ROBERTO DE BARROS FREIRE  | MUVUCA POPULAR

Domingo, 25 de Agosto de 2019

ARTIGOS Quinta-feira, 15 de Agosto de 2019, 12h:26 | - A | + A




O cocô do presidente

ROBERTO DE BARROS FREIRE

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Algumas substâncias e termos eram até pouco tempo atrás elementos estranhos à liturgia da política, à majestade do poder. Mas, Bolsonaro colocou no vocabulário nacional, na imprensa, no congresso, nas ruas a bosta, essa substância profunda, intestinal, local de onde parece evadir as ideias presidenciais.

Sua proposta para melhorar o meio ambiente é que deixemos de evacuar, em síntese uma bosta de sugestão, nojenta, como a mente presidencial, que só vê maldade, sexualidade e porcaria para todo lado, e tem um humor negro, ofensivo e asqueroso.

Por esse comportamento ofensivo, por realizar essas baixarias linguísticas, por ser pequeno, rústico, bronco e mal-educado, por ser impróprio ao cargo que ocupa, nos obriga a ficarmos passando vergonha diante do mundo, que tem agora o Brasil como uma republiqueta de última categoria, com um presidente capacho do Trump. E nos obriga também a termos que baixar o nível para nos comunicar com termos rasos, que são os únicos que podem descrever as coisas absurdas que Bolsonaro faz e diz.

Até agora o que fez nosso presidente? Só merda. Está cagando no meio ambiente, a educação está indo para bosta, e o país anda de lado economicamente, patinando no cocô de legislações ruins. Como se faltassem leis nesse país, como se precisássemos de leis, quando na verdade faltam pessoas com atitudes maduras.

O fato é que Bolsonaro é um cagão, teme o debate político, científico, artístico e popular, realizando um monólogo na imprensa, desautorizando perguntas de repórteres e fazendo só proselitismo político. Está cagando para os pobres, para nordestinos, para o povo que está além do seu celular, para professores, cientistas, e a população de forma geral. Está fazendo desse país uma merda de país: violento, destrutivo, ofensivo.

Fôssemos pessoas boas e razoáveis, estaríamos agindo para colocar limite nesse adolescente petulante que temos como presidente, que atira merda para todo lado, que ofende a todos. Ofende a nossa inteligência tendo que ouvir um discurso tolo, ignorante e repleto de termos chulos, impróprios a um presidente. Alguém que quer mais decretar do que governar, quer mais ordenar do que estabelecer o bem comum, que quer mais impor seus valores morais ou ideológico, sem respeitar os demais, não serve como presidente de uma república. É um tirano que se não estiver limitado pela sociedade civil vigilante, usurpará o poder para governar de forma totalitária.

E que fique claro, de todas as merdas enunciadas por Bolsonaro, a pior é ser favorável a ditadura e a tortura, algo que por si mesmo o desabona para ser nosso presidente. Se uma parte grande da população não se importa com isso, o que revela os cagãos que somos, o resto do mundo não se engana com as bravatas bolsonaristas. O Brasil cada vez mais irrelevante terá apenas cocô por todo lado para apresentar, pois além dos cocôs de índios que Bolsonaro decididamente não gosta, terá a bosta urbana infinitamente superior imundiciando nossos rios, visto que nada faz para a coleta do esgoto e tratamento das águas.

Enquanto o presidente fica preocupado com os poucos cocôs de índios, não vê a grande quantidade de bosta que a civilização produz, e para a qual não tem nenhuma solução, aliás, nunca pensou a respeito.

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia da UFMT.

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COMENTÁRIOS

(3) COMENTÁRIOS

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Zora - 16-08-2019 14:18:47

Professor, a sua análise não poderia ter sido mais clara. Resta saber até quando o Brasil aguenta, sem morrer afogado, esse mar de fezes subindo, subindo... E tem gente que acha que está salva porque vai subir na cabeça de outrem. Tolos, mais cedo ou mais tarde a "caca" vai alcançá-los também.

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Olavo - 15-08-2019 20:44:18

DEMAGOGIA PETISTA E O DESEMPREGO O aumento de pessoas vivendo nas ruas das cidades brasileiras é uma amostra inquietante dos efeitos do desemprego no país. A miséria cresce a olhos vistos. Em apenas um ano o número de famílias que recebem benefícios sociais e que moram em vias públicas cresceu 35%, cerca de 20 mil a mais, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social. O desemprego atinge fortemente os trabalhadores mais pobres e sem qualificação, mas também assombra a classe média. Pessoas especializadas sofrem com a crise no mercado de trabalho. Tal quadro se agravou com a recessão que se acentuou em 2015 e 2016, período em que a economia encolheu 7,2%, o pior biênio desde 1948. O desemprego é a face mais perversa da recessão econômica e representa o maior drama na vida de uma família. Porém, tal situação tem sido fortemente explorada de modo oportunista por políticos de olho nas eleições do ano que vem. Eles apostam firmemente na tese do quanto pior melhor para obter dividendos no pleito de 2018. Líderes do PT têm se esforçado para jogar no colo do governo Temer a responsabilidade pelos 13,5 milhões de desempregados. Querem passar essa ideia para o público mirando a eleição presidencial. Apostam que assim podem recolocar o partido no poder. Independentemente do posicionamento do cidadão em relação ao atual governo é necessário que se faça justiça. A crise econômica atual foi gestada nos governos do PT por conta de omissões e de ações econômicas e administrativas desastrosas. O Brasil conviveu com um período de crescimento econômico expressivo entre os anos de 2004 e 2008, quando Lula era o presidente, e suas causas a bem da verdade foram em grande parte as políticas adotadas em anos anteriores associada ao “boom” da economia internacional e aos estímulos ao consumo doméstico. Medidas como a maior abertura econômica do Brasil ao exterior, as privatizações, o Plano Real, o sistema de metas de inflação, o câmbio flutuante, os superávits primários das contas públicas e a Lei de Responsabilidade Fiscal prepararam estruturalmente o terreno para o crescimento econômico de 2004 a 2008. Essas ações, ocorridas entre o início dos anos 90 até 2000, criaram uma base para o país crescer quando economias como a chinesa, por exemplo, alavancaram o PIB mundial. O governo Lula teve seus méritos nessa fase ao expandir programas sociais e o crédito ao consumidor, algo que a entrada maciça de moeda estrangeira no país facilitou. A demanda agregada foi afetada positivamente pela bonança externa e pelo consumo em alta. Ocorre que no período de prosperidade o PT se omitiu na hora de adotar uma nova rodada de mudanças estruturais e depois que veio a crise mundial em 2008 o partido passou a destruir as bases da política econômica conquistadas a duras penas, como os sistemas de metas de inflação e de superávit primário, ao optar por um governo populista e irresponsável. A título de exemplo há as insanas políticas intervencionistas, as famosas “contabilidades criativas” e as desonerações tributárias que enfraqueceram o orçamento. Os milhões de desempregados não brotaram do nada. Resultaram de medidas demagógicas em prol de interesses políticos do PT. A economia foi destruída e o lado cruel disso é o desemprego. Ao governo atual sobrou a tarefa de colocar a casa em ordem através de ações duras e impopulares, mas necessárias para o país voltar a crescer.

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Olavo - 15-08-2019 13:31:01

Chora não aceita que dói menos... Papagaio da esquerdalha... B17 rumo a 2022....

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3 comentários