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ONG Moral pede a afastamento de todos os delatados por Silval

12 deputados e secretário Representação protocolada no Ministério Público Estadual nesta quarta-feira pede afastamento de 12 deputados e Secretários

Denuncia

Redação 741 acessos

ONG Moral pede a afastamento de todos os delatados por Silval

A ONG Moral (Movimento Organizado Pela Moralidade Pública e Cidadania) entrou na tarde desta quarta-feira (30) com uma representação na Procuradoria Geral da Justiça pedindo o afastamento imediato de 12 atuais deputados estaduais, além do secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos  Avalone (PSDB). Todos são citados na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento de 25 páginas, a entidade pede que seja instaurado procedimentos administrativos investigatórios contra os deputados Dilmar Dalbosco (DEM), Baiano Filho (PSDB), Gilmar Fabris (PSD), Guilherme Maluf (PSDB), Mauro Savi (PSB), Nininho (PSD), Oscar Bezerra (PSB), Pedro Satélite (PSD), Romoaldo Júnior (PMDB), Wagner Ramos (PSD), Zé Domingos Fraga (PSD), Eduardo Botelho (PSB) e o secretário de governo Carlos Avalone da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O Secretário de Cidades, Wilson Santos, também é citado em sua delação. A entidade também cita com anexos as acusações feitas por Silval Barbosa das supostas fraudes e recebimentos de propinas em que todos os 12 deputados que hoje estão exercendo o mandato, além do atual secretário de governo, participaram nos anos de 2010 a 2014.

A ONG também aponta que os atos praticados pelos políticos na gestão anterior se enquadram como improbidade administrativa e por isso pede com urgência a instauração de procedimento investigatório. “Pleiteamos a instauração do procedimento administrativo investigatório a fim de que as irregularidades narradas sejam investigadas, a fim de subsidiar possível medida judicial visando a respectiva responsabilização, como o afastamento das funções públicas dos envolvidos para que não haja a sensação de impunidade”, diz um trecho da representação.

A ideia da representação partiu dos diretores após os vídeos de deputados estaduais recebendo dinheiro de Sílvio Correa, ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa. O conteúdo da delação premiada aponta envolvimento de parlamentares que não tinham mandato à época, mas que também compactuaram com fraudes.

O secretário Carlos Avalone, por exemplo, foi envolvido porque a empreiteira Três Irmãos, da qual é sócio, teria pago propina por conta de obras executadas no Estado. Cuiriosamente, a entidade não pediu o afastamento preventivo dos prefeitos de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSDB); Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira (PSDB); e Juara, Luciane Bezerra (PSB); além do vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro (PSD). Todos estão inclusos na colaboração premiada do ex-governador.

FEIRA DA LADROAGEM

Ao pedir o afastamento dos políticos, a ONG Moral considerou os atos de corrupção elencados na delação do ex-governador como uma “feira da ladroagem”. “Grandes obras como se fossem laranjas, programas sociais como se fossem tomates, incentivos fiscais como se fossem pasteis, enfim, todos os interesses sociais, inclusive os possibilitados pela Representação Parlamentar, tratados como mercadorias por banqueiros, empresas e ditos políticos para esquemas vis e de perpetuação no poder de pessoas que há muito tempo sabe-se como inescrupulosas e indecorosas”, assinala.

A entidade lembra que, apesar dos fatos estarem sendo analisados pela Justiça, está cumprindo seu papel. Ela cita ainda que sempre combateu a gestão Silval Barbosa, que, mesmo no mandato, já apresentava sérios indícios de corrupção. “Quase todos os escandalosos desvios delatados por Silva Barbosa foram denunciados formalmente por essa entidade”, lembrou.

Para a ONG, as pessoas mencionadas na delação deveriam “ser exemplo” para a sociedade, uma vez que representam milhares e, em alguns casos, até milhões de eleitores que depositaram seu voto de confiança. No entanto, usaram do poder constituído pelo voto para praticarem ilícitos. “O político é ser impetuoso com ego inchado pelas benesses e reconhecimento público de autoridade advindo do poder de representação de centenas, milhares e em alguns casos de milhões, precisa não tão somente ser probo, necessita ser eticamente convicto e responsável”.

Ontem, o Ministério Público Estadual se posicionou acerca da delação do ex-governador. O procurador geral de Justiça, promotor Mauro Curvo, considerou as cenas postas na delação como “lamentáveis”. Ele garantiu que, assim que a delação for desmembrada, dará celeridade e transparência nas investigações. “As imagens veiculadas pelos meios de comunicação apontam indícios fortíssimos de corrupção. A sociedade mato-grossense pode ficar tranquila que o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, dentro de sua atribuição, não se furtará em adotar as medidas cabíveis. Não nos contentaremos apenas com as provas já apresentadas e iremos a fundo nesta investigação para que todos os envolvidos sejam punidos de forma exemplar”, assegurou.

O procurador-geral de Justiça enfatizou que, por enquanto, o Ministério Público Estadual não pode adotar nenhuma medida nesse caso até que ocorra o fatiamento da investigação, já que no rol de acusados existem pessoas com foro privilegiado. Lembrou, no entanto, que a delação do ex-governador é resultado do trabalho incansável da instituição que o manteve preso, junto com os seus comparsas, por quase dois anos, até a celebração do referido acordo. 

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