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Agosto AL o que é AL

Perigo à espreita

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TÂNIA NARA MELO

Sair de férias, pegar a estrada rumo às praias do Sul e Sudeste do país é, sem dúvida, um ótimo programa. O único "porém" está nas condições de tráfego das nossas rodovias que mais parecem um queijo suíço, tantos são os buracos no asfalto. Sinalização e acostamento são outro assunto à parte. Mas é preciso destacar que Mato Grosso não está sozinho nesse quesito - aqui a situação é crítica mesmo nos 216 quilômetros que separam Cuiabá de Rondonópolis. A situação ali exige muita atenção. No vizinho estado de Mato Grosso do Sul a situação melhorou um pouco, mas no longo trecho que nos separa do sul do país é preciso braço e paciência para enfrentar a estrada que parece ter sido esquecida pelas autoridades da área. O intenso tráfego de caminhões, quase sempre com carga bem acima do permitido na rodovia, piora ainda mais a situação.

O panorama só muda quando se encontra rodovias privatizadas. Aí sim, são pistas duplicadas, totalmente sinalizadas e com aparato de auxílio para eventuais emergências. Tudo como manda o figurino. Na verdade, tudo como deveria ser de fato, sem que para tanto o cidadão precisasse pagar mais por isso. Porque estrada privatizada é sinônimo de segurança para os motoristas, mas também é sinônimo de ‘pedágio’, cujos valores variam muito de acordo com a empresa prestadora do serviço e da região. Na maior parte delas os valores são altos e o número de postos nas rodovias pode chegar a quatro num trecho de pouco mais de 100 km, pesando, e muito, no bolso de quem precisa fazer uso delas.

Mas isso poderia ser diferente se o governo cumprisse de fato seu papel no que diz respeito à conservação e manutenção de nossas rodovias. Dinheiro tem pra isso, mesmo porque o alto valor dos impostos que os brasileiros têm que pagar todos os anos por certo geram recursos para este fim. A questão é que nunca sabemos ao certo para onde vai o dinheiro das inúmeras taxas que somos obrigados a pagar sobre produtos e serviços e que nos são impostas sem que possamos opinar sobre elas. Não importa se podemos ou queremos pagar. Temos que pagar e ponto final. O que vão fazer com o dinheiro, aí já é outra conversa. Enquanto isso, nossas estradas continuam cada vez mais esburacadas e um risco à vida dos que nelas trafegam.

Por isso, infelizmente, precisamos das rodovias privatizadas, precisamos pagar pedágios para trafegar pelo menos com um mínimo de segurança, pois na estrada o perigo está sempre à espreita, em cada curva, em cada lugar.



TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do

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