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Projeto Único, Todos Contra Taques ou Unidade Popular?

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Miranda Muniz

Neste período que antecede as convenções surgem “teses” para todos os gostos sobre possíveis alianças. Analisarei as três que considero mais “consistentes”, logicamente, sob o ponto de vista das forças democráticas e populares, nas quais eu me incluo.

A primeira, “Projeto Único”, foi aventada pelo ministro Blairo Maggi que de bobó só tem a cara e o andado. Propôs uma estranha união englobando a “situação”, “oposição” e os “em cima do muro”, logicamente com ele liderando o processo para o Governo ou amealhando uma das vagas ao Senado. Ou seja, uma eleição sem disputas.

Sua justificativa pública: será melhor para todo mundo e para o Estado.”

Será mesmo? A Oposição deixaria de fazer as justas críticas à administração atual? E os palanques nacionais não iriam ser reproduzidos aqui no Estado? Seria um grande conchavão, envolvendo tucanos, emedebistas, petistas, comunistas, etc. Uma espécie de “Torre de Babel”, cada um falando sua língua.

A meu ver, com remotas chances de prosperar.

A segunda tese é a chamada “Todos Contra Taques”, ou seja, “fazer um junta-junta” de todas as forças de oposição para enfrentar o adversário estadual comum. Aqui residem três complicadores: a) a questão dos palanques nacionais; b) a ocupação dos principais espaços na chapa majoritária de Governador, vice e as duas vagas ao Senado. Alguém teria ilusão de que nessa coligação sobraria algum espaço relevante para os partidos do campo democrático e popular, como PT, PDT, PSB, PCdoB? e c) as dificuldades em estabelecer um programa comum, ante a diversidade de forças políticas envolvidas.

Já a terceira é a que eu simpatizo - a “Unidade Popular”. Seria formada pelos partidos do campo democrático e popular, citados acima, podendo atrair outros que se colocam na oposição ou que estejam em conflito com o Governo. Seu grande desafio será reunir força eleitoral para garantir a eleição de deputados estaduais e federais.

A ideia da construção da unidade do campo da esquerda é o centro da tática do meu Partido, o PCdoB, bem expresso no documento da Comissão Política Nacional: O movimento de Frente Ampla, construído e liderado pela esquerda, é o caminho, da ótica do PCdoB, à vitória das forças progressistas para que retomem o governo da República.”

Tudo indica que o “assalto” ao PPS, colocando no comando lideranças ligadas ao projeto Pedro Taques, será um fator de fortalecimento do bloco “Unidade Popular”, haja vista que o seu (ex)grande líder Percival Muniz, afastado abruptamente, já se colocou no campo da oposição e com disposição para encarar um projeto majoritário.

Recente manifestação do deputado federal Valtenir Pereira, reafirmando que permanece no PSB, também reforça essa construção. Do mesmo modo, a posição do deputado Zeca Viana, presidente do PDT, ao deixar as portas do partido abertas para acolher Percival. O presidente do PT, deputado Valdir Barranco, também tem sinalizado neste mesmo sentido.

Nós do PCdoB, queremos ajudar a construir um Novo Projeto de Desenvolvimento para Mato Grosso. Também daremos nossa contribuição à chapa majoritária, com o nome da Professora Maria Lúcia, ex-reitora da UFMT, num projeto ao Senado.

Mesmo considerando a “Unidade Popular” ser a construção prioritária, é preciso deixar canais de diálogos abertos às outras forças de oposição afinal, política é a arte das circunstâncias e nem sempre acontece de acordo com nossos desejos. Sem contar que uma disputa com três grandes blocos de forças tende a ser resolvida apenas no segundo turno.


  • Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, dirigente da CTB/MT e do PCdoB-MT.

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