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PAULO LEMOS: O recado das urnas em Cuiabá

O que esteve latente no segundo turno foi o julgamento dos cuiabanos, sobretudo dos servidores públicos

Opinião

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PAULO LEMOS: O recado das urnas em Cuiabá
PAULO LEMOS

A questão de fundo da eleição em Cuiabá não foi qual dos dois candidatos estava mais preparado ou com a vida pregressa menos maculada por eventuais ou constantes derrapadas, tampouco quem deles representava alguma novidade no cenário político cuiabano, haja vista ambos representarem a velha política, sendo que de "novo", nem os "sobrenomes", nem as "sombrancelhas".

Não por acaso, a abstenção em Cuiabá no segundo turno bateu à casa dos 40% (quarenta por cento). É a prova cabal de que a população não entusiasmou-se com o "menu" que tinha à disposição.

Emanuel Pinheiro (PMDB) - que sempre foi de Santos amigo e companheiro, inclusive secretário municipal de Trânsito na primeira gestão do galinho/tucano - simplesmente conseguiu subir na prancha e surfar na onda da oposição e da desaprovação ao governador. O cavalo passou encilhado e ele montou.

Não fosse a eleição, Emanuel e Wilson provavelmente continuariam sendo bons amigos, aliados e, quiçá, sócios nalguns empreendimentos, aqui e acolá, sem nenhum vazamento de áudio, menos ainda denúncias recíprocas de corrupção, para se apurar quem tem a ficha menos "suja" e a cara mais "lisa", entre os dois ex-companheiros de batalha e labuta de uma vida inteira.

Portanto, sem a mínima pretensão de separar o joio do trigo, dentre Wilson e Emanuel, o que esteve latente no segundo turno foi o julgamento dos cuiabanos, sobretudo dos servidores públicos, a respeito dos rumos, desempenho e comportamento do governo Pedro Taques (PSDB), até pela (super)exposição do governador no processo eleitoral -  inédita, diga-se de passagem - em "benefício" indevido e abusivo do seu correligionário, Wilson Santos (PSDB), desde que Mauro Mendes (PSB) recuou estrategicamente da reeleição.

Então, apoiei Pinheiro como forma de dizer "não" aos abusos e arbitrariedades do governo Pedro Taques, bem como para equilibrar a correlação das forças políticas em Mato Grosso, a fim de barrar o que tem-se parecido com um governo autoritário e midiático, além de persecutório, revelando ser uma antítese à democracia e ao republicanismo, bem como ao Estado de Direito, conforme descritos na Constituição Federal, assim como um engodo, politicamente falando.

Taques vem agindo como se houvesse obtido nas urnas, em 2014, licença para agir ao seu-bel prazer, sendo legalista apenas quando lhe convém, a exemplo do uso e abuso da máquina pública do Estado, como marca registrada do governo hodierno, para beneficiar seus correligionários nas eleições deste ano, na Capital e no interior, promovendo uma "Caravana de Ilegalidades".

E o povo cuiabano, que não é besta nem um pouco, cuidou de dar um duro e retumbante recado ao governador nas urnas, impondo um resultado inusitado à candidatura apoiada e patrocinada por ele: o terceiro lugar, no segundo turno. Os votos nulos e brancos, sem propaganda gratuita e/ou cabos eleitorais, é que ficaram em segundo lugar, enquanto Emanuel em primeiro.

Mais do que a vitória de Emanuel e a derrota de Wilson, foi Pedro quem perdeu.


 

Paulo Lemos é escritor, professor, palestrante e advogado, especialista em Direito Eleitoral e Direito Administrativo.

O que dizem sobre isso?

  1. Taques e seu pequeno grupo de bajuladores perderam algumas prefeituras com grande simbologia. Rondonopolis Sinop Lucas do Rio Verde Barra do Garças Várzea Grande e finalmente Cuiabá. É o fim de uma gestão que mal começou. Para o bem de Mato Grosso.

  2. É isto aí Paulo Lemos o recado foi dado para o digníssimo governador Pedro Taques, dia 30 foi o pinokio Wilson Santos e em 2018 será a vez do Taques não vejo a hora de mostrar para ele que nós cuiabanos não somos bobó chera chera como ele diz, o dele está guardado.

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