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Exclusivo: Detran deixa de arrecadar R$ 10 mi em emissões de CNH’s nos últimos 3 anos

Problema se agrava nas pequenas cidades do interior, onde a população precisa percorrer grandes distâncias para tirar sua habilitação

Cidades

Redação 1354 acessos

Exclusivo: Detran deixa de arrecadar R$ 10 mi em emissões de CNH’s nos últimos 3 anos
Marcio Camilo

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) deixou de arrecadar, entre os anos de 2014 a 2017, cerca de R$ 10 milhões devido à falta de emissão de 70 mil carteiras de habilitação (CNH’s) em Mato Grosso. O déficit no serviço é constado no Anuário Estatístico de Trânsito do Detran-MT/2017.

O valor foi levantado pela reportagem do site Mpopular, levando apenas em consideração o serviço de emissão da primeira via da carteira de motorista (R$ 136).  Os serviços também envolvem situações como: Mudança de Categoria (R$ 136); Reabilitação (R$ 136); Alteração de Dados CNH (R$ 73); Reabilitação (R$ 136); e Troca para CNH (73).

Para um profissional de autoescola ouvido pela reportagem a queda na arrecadação está diretamente ligada à falta de Ciretrans [Circunscrição Regional de Trânsito] para atender à população, principalmente nas cidades do interior do Estado que contam apenas com agências municipais de trânsito, que não estão credenciadas para fazer o serviço.

Ele – que preferiu não se identificar por medo de represálias – deu o exemplo do município de Nova Bandeirantes, onde os motoristas recém-formados precisam se descolocar até Alta Floresta para emitir a CNH.

O problema é que a distância entre as duas cidades é de mais de 200 km e a grande parte da rodovia está totalmente precária e sem pavimentação asfáltica. A situação se agrava ainda mais no período chuvoso, pois a estrada fica enlamaçada e praticamente intrafegável.

Prevendo as dificuldades, o profissional de autoescola relata que muitas pessoas saem de madrugada de Nova Bandeirantes, pois não sabem que horas irão chegar ao Ciretran de Alta Floresta. As viagens constumam demorar em média 4 horas em razão da falta de estrutura da estrada.

“E quando eles chegam já se deparam com uma enorme fila de espera, já que o Ciretran – seguindo o decreto estadual – só começa dar expediente no início da tarde”, ressaltou o agente de autoescola.

Ele conta que muitas autoescolas do interior têm adotado a prática de levar as pessoas de micro-ônibus para tirar a primeira habilitação.  “É uma forma que encontramos de ajudar à população. Esperamos juntar uma boa demanda pelo serviço e normalmente conseguimos levar cerca de 30 pessoas por vez, que é lotação máxima, para fazer a emissão da CNH no Ciretran de Alta Floresta”, enfatizou.

Ele disse que essa situação acontece em todo Estado, quando os moradores das cidades menores – que não dispõem de uma agência do Ciretran – precisam se descolocar grandes distancias aos municípios polos. Outros exemplos disso são os moradores de Cotriguaçu e Juruena que precisam se deslocar até o Ciretran de Junina.

Além da queda de arrecadação – dinheiro que poderia melhorar a prestação do serviço, bem como construir novas sede do Detran pelo Estado – o agente de autoescola atenta para o lado social da coisa.

Ele explica que as pessoas estão sofrendo, passando sérias dificuldades, enfrentando grandes percalços para obterem suas CNH’s. Devido à falta de condições e estrutura do Detran, na avaliação ele, muitos optarão em ficar na ilegalidade, ou seja: irão se formar nas autoescolas, mas vão preferir dirigir sem a carteira de habilitação, por conta da “ineficiência do Estado em prestar um serviço decente à população”. “Quem realmente continuará percorrendo esses trajetos serão os motoristas profissionais, como os caminhoneiros, que precisam renovar a habilitação para trabalhar”, acrescenta.

ESTATÍSICAS

De acordo com o Anuário Estatístico de Trânsito do Detran, as emissões de CNH’s diminuíram gradativamente nos últimos anos até se chegar ao déficit de 70 mil carteiras de habilitação.

Em 2014, último ano do governo Silval Barbosa, houve a emissão de 369.270 mil carteiras de motoristas. Já em 2015, 341.992 documentos foram emitidos. A queda seguiu no ano seguinte (2016), com 313.751 emissões. Em 2017 completa-se o ciclo com a emissão de 300. 439 mil CNH’s em todo Mato Grosso.

OUTRO LADO

A reportagem encaminhou os questionamos por email à assessoria de imprensa do Detran.  O email foi encaminha há quatro dias e até o momento a assessoria não deu retorno para comentar o assunto.

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