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Estado abandona soropositivos há 3 meses

Pacientes estão morrendo por falta de atendimento público

Saúde

Redação 2588 acessos

Estado abandona soropositivos há 3 meses

Há cerca de três meses, os pacientes portadores do vírus HIV em Mato Grosso não têm acesso a um exame que é primordial para detecção da evolução da AIDS. A informação é do site GPS Notícias e dá conta há três meses os pacientes não conseguem realizar o exame no sistema público de Saúde de Cuiabá. Segundo ele, a primeira justificativa apresentada é de que o aparelho que realiza a análise estaria com defeito. Agora, a justificativa é a greve dos servidores estaduais.

“Há exatamente três meses atrás eu fui colher o sangue para fazer o CD4 e me falaram que a máquina estrava estragada. Aí duas semanas atrás eu voltei lá e me falaram que a agora não estão colhendo por causa da greve do Estado. Ou seja, o laboratório do Estado não está operando com os 30% que seria necessário. Primeiro eles falaram que a culpa era da máquina que estava estragada. Agora a culpa é da greve do Estado. A gente nunca sabe se eles estão falando a verdade”, denuncia um jornalista ao GPS.

O alto preço do exame na rede particular de saúde preocupa os pacientes, já que grande parte daqueles que dependem do Sistema Único de Saúde não tem condições financeiras de arcar com o exame particular, que custa em torno de R$ 600,00. O jornalista J.S, está entre estes que dependem do atendimento público e relata que, assim com ele, há vários outros portadores do vírus necessitando do exame.

“Tem uma mãe de um bebê que morreu há dois meses. Ela tinha AIDS e estava com pneumonia e veio a falecer. O filho dela que estava aonde faz o exame, estava passando pelo mesmo processo de doença que ela, estava com feridinhas no corpo e estava com início de pneumonia, segundo a avó dele. Eu perguntei para a avó o que ela estava fazendo e ela falou que não ia fazer nada porque não estava colhendo o CD4. E a gente fica totalmente indignado porque é uma criança. E criança, segundo a Constituição, tem prioridade na Saúde. E ele não está tendo prioridade. Está sendo negado para ele um direito universal” se indigna J.S.

Não é apenas Cuiabá que está sem o atendimento. O turismólogo D. L. O, 30 anos, faz 0 tratamento no SAE de Várzea Grande e relata que necessita fazer o exame a cada seis meses. Apesar de ainda não ter chegado a data para a realização do seu exame, ele conta que a situação é preocupante, não apenas por si mesmo, mas, principalmente, por causa daqueles que possuem um quadro mais evoluído da doença e que necessitam realizar o exame em em período mais curto de tempo. De acordo com o turismólogo, ele faz o tratamento na rede pública de Várzea Grande há mais de três anos e esta é a primeira vez que enfrenta o problema na realização do exame.

“No meu caso é a cada seis meses porque os resultados dos meus exames estão bons. Eu colhi o meu tem três meses. Só que eu tenho conhecimento de alguns pacientes que já estão tentando fazer há dois meses e ainda não conseguiram. Paciente que precisava fazer uma cirurgia, porque ele é essencial para fazer algum procedimento cirúrgico, não conseguiu e efetuaram a cirurgia mesmo sem o exame porque era caso de urgência. No caso de vida ou morte teve que optar pelo menos pior”, denuncia D. L. O.

A médica infectologista Zamara Brandão Ribeiro, explica que os exames são termômetros que medem se o tratamento da doença está sendo eficiente ou não.”Esse é um termômetro essencial para nós, porque a ausência do exame dificulta na avaliação da imunidade do paciente. Sem ele eu não tenho condição de fazer o acompanhamento da doença e prever possíveis complicações de saúde e infecções”, explica.

A redação do GPS Notícia entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) que não repassou muitas informações. De acordo com a pasta, o recebimento de amostras para a realização do exame foi normalizado. Teriam ocorrido duas suspensões do serviços neste ano. A primeira no mês de abril e a segunda em maio, mas que os problemas já foram solucionados.

Entretanto,o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Cuiabá, informou que a coleta sanguínea ainda não está sendo realizada para os exames de carga viral e CD4, e que ainda não há previsão de retorno porque o laboratório da Secretaria de Estado de Saúde não está funcionando devido à greve dos servidores e somente exames de rotina estão sendo realizados na unidade.

Enquanto isso, os pacientes têm que conviver com o medo de um diagnóstico tardio e com o sentimento de impunidade e abandono, assim como J. S. e D. L. O, que fizeram a denúncia.

“Olha eu me sinto lesado, porque eu pago meus impostos, sou uma pessoa certa, digna, e de repente, quando preciso do SUS, que a própria Constituição garante 100% de saúde universal, não tenho acesso a essa Saúde. Então a gente se sente indignado porque tenta ser o mais correto possível com o Governo, pagando os impostos em dia e quando a gente precisa do Governo eles nos retém desse direito básico constitucional que é o direito à saúde”, desabafa J.S.L.O. diz sentir medo porque a falta do exame pode prejudicar o tratamento que é seguindo à risca há anos.

“Sinto medo porque um resultado ruim e tardio, de uma carga viral ou um CD4 muito baixo prejudica todo um tratamento de anos. É medicação que tem que ser trocada. Doenças que podem aparecer porque a imunidade está baixa. E isso tem que ser feito periodicamente . Não pode ser tardio, não pode atrasar, porque essas coisas, principalmente para pacientes soropositivos, tem que ser tratados com rapidez. A gente não tem tempo longo assim de espera porque com a nossa carga viral aumentando e a imunidade abaixando a gente fica muito exposto a várias doenças”, lamenta.

Leia a nota encaminhada pela SES

A Secretaria de Estado de Saúde esclarece que o recebimento de amostras para realização de dosagem de CD4 foi normatizado. A SES pontua que aconteceram duas suspensões do serviço, sendo o primeiro no mês de abril e o segundo em final de maio ocasionando uma redução na realização dos exames, mas o problema foi resolvido e os exames voltaram a ser realizados. Segundo a direção do Lacen os problemas foram técnicos o que acarretou na redução da realização do mesmo.

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