Ministro Blairo Maggi evita comentar prisão de Neri Geller, ex-secretário do Mapa | MUVUCA POPULAR

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

POLÍTICA Sexta-feira, 09 de Novembro de 2018, 14h:59 | - A | + A




DESDOBRAMENTO DA LAVA JATO

Ministro Blairo Maggi evita comentar prisão de Neri Geller, ex-secretário do Mapa

O ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), comandado pelo ex-governador de Mato Grosso e senador licenciado, Blairo Maggi (PP), decidiu não se manifestar em relação à prisão do ex-secretário de Política Agrícola Neri Geller (PP), que foi eleito deputado federal no último dia 7 de outubro.

De acordo com a assessoria de imprensa do Mapa, o ministro não irá comentar o fato, pelo fato de que a investigação remetira ao ano de 2014, quando Geller era ministro da Agricultura no governo Dilma Rousseff (PT), e não por fatos e atos enquanto esteve como secretário.

A prisão temporária de Geller ocorreu em Rondonópolis (212 Km ao sul de Cuiabá), pouco antes de participar de uma palestra. A Polícia Federal também realizou busca e apreensão em sua residência e no seu posto de combustível, ambos em Lucas do Rio Verde.

Denominada de Operação Capitu, mais um desdobramento da Operação Lava Jato, a ação visa investigar crimes delatados pelo doleirro Lúcio Bolonha Funaro, operador do MDB.

Geller foi indicado para o ministério em 2014, quando era filiado ao MDB. Em 2017, documentos vieram à tona de um esquema envolvendo propinas da JBS. Entre os que teriam recebido favorecimento estavam Neri Geller e o deputado federal Carlos Bezerra (MDB).

A lista aparece o nome de Geller e que o mesmo teria recebido R$ 250 mil, por meio de Florisvaldo de Oliveira, conhecido como o 'homem da mala'.

Geller era do MDB e então ministro da Agricultura. Também era muito próximo do ex-deputado Eduardo Cunha e do presidente Michel Temer. O dinheiro foi entregue por Florisvaldo no gabinete do ministro.

Operação Capitu

Foram mobilizados 310 policiais federais. Inquérito foi instaurado em maio deste ano, baseado em declarações prestadas por Lúcio Bolonha Funaro, sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Mapa em 2014 e 2015.

A Polícia Federal apurou a atuação de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e no Mapa, integrada por empresários e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal.

Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do Mapa e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado.      

As propinas eram negociadas, geralmente, com um deputado federal e entregues aos agentes políticos e servidores do Mapa pelo operador Lúcio Bolonha Funaro. Entre os atos de ofício praticados pelos servidores do Mapa destacam-se a expedição de atos normativos, determinando a regulamentação da exportação de despojos, a proibição do uso da ivermectina de longa duração, e a federalização das inspeções de frigoríficos.

O grupo empresarial teria pago R$ 2 milhões pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões pela proibição do uso da ivermectina de longa duração. Um deputado federal da Paraíba à época dos fatos teria recebido R$ 50 mil do grupo como contrapartida, em decorrência da tentativa de promover a federalização das inspeções sanitárias de frigoríficos por meio de uma emenda, cujo objeto tinha natureza totalmente diversa do escopo da medida provisória nº 653/2014 na qual foi inserida.

Teria havido também, por parte do grupo empresarial, o financiamento ilegal de campanha de um deputado federal para a presidência da Câmara dos Deputados, em troca de atendimento dos interesses corporativos do grupo no Mapa; sendo de R$ 30 milhões o valor solicitado para tal financiamento.

Desse total, o deputado teria destinado R$ 15 milhões a um deputado federal mineiro de seu partido, tendo a bancada mineira de seu partido recebido parte do montante, após a lavagem do dinheiro. Esses valores teriam sido depositados pelo grupo em contas bancárias de 6 escritórios de advocacia, que teriam repassado os valores lavados aos beneficiários finais, conforme determinação do deputado federal de Minas Gerais e de seu operador, também deputado federal. Esses escritórios de advocacia teriam emitido notas fiscais frias, visto nunca ter havido qualquer prestação de serviço ao grupo empresarial.

Uma das maiores redes de supermercado do país também teria integrado a engrenagem de lavagem de dinheiro oriundo do esquema, repassando aos destinatários finais os valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições “oficiais” de campanha. O total de doações “oficiais” feitas por empresas vinculadas e administradas por um empresário do ramo de supermercados nas eleições de 2014 totalizou quase R$ 8,5 milhões.

Durante as apurações, houve clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado – inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF – teriam praticado atos de obstrução de justiça, prejudicando a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos. Daí o nome da Operação, Capitu, a personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, Dom Casmurro.

Os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de reclusão, proporcionalmente à participação de cada investigado.      

Lista de presos

Antonio Andrade, vice-governador de Minas e ex-ministro da Agricultura de março a dezembro de 2014

Joesley Batista, dono da JBS

Ricardo Saud, executivo da JBS

Demilton de Castro, executivo da JBS

João Magalhães, deputado estadual pelo MDB de MG

Neri Geller, deputado eleito pelo PP de MT

Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária

Mateus de Moura Lima Gomes, advogado

Mauro Luiz de Moura Araújo, advogado

Ildeu da Cunha Pereira, advogo

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COMENTÁRIOS

(1) COMENTÁRIOS

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Carlos - 10-11-2018 04:38:13

ESSE BLAIRO É COVARDE COMO.SEMPRE É IGUAL LULA NAO SABE DE NADA NUNCA VIU NADA SAO PODRES MESMO CALMA MINISTRO DA CORRUPÇÃO A SUA VEZ ESTAR CHEGANDO SE LULA ESTAR PRESO IMAGINE VOCÊ JÁ JA CHEGA A SUA VEZ.

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1 comentários