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Temendo ‘desvio de dinheiro’ pelo governo, bancada enviará R$ 57 mi direto na conta dos municípios

A primeira emenda (R$ 100 milhões) foi enviada para o governo fazer a distribuição; prefeitos e hospitais alegam que não receberam os recursos até hoje

Política

Redação 1652 acessos

Temendo ‘desvio de dinheiro’ pelo governo, bancada enviará R$ 57 mi direto na conta dos municípios
Marcio Camilo

Dessa vez, a bancada federal de Mato Grosso foi mais “esperta” e destinará os novos recursos da emenda parlamentar para a Saúde, no valor de R$ 57 milhões, direto na conta dos municípios mato-grossense.

Na avaliação dos parlamentares a “mudança de estratégia” foi necessária, já que não se sabe o que o governo fez efetivamente com a emenda anterior de R$ 100 milhões, destinada para o mesmo fim.

O senador José Medeiros (Podemos) explicou que em fevereiro a bancada destinou R$ 100 milhões em emendas para amenizar o caos da Saúde instaurada na gestão do governador Pedro Taques (PSDB). No entanto, muitas prefeituras e hospitais filantrópicos alegaram que o governo não repassou o dinheiro.

O fato é que na prática não houve melhorias no setor depois dos R$ 100 milhões, já que o Estado deve cerca de R$ 99 milhões em repasses da Saúde aos municípios referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano. A dívida foi apontada em relatório da Associação Mato-grossense do Municípios (AMM).

“Nós mandamos os R$ 100 milhões e está esse imbróglio aí: as filantrópicas dizendo que não receberam e o governo tá dizendo que pagou. Os municípios também estão falando que não receberam, nós temos até uma nova reunião para apurar isso, mas o certo é que o problema continua”, destacou Medeiros.

O senador enfatizou que mandar o dinheiro direto aos municípios é “pra evitar esse tipo de coisa”, ou seja: para que os recursos de alguma forma não se percam no caminho.

Ele explicou que antes da liberação da emenda consultou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para ver se era possível que os R$ 57 milhões fossem repassados sem que o Estado fosse o “atravessador” nesse processo.

“Ele disse que o futuro é isso, não passar mais recursos dos municípios pelo Estado, nem por Caixa Econômica, porque olha o exemplo do Fundeb, o quanto que as prefeituras estão sofrendo com isso. Então estamos trabalhando numa pauta municipalista para tentar livrar os prefeitos desse tipo de coisa, sem atravessador”, disse Medeiros se referindo ao Estado.   

O encontro que articulou a nova emenda de R$ 57 milhões da bancada federal de Mato Grosso para a Saúde ocorreu nesta quarta-feira (11). Medeiros – coordenador da bancada – alertou que os recursos ainda estão sujeitos a contingenciamento.

A bancada é formada por três senadores e oito deputados que atuam no Congresso Nacional para articularem políticas públicas em prol do estado.

Além de Medeiros, fazem parte da bancada federal de Mato Grosso os senadores Cidinho Santos (PR) e Wellington Fagundes (PR) e os deputados federais Adilton Sachetti (PRB), Fábio Garcia (DEM), Ezequiel Fonseca (PP), Carlos Bezerra (MDB), Valtenir Pereira, Ságuas Moraes (PT), Nilson Leitão (PSDB) e Victório Galli (PSL).

DESTINO DA EMENDA

Conforme o senador, os municípios de Sinop, Sorriso, Juína, Tangará da Serra, Peixoto de Azevedo, Barra do Bugres e Nova Olímpia, somados, receberão quase 43 milhões de reais.

Já as cidades que compõem o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste de Mato Grosso (CISOMT) devem receber pouco mais de 8 milhões de reais, e quase 6 milhões de reais serão divididos entre os municípios que fazem parte do Consórcio Intermunicipal do Guaporé (CISVAG).

Do CISOMT compõe as cidades de Araputanga, Cáceres, Curvelândia, Figueiropólis D’Oeste, Glória D’Oeste, Indiavaí, Jaur, Lambari D’Oeste, Mirassol D’Oeste, Porto Esperidião, Reserva do Cabacal, Rio Branco, Salto do Céu e São João dos Quatro Marcos. Quanto ao CISVAG, fazem parte os municípios de Pontes e Lacerda, Comodoro, Conquista, Campos de Júlio, Vila Bela, Vale de São Domingos e Nova Lacerda.

OUTRO LADO

A reportagem ligou para quatro números telefônicos diferentes do Gabinte de Comunicação do Governo (Gcom-MT). No entanto, não houve o retorno da assessoria para comentar o assunto, até a publicação desta matéria. 

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