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TCE abril

Carta aberta à espetacular juíza Selma Rosane

Depois do fenômeno Taques que encantou milhares com a mesma força avassaladora com que decepcionou, não precisamos em Cuiabá mais da criação de super-heróis de toga

Opinião

José Marcondes Muvuca 4536 acessos 14

Carta aberta à espetacular juíza Selma Rosane
MUVUCA POPULAR

Sra. Exma. Juíza Selma Rosane, ninguém está contra a senhora, mas é preciso recobrar, Juízes não são deuses, e nem heróis. Muito menos super-heróis. É preciso entender, que após um excesso de exposição, é possível se criar mitos midiáticos, como foi Collor e Joaquim Barbosa, só para ficar em dois exemplos.

E é a mídia quem os cria, devido a busca de personagens para consumo, e como é natural, os descartam posteriormente. O mercado tem a necessidade de apresentar garotos como Neymar Jr como seres de outro mundo para facilitar as vendas de qualquer coisa.

Mas juízes, ou promotores da justiça como é a senhora, não deveriam se sujeitar ao mesmo processo midiático (criação de fetiches), porque não são apenas rostinhos bonitos ou corpos perfeitos, e sim a mais pura essência do discernimento e da maturidade voltados para uma necessidade humana muito básica: Justiça.

Como uma senhora estudada e conhecedora da sociologia e filosofia, deve saber que a base da nossa civilização não é o dinheiro, ou a vantagem de um sobre o outro, e sim um valor muito importante que nos mantém afastados da barbárie, ou do chamado "quem pode mais chora menos".

A Justiça que a senhora representa, precisa de toda uma estrutura para ser ofertada ao cidadão porque nenhum juiz o é como na época bíblica de Sansão (este juiz também se sentiu o tal na época, e Dalila mostrou que todos são tão frágeis quanto qualquer um).

O problema é quando o juiz sai da sua estrutura de poder (concedido através dos autos, ou papel) e se considera como influenciador de opiniões, e da política, ou seja, de toda a sociedade. O ministro Joaquim Barbosa também se considerou importante após uma capa da revista Veja, e achou até que poderia influenciar nos rumos da nação. O ministro Barbosa também entrou em atritos com jornalistas que não o agradavam.

O juiz Sérgio Moro estava indo bem, porque como o ministro Barbosa sabe, a corrupção do PT é mera continuidade da mesma corrupção do PSDB. Mas uma coisa é seguir as intenções da mídia, que buscavam trocar os petistas por outros agentes políticos mais amistosos (ou solícitos para cortar direitos dos trabalhadores), e outra intenção bem diferente é seguir o senso de justiça. Na dúvida, assume o papel criado pela mídia: Personagem de herói, como a senhora vem sendo para todos nós mato-grossenses e por isso já acredita cheia de poderes, e de fato os tem, mas não faça disso o próprio cadafalso.

Outro dia o ministro Barbosa foi apresentado como "Batman", hoje é Moro quem é o "Superman". E esse processo midiático acabou chegando à Cuiabá, transformando a senhora no "Sérgio Moro de saias". Pois bem, já lhe atribuem candidaturas para se apresentar como a salvadora como Taques o foi num passado recente, e assim como a senhora, danou a querer falar mais na mídia e até a falar para multidões.

Claro que falar para multidão não é o mesmo que falar com o povo. Hitler só começou a fazer sucesso com as multidões após um bom trabalho de mídia que o apresentou como "herói". Multidões são inconsequentes e fazem o que um rosto conhecido lhes mandam fazer, e até Pilatos sabia disso, mas ao invés de "falar nos autos" e promover a justiça, preferiu fazer uma média (a multidão na época também foi manipulada).

Depois do fenômeno Taques que encantou milhares com a mesma força avassaladora com que decepcionou, não precisamos em Cuiabá mais da criação de super-heróis de toga, porque nenhum espetáculo sacia nossa sede de justiça.

Ninguém está contra a senhora, muito ao contrário, mas todos percebem o endeusamento e como tem se deleitado disso, o que é perigoso, tanto que a estão praticamente cooptando para política. Vaidade é o calcanhar-de-aquiles de qualquer um, e "macacos velhos" como Aécio Neves sabem usar essa fraqueza como poucos.

O problema da senhora juíza, como qualquer outro, são as fraquezas que fazem abandonar o próprio juízo, e ser justo, e começar a agir para agradar anseios de terceiros, como as multidões que são inflamadas pela mídia que atendem a uma agenda própria. No frigir dos ovos a caneta da sentença pesa. Aliás, se observa um padrão com as suas: Réus passíveis de absolvição por falta de provas, o são, porém através do instituto da prescrição. Uma pena.

Esse é o padrão mesmo dos juízes midiáticos: Processos de interesse dos jornais são trabalhados e os de baixo impacto são deixados de lado. Esse é apenas um dos problemas da "simbiose". Antes isso era até natural com o MP. Os promotores vazavam uma notícia, que era publicada, e aí sim, devido ao "fato noticiado" se tinha a obrigação de se investigar. Essa "simbiose" ficou recorrente nos últimos anos, 10-15 anos, especialmente em casos de colarinho branco, ou seja através da publicação nos jornais já iam punindo o investigado.

O ministro Barbosa de certa forma usou a mídia no começo do processo do "Mensalão", que poderia até prescrever sem essa atenção da mídia. Porém acabou sendo engolido por toda a publicidade do caso, em especial pela Globo, e a partir daí se viu direcionado pela mídia ávida em abalar o petismo. Acabou se deixando levar. Até protestou contra o desinteresse da mídia pelos criadores do esquema, o PSDB. Mas aí já era tarde, só queriam o PT. E não queremos acreditar que este seja seu caso.

PS. Críticas não se vingam como a senhora fez hoje com os jornalistas porque se tem poder, assimila-se para melhorar a forma de exercê-lo.

O que dizem sobre isso?

  1. Vinicius vc pode até não ter entendido muito e se sentido confuso, mas pra quem o recado foi dado, entendeu certinho, pode ficar tranquilo. Gostei do seu posicionamento Muvuca, eu acho que é bem por ai.

  2. Excelente artigo, esse aí já mostrou que é uma cópia nefasta de Pedro Taques.

  3. Parabéns bom artigo , alguns pontos confusos mas o recado foi dado. Vou citar aqui o que li numa entrevista com o senhor Joaquim Barbosa, o mesmo afirmou que na época do grande bum como Ministro o convidaram para candidatar-se a cargos políticos , mas homem coeso e por respeito a função não o faria. Anos após ele até pensaria em tentar caso convidado. Muito integro da parte dele não se valer do momento, traindo a população e se aproveitando do cargo.

  4. Perfeito !!!!!

  5. Grande Mateus de Souza Santos! "Os monstros só crescem com ração nutritiva." E a ração quem dá é a mídia rasa.

  6. Lugar de Juiz, é no TJ e não na mídia!!!

  7. Perfeito!

  8. MUUUUUU ! DISSE TUDO E MAIS UM POUCO,OS HERÓIS ACABARAM MESMO SEJA ELES DE QUALQUER FANTASIA ....E TUDO COMEÇOU COM A DOBRADINHA DE 1999 , QUE TENTAVAM A TODOS CUSTO IMPLODIR IGUAL E.I ASSEMBLÉIA, TJ,TCE E ATÉ O ZOO..... HJ TODO O BRASIL, E CUIABÁ PRECISAM DE GESTORES SÉRIOS E NÃO POLÍTICOS. VEJO QUE DO JEITO QUE ESTÁ A SAÍDA MAIS RÁPIDA TORNAR OS ESTADOS INDEPENDETS OU E.I COMO QUEIRAM! PQ AGUENTAR OS 500 É POUCOS DEP.FEDERAIS, QSE 90 SENADORES, TODOS OS TJ e ST DO BRASIL E AS ASSEMBLÉIAS E CAMARA......NÃO É MOLE ESTAMOS "QUEBRADOS" ELES SÓ NOS REMEDAM

  9. Juizeca está errada e tem que pedir desculpas. O Sindjor reagiu depois que o muvuca puxou o coro. Saudações a quem tem coragem!

  10. Jornalistas jogaram o jogo sem se preocupar com as regras. Serviram de escadas, criaram mitos, e é duvidoso que tenham se preocupado com a ética. Os monstros só crescem com ração nutritiva. Isso a mídia nunca deixará faltar. Somos refens do justicialismo pra agradar multidões e de um moralismo razo. A mídia tem culpa no cartório.

  11. Nossa que carta confusa Muvuca, até concordo com muitas das observações, mas falou trocentas coisas sem muita coesão e o final com o Aécio Minerin ficou meio sem nexo.

  12. Muvuca parabéns. Belas palavras, disse tudo !!!!!

  13. Alguém precisava dizer isso pra ela. Amei!

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