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TCE abril

Governo gasta R$ 3,7 milhões com avaliação mas não divulga o resultado

Secretaria de Estado de Educação diz que não quer que pais, alunos e contribuintes conheçam o resultado

Educação

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Governo gasta R$ 3,7 milhões com avaliação mas não divulga o resultado
Aline Almeida /Diário

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc) não deve divulgar para consulta pública o resultado da Avaliação Diagnóstica do Ensino Público de Mato Grosso (Avalia/MT), que custará aproximadamente R$ 3,7 milhões aos cofres públicos.
 
A estimativa de custo foi feita quando o programa foi lançado, no começo do mês de março. Conforme a secretaria, os dados devem ser disponibilizados apenas aos gestores e professores das escolas.
 
Diferentemente dos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que são disponibilizados para conhecimento público, os da “Avalia” é restrita.
 
Contudo, o Sindicato dos Profissionais do Ensino Público entende que, por se tratar de recursos públicos, o resultado deveria ser disponibilizado, não para estabelecer um ranking, mas para dar conhecimento a sociedade e corrigir aquilo que está errado.
 
A secretaria diz que os resultados são de uso interno e, por isso, não serão disponibilizados. Só as escolas saberão como se portaram diante das provas e como os alunos absorveram os conhecimentos aprendidos em sala de aula.
 
Com estes resultados, os educadores serão direcionados a como “trabalhar com as deficiências”.
 
O presidente do Sintep, Henrique Lopes do Nascimento, diz que os professores não são contra a avaliação, mas do uso que se faz dela. Segundo ele, surgem indagações como: o que será avaliado e para que?
 
Lopes diz que, se a avaliação for para corrigir distorções, o Governo deveria atentar aos problemas que já são visíveis, como a ausência de equipamentos pedagógicos para atender a contemporaneidade.
 
“Fazer uma avaliação já conhecendo as deficiências é tentar conhecer o que já é óbvio. Outra coisa, se ela vem no modelo de outras provas, vai tentar encontrar os culpados e acaba colocando os alunos e professores como culpados dos números”, afirma.
 
Henrique Lopes do Nascimento questiona ainda o fato de investir milhões em uma empresa de fora para a avaliação. Dinheiro este que, segundo ele, poderia estar sendo investido em questões prioritárias para a educação. “O que isso vai trazer de retorno para o Estado? É prioritário aplicar este dinheiro no que já se conhece”, indaga.
 
O Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) é o responsável pelas provas e diagnósticos.
 
DADOS - A Secretaria de Estado de Educação afirma que, ao todo, 163.214 alunos da rede estadual de ensino do 2º, 4º; 6º e 8º anos do Ensino Fundamental e 1º e 2º anos do Ensino Médio participaram da avaliação. As provas ocorreram nos dias 29 e 30 de março deste ano. A página da Revista disponibilizada no site da avaliação aponta que, dos 156.099 participantes previstos, 88,1% participaram, ou seja, 127.680 alunos.
 
O resultado é distinguido por padrões de desempenho que são: abaixo do básico, básico, proficiente, avançado. A variação de nota vai depender de cada série. Nas avaliações do 2° e 4° anos do Ensino Fundamental, é utilizada uma escala CAEd com proficiências entre 0 e 1000. Nas demais etapas (6° e 8° anos do Ensino Fundamental e 1° e 2° ano do Ensino Médio) é utilizada a escala da avaliação nacional (Saeb) com proficiências entre 0 e 500.

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