Henrique Maluf | MUVUCA POPULAR

Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019

ARTIGOS Terça-feira, 16 de Julho de 2019, 08h:29 | - A | + A




Bossa Nova, a refinada invenção de João Gilberto,

Henrique Maluf

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Na semana passada vimos algumas pessoas lamentando a morte de João Gilberto nas redes sociais. Ele é considerado o papa da Bossa Nova e, ao lado de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, criou o estilo musical que representa o Brasil de forma mais elegante pelo mundo. Três grandes gênios, um maestro, Tom Jobim, um poeta, Vinicius de Moraes e um grande músico, João Gilberto, não havia como a união deles render outra coisa, a não ser uma revolução musical, estética e cultural tão grande, como foi a Bossa Nova.

“O estilo musical representa o Brasil de forma mais elegante pelo mundo”

A Bossa nasce em Copacabana, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, e é um movimento musical da classe média cultural da cidade, jovens burgueses músicos, compositores, cantores que viviam a badalada boemia carioca no final dos anos 50.

O ano foi 1958, com o lançamento do compacto de João Gilberto com nome de Chega de Saudade, homônimo da canção composta por Tom e Vinícius, ali se ouviu uma nova batida de violão, suave e refinada, e um modo muito particular de se cantar, intimista, com pouca projeção vocal, quase um sussurro, somada a elegância dos ternos que João Gilberto usava, nascia ali a refinada e elitizada Bossa Nova.

A primeira sensação ao ouvi-la era de que fosse uma maneira mais delicada de se tocar o samba carioca, e sim, a Bossa realmente traz essa impressão, pois sua rítmica é a do samba, porém sua maior influência é o Jazz norte americano e toda sua sofisticação e técnica, principalmente ao se tratar das harmonias, a Bossa se apropria de forma elegante os elementos do Jazz, com canções bem elaboradas tecnicamente, e suas letras abordavam temáticas leves e descompromissadas.

Entre outros importantes nomes da Bossa Nova podemos citar Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Nara Leão, Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime, que desde o início movimentaram a cena com suas canções, além de reaproximar a Bossa com os compositores do morro, nisso foram feitas parcerias com Zé Ketti, Cartola e Nelson Cavaquinho.

“O legado da Bossa é imenso e até hoje seu valor estético reverbera em composições novíssimas sendo uma grande influência para várias gerações de compositores e musicistas”

O samba carioca e o jazz norte americano, a fusão entre essas ricos e únicos gêneros musicais resultaram na Bossa Nova, e não demorou muito para que a Bossa tomasse proporções mundiais, a primeira assimilação foi dos Estados Unidos, principalmente o saxofonista Stan Getz, que no ano de 1964 lança um álbum em parceria com João Gilberto, o “Getz/Giberto”, no ano seguinte o álbum ganha o Grammy de Melhor Disco do Ano e populariza a Bossa Nova em todo mundo, um fenômeno de popularidade, canções como “Garota de Ipanema”, “Corcovado”, “Desafinado”, surgiram para o mundo, e nomes como Sarah Vaughan, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald gravaram suas versões de Bossas.

Mesmo com o grande sucesso mundial o movimento Bossa Nova teve seu fim, e o responsável foi um dos seus criadores, quando em 1965 Vinicius de Moraes compõe em parceria com Edu Lobo a canção Arrastão, a mesma foi defendida por Elis Regina no Festival de Música Popular Brasileira, da extinta TV Excelsior, era o fim da bossa nova e o início do que se rotularia MPB.

O legado da Bossa é imenso e até hoje seu valor estético reverbera em composições novíssimas sendo uma grande influência para várias gerações de compositores e musicistas, sem contar que as joias por ela produzidas até hoje ganham salas de teatro em tributos e homenagens, em bares pelo Brasil e pelo mundo sempre há alguém tocando uma bossa, de elevadores de shoppings a músicos de rua. Uma antiga e nova concepção, a Bossa Nova.

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá.  

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