo para os “sem teto”. A UFMT acabou comprando um terreno para construir a Casa do Estudante.

A outra preocupação prática da equipe “Semear” era o preço das refeições, o popular bandejão, feitas no restaurante universitário (RU). O presidente do DCE Miguelão tinha diante de si a prioridade em manter o preço ao equivalente a R$2,50 para o próximo semestre, quando os preços eram reajustados (a inflação semestral na época passava dos 100%). O reitor Pedro Dorileo queria elevar o preço do bandejão para R$7,50. O impasse entre reitoria e estudantes teve a trégua da eleição do novo reitor.

A equipe “Semear” de Miguelão deixou o poder para a “Reflexão e Luta”, de Mauro Mendes, com essas duas pautas: comida e abrigo. A comida seriam para 1.300 estudantes que faziam as refeições no RU, e esses comensais poderiam chegar a mais de 2 mil pessoas. E também um teto para estudantes carentes, que poderiam chegar a até 70 pessoas.
anos
A Casa dos Estudantes poderia ser entregue rapidamente, se a UFMT tivesse dinheiro ou conseguisse arrecadar recursos em outros órgãos, ou mesmo na iniciativa privada. E isso foi o que o novo reitor Eduardo De Lamônica Freire dizia para acalmar o DCE. O novo reitor compunha a reitoria anterior na parte administrativa, e sua eleição foi uma esperança à UFMT.

Porém o problema maior continuava sendo o preço do bandejão. O DCE topou sair dos R$2,50 para R$5,00, mas De Lamônica alegava que os custos estavam em R$8,50, e o RU consumia 10% do orçamento da UFMT (o terceiro maior orçamento de MT, atrás apenas do Estado e da capital Cuiabá). O que o reitor dizia poderia soar exagerado, entretanto, o líder Mauro Mendes foi taxativo: “Não queremos saber de custos das refeições, a briga é maior do que isso e atinge o campo político pela defesa do ensino público e gratuito na UFMT”.

O novo líder estudantil chamou as falas seus colegas: “os estudantes tem que mostrar que estão organizados e prontos para recusar qualquer proposta que eles julguem injusta”. Isso porque os estudantes não participavam das assembléias, feitas justamente no RU ao meio dia para prender a atenção dos freqüentadores. Entretanto, dos 1,3 mil interessados apenas 300 participavam das assembléias. E mesmo assim, Mauro Mendes acreditava em união dos estudantes para sustentar o valor de R$5,00.

O reitor De Lamômica atualizou o calculo e chegou ao custo de cada bandejão a R$9,00, e apresentou dívida da UFMT ao subsidiar o custo a R$2,50, e a conceder gratuidade aos estudantes carentes, em quase R$1 milhão apenas no semestre anterior. O líder Mauro Mendes disse que R$9,00 não pagava e sustentava R$5,00, mesmo considerando alto: “Esse valor já é alto porque em outras universidades há preços menores para o bandejão, e se esse preço não puder ser mantido, que nos apresentem outra proposta para debatermos”.

O que Mauro Mendes esperava era a boa vontade do novo reitor, e o clima de instabilidade que ocorria a cada início de semestre, ou seja, o reitor De Lamônica faria tudo para resolver esse impasse com o DCE. Por outro lado, o DCE esperava contar com a insatisfação da Adufmat (associação dos professores) comandada por Guilherme Muller, e pela Assumt (associação dos técnicos) não de Miguel Luiz de Deus. Aliás, Miguel de Deus também estava insatisfeito com o preço do bandejão porque eram 300 servidores que faziam suas refeições no RU pagando R$15,00.

O reitor De Lamônica nomeou uma comissão para negociar com o DCE. Era composta pelos pró-reitores Frederico Muller (Planejamento) e Duílio Mayolino (Administração) e por Eleni Alves Pereira, coordenador de assistência ao estudante. A comissão serviu apenas para entreter o DCE e enganou o jovem líder Mauro Mendes, que não não tinha pensando além da retórica, e sequer estudou o estatuto da UFMT e a sua estrutura funcional

A retórica de Mauro Mendes era responsabilizar De Lâmonica. “É obrigação da universidade subsidiar o RU, então se o estudante pagar R$5,00 e o custo é maior, a diferença deverá ser coberta pela renda da própria UFMT (com taxas pagas pelos estudantes) ou com recursos do MEC, agora o papel dos administradores (reitores) é abandonarem a posição de inércia diante dos cortes do MEC e lutarem por mais verbas, e se assim for, podem contar com o apoio dos estudantes”.

O reitor nomeou uma comissão para negociar com o DCE. Era composta pelos pró-reitores Frederico Muller (Planejamento) e Duílio Mayolino (Administração) e por Eleni Alves Pereira, coordenador de assistência ao estudante. A comissão serviu apenas para entreter o DCE porque não tinham poder de decidir coisa alguma. O líder Mauro Mendes não tinha pensando além da retórica, e sequer estudou o estatuto da UFMT e a sua estrutura funcional. Indignado com a perda de tempo, resolveu se reunir com o DCE e chamar nova assembléia dos estudantes.

Antes que o DCE se organizasse a reitoria começou a cobrar R$7,50 pelo bandejão. O novo preço foi imposto durante o jantar, cerca de três meses depois dessa queda-de-braço entre UFMT e DCE. Os estudantes boicotaram o RU por três dias seguidos, vivendo a custa de bolachas, então com a Assembleia convocada por Mauro Mendes ficou decidido que sim, eles iriam topar o novo valor, enquanto o DCE negociava com a reitoria. “Por enquanto, a nossa proposta é essa, esperamos que o reitor volte a se reunir com os estudantes, há vários canais de entendimento, só que até agora, eles não foram totalmente explorados porque a reitoria está sendo intransigente e autoritária” disse Mauro Mendes.

O reitor De Lamônica não se reuniu com o DCE e os estudantes invadiram a reitoria, e ficaram acampados por dias. Mas o reitor foi irredutível e mandou dizer que trataria de qualquer assunto, exceto o do RU porque subsidiar as refeições dos estudantes estava custando os livros na biblioteca e equipamentos nos laboratórios.

O líder Mauro Mendes, pressionado pelas chapas derrotadas que encontrava eco entre os estudantes, ainda insistia no diálogo. “O reitor não é democrático e toma medidas bastante negativas, porém, não significa que tudo seja um retrocesso no processo de negociações porque vamos continuar apresentando propostas para facilitar o entendimento da reitoria e acabar com o impasse”.

A primeira experiência pública de Mauro Mendes chegou ao fim. O líder surfou na onda da continuidade, e necessidade dos seus pares eleitores, porém ignorou os instrumentos que o outro lado da mesa dispunha, menosprezando planilhas de custo e desdenhando do funcionamento da máquina em uso pelo adversário. O Mauro Mendes de hoje superou muito dessas carências, e está quase preparado para resolver os problemas de Mato Grosso.

O novo governador não é o líder estudantil, e nem mesmo o prefeito. Hoje as demandas são outras e o político, gestor público, executivo privado, e homem maduro, mas ainda há a soberba e a arrogância de quem lê um orçamento público com os olhos de um orçamento empresarial privado, e ainda vê a tela do seu computador no gabinete de governo parecendo entender tudo (com programa que transforma números em formato agradável desenvolvido pelo pessoal do MTi/Cepromat).

mauro meninoO governador de Mato Grosso, qualquer um, deve muito a servidores públicos, como os Agentes Prisionais que graças ao seu trabalho de rotina e a sua Inteligência mantém problemas como facções criminosas dentro dos muros e não barbarizando o povo, ou ainda policiais, de modo geral, ou os especializados como os militares que guardam a fronteira em papel que caberia as Forças Armadas, e etc e etc. E poderemos citar cada grupo profissional dentro da carreira do funcionalismo público estadual, porque todos eles, seja por carreira ou individualmente, sustentam a política proposta pelo governador.

O jovem líder Mauro Mendes, de 20 anos, que entrou no DCE com vários sonhos, incluído fazer valer emendas que asseguravam 12% do orçamento nacional para a Educação, acabou deixando a presidência do DCE tendo como maior desafio segurar o preço do bandejão. O preço quando saiu estava a Cr$1.100,00, pago no RU, enquanto o custo era de Cr$4.500,00, pagos pela UFMT. O valor seria algo como R$3,50 pago pelo estudante enquanto saía a R$13,50, ou seja, a UFMT subsidiava R$10,00 por refeição.

De lá pra cá

Mauro Mendes se tornou o 56° governador do Estado de Mato Grosso, conquistando a cadeira de comandante do Palácio Paiaguás com 840.094 mil votos (58,69 dos votos válidos), nas eleições ocorridas em outubro de 2018.

Mauro exerceu o cargo de prefeito de Cuiabá, sendo eleito em 2012. Cumpriu integralmente os 4 anos de gestão e deixou a prefeitura com a aprovação de 81% da população.

Antes, em 2008, disputou as eleições para prefeito de Cuiabá e, em 2010, concorreu ao comando do Estado contra o ex-governador Silval Barbosa.

Foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), do Sesi e Senai no período de 2007 a 2010, chegando a ser vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mauro Mendes Ferreira nasceu em Anápolis (GO) e mudou-se para Cuiabá aos 16 anos. Ele é pai de três filhos (Ana Carolinne, Luis Antônio e Maria Luíza) e esposo da economista e empresária Virgínia Mendes.

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COMENTÁRIOS

(7) COMENTÁRIOS

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Eduardo De Lamonica Freire - 30-01-2019 09:22:55

Tomei conhecimento do artigo pelo envio do mesmo pelo amigo Paulo Ambrósio. Muito bem historiado. Faltou apenas uma frase minha: "se for JUSTO eu aprovo!". No caso era (e ainda é) uma injustiça social flagrante uma instituição pública, financiada pela Sociedade Brasileira (ricos e pobres) para uma maioria abastada (que invariavelmente chega de automóvel para almoçar e jantar) estabelecer o custo da refeição a preços indignos de R$ 1,00 cada refeição (preço hoje, conforme fui informado). Mesmo preço para os estudantes carentes. É JUSTO? É JUSTO manter o restaurante subsidiado para a maioria rica e desqualificar a qualidade dos profissionais formados pela nossa querida UFMT por falta de recursos do orçamento "desviado" do ensino? Apenas cumpri o meu dever defendendo o estrito interesse da Sociedade Brasileira. Espero que o governador Mauro Mendes, em quem votei , pedi voto e, inclusive, estimulei-o a se candidatar, tenha aprendido a lição de que, atropelando o interesse pessoal ou de grupos, defenda com a sua Autoridade (não é autoritarismo) o interesse da Sociedade Brasileira. Não se importe com desgastes midiáticos devido a interesses egoístas. Seja Justo! Não repetindo os desastres das gestões Blairo, Sinval e Pedro Taques. Muvuca: aprendi muito com o Movimento Estudantill (que infelizmente está morrendo). Muito obrigado!

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Reinaldo - 21-01-2019 02:00:28

E a história da Empresa que ele quebrou? Como fica a história do calote dos trabalhadores da Bimetal?

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Dom Quixote de La Mancha - 19-01-2019 21:11:48

Ficou rico as custas de incentivos fiscais e sonegação de impostos. Agora quer pagar de ditador. Aguarde que sua batata está assando governador.

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Amendoim - 19-01-2019 12:40:14

Engraçado q as figuras que estavam com ele continuam. Esse Santulo é uma piada

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oscar - 19-01-2019 12:39:00

Pelo histórico não foi lá muita coisa

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MARIA FLOR DOS SANTOS - 19-01-2019 12:32:36

Lendo essa história de vida dele vejo que ele deveria ser mais maleável e menos radical como está sendo conosco.Ele que precisou brigar pelo preço do bandejão de sua alimentação hoje nos atrasa nosso salário e ainda tira a RGA.Quer administrar sòzinho acha que o Estado é dele, e sem servidores ele é petulante querendo fazer do Estado que é público um Estado privado. Mentiroso,quer fazer vingançano povo que o elegeu.Eu sim bato no peito não dei a minha autorização de me representar não votei nele.Sai o Pedro Malvadeza e entra o Anjo mau não vamos ser capachos desses 2 empresários.Mendes - Pivetta.

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Remanescente da Fufu - 19-01-2019 09:26:56

Belo material, deve ir para os anais da história. Parabéns ao jornal Muvuca Popular, o mais crítico e profundo do estado.

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7 comentários