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TCE abril

Propina garantiu licitação para empresa confeccionar placas do Detran

Empresa utilizava mão de obra de detentos e dinheiro foi direcionado para mensalinho a deputados estaduais.

Investigação

Redação 491 acessos

Propina garantiu licitação para empresa confeccionar placas do Detran

Em sua delação premiada, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), relatou que até placas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) foram confeccionadas com dinheiro de propina por meio de contrato com uma empresa de Brasília. Segundo Silval, foi R$ 800 mil, para a empresa ganhar a licitação.

Silval explicou que o assessor de gabiente, na época, Ailton Junior, liberou o processo no Detran para ter mais facilidade. O ex-assessor enviou o acordo de propina de R$ 800 mil após Silvio enviar um ofício ao presidente da autarquia, na época. O acordo com o valor foi aceito pelo chefe de gabinete de Silval e Ailton passou a gerenciar o contrato.

Do valor total, R$ 300 mil foram direcionados a um esquema de pagamentos mensais, chamado de mensalinho, mantido por Silval Barbosa com os deputados estaduais de Mato Grosso em troca de apoio na Assembleia Legislativa. Silvio era o responsável pelos pagamentos, tendo gravado alguns deles em vídeo. Ele ainda relata ter passado números de contas bancárias informadas a ele pelos deputados para que Ailton fizesse pagamentos.

De acordo com o ex-chefe de gabinete, o ex-governador não ficou sabendo do direcionamento deste valor pois “a pressão que Silval Barbosa sofria era tanta que o declarante acabava por resolver certos problemas do grupo político, como no caso do pagamento da dívida dos deputados, sem comunicá-lo quanto à origem do dinheiro”.

A empresa terceirizava o serviço por meio da Fundação Nova Chance, que utiliza a mão de obra de detentos do Estado para a fabricação das placas.

Em seu acordo de colaboração premiada, Silval afirmou que durante seu governo apenas quatro deputados, dos 24 parlamentares mato-grossenses, não receberam a propina.

Os R$ 500 mil restantes da propina no Detran-MT foram divididos entre Silvio e Ailton: R$ 300 mil para o primeiro e R$ 200 mil para o segundo. Silvio Correa diz que não houve repasse de valores para o presidente ou outros servidores da autarquia.

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