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Quinta-feira, 04 de Junho de 2020

ARTIGOS Sexta-feira, 15 de Maio de 2020, 15h:23 | - A | + A




A economia de Mato Grosso pós-crise

A economia de Mato Grosso pós-crise

As perspectivas para a economia de Mato Grosso no período pós-crise são de continuidade de uma performance positiva ao longo dos próximos anos, pois o grande propulsor de nossa economia continuará sendo a cadeia produtiva do agronegócio, segmento econômico altamente beneficiado com o aumento de consumo de alimentos no mercado interno, rápida recuperação do consumo chinês, no mercado externo, pela forte apreciação do dólar perante o real, o  que melhorou o desempenho das exportações. O conjunto desses fatores atua para turbinar os negócios do setor. Paradoxalmente, isso aumenta a nossa agrodependência, que é a forte dependência da economia de Mato Grosso da cadeia produtiva do agronegócio. A despeito de ter se tornado altamente competitivo mundialmente, com elevada produtividade e utilizar as mais modernas tecnologias em seu processo produtivo, o agro continua sendo exportador de produtos primários.  Aproximadamente 67% da produção agropecuária de Mato Grosso é exportada sem processamento, gerando baixa renda tributária para o estado e baixo valor criado para a economia local. Ainda assim, é o setor mais dinâmico e competitivo e que sairá fortalecido e capitalizado dessa intensa e inesperada crise econômica.

Vejo o setor de comércio varejista e atacado como o que mais será afetado pela pandemia em razão da paralisação ocasionada pelo necessário isolamento social. A drástica redução da circulação de pessoas atuou como verdadeira hecatombe no mundo comercial e de serviços, afetando, especialmente os pequenos e médios comércios. Com maior liquidez e capacidade de tomar crédito no mercado financeiro, as grandes corporações e lojas de departamentos aceleraram seus processos de vendas em ambiente digital, aperfeiçoaram seus sistemas logísticos para reduzir o tempo de entrega para atender o seu consumidor. O aumento de venda via internet será o “novo normal” da era pós-crise. Os pequenos e médios negócios, costumizados para vendas físicas e visitas à suas instalações, precisarão se adaptar ao novo ambiente de negócios que utilizará mais intensivamente as plataformas digitais, chamadas modernamente de marketplaces e parcerias estratégicas para continuar competindo nesse novo mercado. É natural, portanto, que, juntamente com as indústrias, é o setor que mais tem pressionado as autoridades nacionais, estaduais e municipais para retirada da legislação que impôs o isolamento e afastamento social.

O setor de serviços parece ser o que mais rapidamente procurou se adaptar à nova situação mercadológica e social, intensificando o teletrabalho a seus colaboradores  e ofertando opções via digital que antes somente eram ofertados fisicamente, como os grandes shows musicais, e a indústria do entretenimento cinematográfico e televisivo. Áreas de turismo, hotéis e aéreas foram mais afetadas.

A indústria estadual também sentiu fortemente os efeitos da crise. Mas procurou rapidamente adaptar seus processos produtivos, readequação de custos e busca de crédito para manter suas operações. Como o setor de alimentos é bastante representativo na indústria local, foi beneficiado pelo aumento de consumo da cadeia alimentar, especialmente no início da pandemia quando houve corrida para estocagem de bens de sobrevivência diante das incertezas sobre a duração do isolamento das famílias. O setor de frigoríficos voltou a exportar em volumes expressivos com o aumento da demanda da China. A indústria do etanol foi muito afetada pela forte redução de consumo de combustíveis e queda do preço da gasolina. Sob boa liderança de suas representações corporativas, além da rápida adaptação, ainda tem sido muito colaborativa em ações e campanhas de solidariedade e proteção social às camadas mais vulneráveis da sociedade.

Na área pública, estado e municípios, foram atropelados pela crise sanitária e financeira que derrubou suas receitas tributárias e os obrigou a aumentar as despesas na área de saúde. Vão superar a queda da arrecadação de tributos com o programa de socorro financeiro que está sendo executado pela administração federal em conjunto com o parlamento nacional. O programa estabelece que o tesouro nacional vai entregar aos estados e municípios de Mato Grosso volume aproximado de R$ 4 bilhões, para compensar perdas de receitas do fundo de participação dos estados e municípios, do ICMS e do ISS. Além disso, a União suspendeu, até dezembro deste ano, o pagamento das parcelas das dívidas que o estado e municípios possuem com o tesouro nacional, bancos federais e empréstimos internacionais nos quais o tesouro nacional seja avalista.

Diante das incertezas sobre o relaxamento das medidas de isolamento social, o melhor cenário aponta que somente a partir de agosto a economia de Mato Grosso volta a funcionar plenamente, mas em ritmo lento, e a retomada das atividades às mesmas condições pré-crise serão alcançadas a partir de janeiro de 2021.

Certo é que as métricas de mensuração da economia estadual serão outras, nas quais estarão presentes mais ações preventivas e de convivência social, até a ciência desenvolver a vacina para o coronavírus, uso intensivo de tecnologias para o comércio de mercadorias e serviços em ambiente digital e exigência de ações proativas das empresas e pessoas voltadas à fraternidade, solidariedade, sustentabilidade ambiental e social.

 

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em  MBA Gestão Financeira Empresarial-FIA/USP  (vivaldo@uol.com.br)

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COMENTÁRIOS

(1) COMENTÁRIOS

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Benedito costa - 17-05-2020 12:32:30

Vivaldo Lopes quase a vida toda mamou nas tetas dos governos municipal e estadual.

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