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Diário de contas novo (TCE)

Legado

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SERGIO NEVES

Quando o Brasil enfiou o pé na jaca para receber a Copa do Mundo 2014 e mais tarde as Olimpíadas, talvez a expressão legado tenha sido a que mais saiu da boca dos brasileiros. O país mostrou coragem, conseguiu alguns avanços, mas também obras ainda inacabadas, elefantes brancos e uma dívida bilionária a ser quitada, se for, em três décadas, e depositada, claro, na conta o contribuinte.

Passados dois anos e meio da realização do maior evento futebolístico do planeta, Mato Grosso é um dos estados que convivem com esse pesadelo. Tem dois centros de treinamentos onde foram investidos milhões de reais e que ainda não serviram pra nada, avenidas inconclusas como a Oito de Abril, aeroporto inacabado, um VLT que até agora provocou transtornos, prejuízos e mortes no trânsito, além do fechamento de empresas, e uma Arena Pantanal de fazer inveja, mas que não gera lucro e tem uma manutenção difícil de ser carregada.

Às vésperas do Mundial da Rússia, Cuiabá é uma das cidades brasileiras que mais choram o legado. O anúncio feito pelos então corruptos dirigentes da Fifa, alguns na cadeia, escolhendo a capital mato-grossense como uma das sedes causando enorme euforia e orgulho na maior parte da população, infelizmente, virou motivo de tristeza. Vale recordar que foram feitos cálculos financeiros garantindo a capacidade de pagamento, audiências públicas para escolha do emperrado modal de transporte, tudo com aval das instituições.

Enquanto o governador da Copa, do partido de Michel Temer, emplaca seu segundo Natal atrás das grades acusado de ter comandado ações criminosas contra o erário, o governo atual ainda segue olhando o retrovisor quando deveria apresentar soluções para a questão que incomoda, e muito. E convivendo, lamentavelmente, como denúncias de corrupção que fazem do presente um repeteco do passado.

De forma tímida, sinaliza com uma recuperação e ainda arrisca prometendo deixar tudo redondo até 2018. O que na verdade não é tarefa fácil no cenário político-econômico que o Brasil atravessa com 2017 sinalizando ser um novo 2016, ano pra ser esquecido. Muitos segmentos, como o da construção civil, estão a mostrar pessimismo para o início do novo ano, sem contar com as incertezas de pacotes que atingem a todos e o desemprego trilhando sua caminhada de alta e, pior, a macroeconomia global pressionando negativamente.

O presente é agora e, como historicamente estamos habituados a conviver como o "salve-se quem puder", a alternativa é continuar encarando as dificuldades de frente, de peito aberto, e seja o que Deus quiser!





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