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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019

BRASIL Sexta-feira, 14 de Junho de 2019, 08h:54 | - A | + A




Demissão do ministro Santos Cruz do governo era uma queda anunciada

Alvo de ala ideológica do governo, ele dará lugar ao general da ativa Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira

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Foto por: Divulgação

O ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Santos Cruz, não resistiu à fritura interna do governo, rachado entre as alas ideológica e militar, e se tornou, nesta quinta-feira (13/6), o terceiro ministro de Estado demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. Sem dar quaisquer esclarecimentos, por nota ou na tradicional transmissão ao vivo de quinta-feira (13/6), nas redes sociais, o chefe do Executivo federal definiu o general Luiz Eduardo Ramos como o sucessor na pasta, que estará sob o terceiro comando em menos de seis meses de mandato.

A primeira baixa do governo foi Gustavo Bebianno, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral. Ele se tornou o centro de uma das primeiras crises do governo, após denúncias de um esquema de candidaturas laranjas do partido. A segunda mudança foi no Ministério da Educação, com a saída de Ricardo Vélez Rodríguez. Na primeira situação, Bolsonaro justificou a saída à falta de confiança. Na segunda, atribuiu a reclamações feitas ao educador. Em relação a Santos Cruz, não deu explicações.

O general Santos Cruz não caiu por falta de confiança de Bolsonaro ou por acumular reclamações, sobretudo no Congresso. Pelo contrário. O agora ex-titular da pasta era um conselheiro e o ministro palaciano mais respeitado no parlamento. A queda dele é associada, por pessoas do governo e de dentro do próprio Planalto, à disputa entre militares e seguidores do guru Olavo de Carvalho, nos quais se incluem os filhos do presidente, em especial o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), além de, perifericamente, o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.

A saída de Santos Cruz foi discutida, nesta quinta-feira (13/6), pessoalmente com Bolsonaro. O general não pediu para sair. Foi uma decisão do próprio presidente. A partir dali, a informação começou a ser transmitida a assessores mais próximos. Interlocutores admitem que as desavenças com Olavo de Carvalho e com os filhos de Bolsonaro tiveram influência, mas as disputas internas com Wajngarten geraram peso maior.

O motivo da queda está ligado ao maior controle que Santos Cruz vinha exercendo sobre áreas vitais do governo criticadas em outras administrações, como a gestão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de contratos da Secretaria de Comunicação, chefiada por Wajngarten. Pessoas próximas de Santos Cruz dizem que o secretário não quis se subordinar às diretrizes e normas estabelecidas pelo general, de ter maior controle sobre as atividades e ações.

Disputa

A sugestão de patrocinar blogs da direita, ligados aos filhos de Bolsonaro e aliados mais próximos, foi um dos principais motivos do clima de guerra em que viveram no Planalto nos poucos mais de dois meses de convivência direta, uma vez que a Secom está vinculada à Secretaria de Governo. Wajngarten sugeriu que os blogs fizessem a divulgação da reforma da Previdência em contratos estimados em cerca de R$ 80 milhões, disse um interlocutor ao Correio. O agora ex-ministro aceitaria pagar apenas a metade disso. Dali, começou o confronto entre os dois.

Na despedida, Santos Cruz divulgou uma carta agradecendo a todos os servidores da Secretaria de Governo “pela dedicação, capacidade e amizade com que trabalharam”. Sobraram elogios também aos parlamentares, com destaques para os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Também agradeceu aos governadores, prefeitos, à imprensa, às autoridades do Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União (TCU), às diversas instituições e organizações civis, e, por fim, a Bolsonaro e “familiares”, aos quais desejou “saúde, felicidade e sucesso”.

Compromisso de “cumprir missões”

O Comando Militar do Sudeste emitiu uma nota para informar que o comandante do órgão, general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, recebeu a indicação do presidente Jair Bolsonaro para a Secretaria de Governo por meio do comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, e que mantém o compromisso de “cumprir as missões” impostas. “O general Ramos mantém o seu compromisso de soldado em cumprir as missões que lhes são impostas pelo Comandante do Exército”, diz a nota. A manifestação detalha que Bolsonaro propôs a indicação ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que, por sua vez, transmitiu a informação ao comandante do Exército.

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