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TCE abril

Natal x perda

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ALECY ALVES

A menos de 72 horas do Natal amanheci pensando em perdas, especificamente em mães que tiveram seus filhos arrancados do seio familiar de maneira trágica.

Sei que a data nos remete a festa, celebração de nascimento, de vida... Todavia, são as histórias de dona Rosa, uma mulher que conheci há alguns anos e sobre a qual escrevi reportagens, e de dona Maria Tereza, que hoje revivem em minha memória.

Dona Rosa perdeu três filhos assassinados em um período de 10 anos. Dois deles em consequência do uso de drogas e o terceiro em uma discussão banal de bar. Também viveu o luto matrimonial, a morte do homem(de câncer) com quem teve oito filhos e viveu por 25 anos.

Ela costuma dizer que além de não aceitar essas perdas não há um só dia em que não é atormentada pelo sentimento de culpa e questionamentos. Onde errei?

Indagações também povoam a cabeça de dona Maria Tereza, cujo filho, aos 14 anos, desapareceu misteriosamente. Há cinco anos sem notícias do adolescente, ela recorda que havia recém-descoberto que o menino usava droga quando ocorreu o sumiço.

Se uma filha não esquece os pais que morreram idosos, há 10, 20 ou mais anos, como uma mãe superaria tamanho sofrimento?

Nós, mães, muitas vezes entendemos como falha o simples fato de não acompanhar a filha, filha de 30 aos, em uma consulta ou exame. Então, imaginem como poderíamos nos sentir por algo que avaliamos como desvio de conduta? Afinal, somos as responsáveis pela educação deles, pelo menos é assim que a sociedade nos vê e nos faz sentir.

Apegada às orações e rodeada pelos outros filhos e neto, dona Rosa segue uma rotina que por vezes a faz esquecer a da dor e a culpa. Jamais dos filhos!

Já dona Maria Tereza leva uma vida de incertezas e sobressaltos. O que a mantém firme são as chances de reencontrar o filho vivo. Se o corpo não apareceu, entende, existe um sopro de esperança.

Gostaria que nenhuma mão ou pai tivesse de enfrentar a perda seja qual fora maneira como ocorreu. Mais que isso, que a lei natural da vida, dos filhos enterrarem seus pais, siga seu curso.

Acredito que pior que enterrar seja não ter notícia, não saber onde está o filho que saiu de casa saudável e desapareceu sem deixar pistas. Não é preciso vivenciar nenhuma das situações para nos solidarizar com o próximo. Viva o Natal! Vamos celebrar a vida temos essa oportunidade!

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