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TCE Fevereiro

FEMINICÍDIO, ATÉ QUANDO?

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SIRLEI THEIS

Nos últimos dias uma pergunta tem rondado constantemente a minha mente. Qual a importância e cuidados que nós mulheres adotamos para preservar nossa vida? Quando você decide comprar um carro, por exemplo, a “regra” é que depois de ter realizado o teste drive e se apaixonado pelo veículo, se for zero km, ainda busca informações na internet com usuários do modelo e com os amigos sobre o seu queridinho.

Enquanto que, se o carro for usado, além das pesquisas citadas, leva-se a um mecânico de confiança para ver se não existe nenhuma surpresinha maquiada, que poderá surgir a qualquer momento. Checa ainda a regularidade dos documentos e a existência de alguma multa. Ou seja, a compra somente será realizada após todos os cuidados necessários para ter tranquilidade. A mesma coisa acontece, quando a compra é de uma casa, apartamento, sala comercial, de um aparelho celular e muitas vezes até de uma bolsa ou vestido.

A verdade é que tomamos todos os cuidados do mundo até quando vamos mudar de salão de beleza. Agora, quando a questão é relacionamento. Quais os cuidados que as mulheres adotam para evitar entrar numa fria? Será que alguém tem feito algum levantamento sobre a pessoa que acabou de conhecer na noite anterior e que aceitou sair no outro dia e depois no outro e no outro e quando percebe esta namorando. Infelizmente a “regra” é mesmo não. Não se faz nenhum levantamento, não se busca nenhuma informação, simplesmente deixa-se levar pela emoção, pelo coração, mas da mesma forma que o carro, a casa, o celular, a bolsa ou aquele vestido que comprou, seu companheiro também pode trazer algum defeito não aparente e muitas vezes o preço que se paga é de muito sofrimento e com a morte.

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, uma em cada três mulheres brasileiras com mais de 16 anos já sofreu algum tipo de agressão. Esse número por si só já é apavorante, mas de acordo com a mesma pesquisa 61% dos agressores são conhecidos das vítimas. O ano de 2018, no Estado de Mato Grosso começou extremamente violento e o crescimento de casos de feminicídio é evidente, embora eu ainda não tenha os números oficiais. Dos casos noticiados pela mídia, podemos citar alguns e tenho certeza que essas vítimas quando iniciaram esses relacionamentos, jamais pensaram que poderia acabar dessa forma. Agiram e se envolveram levadas pela emoção e quando perceberam que havia algum defeito não aparente na pessoa que estava ao seu lado, já era tarde. Namorado gravou jovem "agonizando" antes de morrer em Cuiabá Homem mata ex-mulher degolada e esfaqueia namorado dela em MT Jovem é morta asfixiada pelo namorado dentro de casa em Cuiabá Garota é morta pelo ex e tem corpo "desovado" em córrego em Cuiabá Antes de esfaquear, homem ameaçou divulgar fotos íntimas da ex em VG Jovem de MT denuncia namorado por agressões em SC

Nesse último caso a jovem Mel Di Pietro ao denunciar seu agressor Daniel descobriu que ele possuía 48 passagens na polícia por agressão, inclusive de mulheres. Se a Jovem tivesse levantado a vida do seu pretendente a namoro antes de qualquer envolvimento, poderia ter evitado todo esse sofrimento. Mas que esse caso fique de alerta porque existe uma única verdade, o agressor de mulher não para na primeira, são extremamente sedutores e agem sempre acima de qualquer suspeita. Lembre-se, seu bem mais importante é você. Se ame, se cuide, sorria, viva e seja sempre feliz. Vamos cuidar melhor de você? 

SIRLEI THEIS, Advogada Pública e, ex-vítima de violência doméstica email:sirleitheis2017@gmail.com

O que dizem sobre isso?

  1. Concordo com seu pensamento de nós mulheres conhecermos melhor a pessoa com quem quer se relacionar, de levar pra dentro da sua casa..infelizmente muitas de nós somos surpreendidas com atitudes de agressão física ou moral depois de algum tempo já de convivência e nos sentimos aprisionadas, com medo e assim vamos levando em frente um relacionamento com feridas na alma pela lembrança do que aconteceu e do que a pessoa pode ser capaz de vir a fazer de novo.

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