“Taques não tem credibilidade, o discurso foi um e a gestão outra”, declara candidato | MUVUCA POPULAR

Domingo, 18 de Agosto de 2019

ENTREVISTA Terça-feira, 25 de Setembro de 2018, 12h:50 | - A | + A




Muvuca Entrevista

“Taques não tem credibilidade, o discurso foi um e a gestão outra”, declara candidato

Confira entrevista com Vinícius Brasilino, candidato a deputado federal pelo PCdoB


Redação

Vinícius Brasilino é estudante, tem 26 anos, e concorre para deputado federal pelo PCdoB. Entre suas principais propostas estão garantir políticas para a comunidade LGBT, a ampla discussão sobre a descriminalização das drogas e revogar a Emenda Constitucional nº95, que prevê o congelamento dos gastos nos próximos 20 anos.

Muvuca Popular - Vinícius qual a sua história e por que você decidiu sair para deputado federal por Mato Grosso?

Vinícius – Eu sou Vinícius Brasilino, tenho 26 anos, sou natural Conceição do Almeida, Bahia. Estou aqui em Cuiabá desde janeiro de 2012, quando comecei a estudar na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Eu sou um jovem ator, militando do movimento estudantil, negro, LGBT. E estou na luta pela educação. São trezes anos na militância, metade da minha vida é dedicada à militância social, em especial ao movimento estudantil. Foi no movimento estudantil que eu consegui galgar todos os espaços que eu ocupei até hoje. E o que eu acredito que me dá essa trajetória, esse currículo, para estar hoje representando como candidato a deputado. A defesa do nosso povo, que é independente de território. O Brasil tem uma população que sofre os mesmo problemas em qualquer parte do nosso país. Então, independentemente daqui ou da Bahia, a luta que eu fazia na Bahia eu continuei fazendo em Mato Grosso.

Muvuca Popular – Quais são as suas propostas para os estudantes e a educação de Mato Grosso?

Vinícius – Em Mato Grosso nós temos um grande desafio. O estado está nesse momento sem o plano estadual de educação. O plano é o que garante o planejamento da educação com metas, indicadores e estratégias para que a educação possa avançar nos próximos 10 anos. O plano estadual de educação de Mato Grosso venceu em janeiro deste ano e agora ainda está na casa civil e nós estamos em processo eleitoral, não está tendo sessão na Assembleia Legislativa e eu creio que só ano que vem Mato Grosso vai ter o plano estadual de educação. O principal desafio de Mato Grosso agora é garantir o planejamento da educação para os próximos anos. A questão é que nós estamos falando de um governo que já está comprovado que falta compromisso com a educação. Desde as parcerias público-privada, que foram denunciadas pelos estudantes que ocuparam as escolas. O caso de corrupção que o ex-secretário Ermínio Pinto foi parar na cadeia, e hoje deve está com “relógio do bem 10”, fora lá do CCC, Centro de Custódia da Capital. A falta de planejamento de pensar a educação de Mato Grosso.

Muvuca Popular – Quais são as suas propostas para a segurança pública? O nosso país possui altos índices de policiais que matam civis. Como mudar isso?

Vinícius – A profissão de policial é muito significativa para garantir a segurança. A questão é que a nossa polícia tem a filosofia da militarização. Eu acredito que essa é uma das profissões mais vulneráveis do nosso país. Inclusive, é a profissão que mais tem negros. E nós estamos num país de estrutura racista muito grande. Então, na profissão mais fragilizada estão aqueles que mais matam os fragilizados. Eu estava comentando em uma live que um jovem estava saindo do emprego com guarda-chuva e foi morto, sua carteira de trabalho ficou ensanguentada. Essa é a imagem que nós temos do Brasil hoje, de um jovem negro que foi morto pela polícia por que confundiram um guarda-chuva com um fuzil. Esses dias eu estava panfletando ali na entrada da UFMT, e quando bati no vidro do carro a moça disse que não tinha moedinha, e eu não estava pedindo dinheiro. Nós negros, enquanto nós estivermos sendo vistos como objetos de vulnerabilidade que podem ser alvo de ataque, cada vez mais da sociedade, nós vamos estar nos sujeitando a uma política de segurança que quer nos ver mortos. Então se nós não pensarmos em um país que de conta de responder as desigualdades sociais fruto da escravidão no Brasil, país que foi o primeiro a entrar na escravidão e o último a sair, nós não vamos dar respostas para o desenvolvimento social do nosso país. Não tem desenvolvimento econômico se a gente não combater essa desigualdade que é frequente no nosso país.

Muvuca Popular – Como tem sido sua atuação em prol da comunidade LGBT? E quais são as suas propostas para esse público?

Vinícius – Primeiro eu quero revisar que nós temos sim LGBT nessas eleições a minha candidatura está à disposição para a eleição. Nós precisamos ter acesso e direito a educação. A população LGBT e em especial a população transexuais quanto elas estão na construção da sua identidade elas são expulsas da escola, pela homofobia e pelo machismo. Eu quero garantir acesso a uma educação de qualidade à população LGBT, em especial as travestis e as transexuais. Segundo garantir formação profissional, não só para que elas possam ter acesso a alguma profissão especificamente, por que eu quero ver travesti mestre, doutora, com PHD, em Harvard. Enfim, ocupando os principais espaços de poder da elite econômica do nosso país. Quando você está fora da escola, não te possibilita avançar isso daí. Por isso a prostituição é um caminho, a exploração sexual é um caminho, que não garante dignidade. Nós precisamos respeitar o direito de todas as pessoas, inclusive com um princípio cristão, que é de amar a todos como eu, de respeitar o outro.  Nós precisamos respeitar uns aos outros, pelas suas escolhas, pelos seus direitos.

Muvuca Popular – Qual é a sua principal crítica ao atual governo?

Vinícius – O governador Pedro Taques não tem credibilidade, por que ele faz um discurso na eleição e durante toda a sua gestão foi absolutamente diferente. É o governador que fala que defende a democracia, mas os grampos, que inclusive o Muvuca foi vítima aconteceu antes mesmo dele tomar posse no governo. O Pedro Taques pegou recursos do FUNDEB em 2017 e tinha o período de repasse pela legislação, pela lei do FUNDEB e transferiu esses recursos para as contas dos municípios apenas no final do ano. A maioria dos municípios de Mato Grosso que pela lei do FUNDEB tem prazo para cumprir a execução dos recursos entraram em crime de responsabilidade fiscal. Não entrou justamente por que o Tribunal de Contas garantiu o direito das prefeituras gastar esses recursos por conta do atraso do governo do estado. Nesse governo o servidor público não foi valorizado. E não estou falando de valorização salarial, eu falo do respeito a uma categoria importante para geração do estado. E não houve esse respeito com os servidores públicos. Para alguém que entrou com um discurso da moralidade de querer fazer novo e transformação, nós não estamos vendo transformações nenhuma no estado.

Muvuca Popular – Vocês apoia o Wellington. Por que você considera Fagundes um bom candidato para governar Mato Grosso?

Vinícius – Na política nós precisamos ter a visão de qual momento político nós estamos vivendo. Eu estou falando do estado de Mato Grosso, que tem características absolutamente adversas e precisar combater esse desgoverno, do Pedro Taques.  Primeiro eu acredito que um estado diverso como Mato Grosso tem que ter a capacidade de dialogar, de diversas formas de pensamento. E a composição da chapa do Wellington foi dessa forma. Tem lá do Podemos ao PCdoB. O objetivo é pensar saídas para o desenvolvimento de Mato Grosso.

Muvuca Popular – O que você pensa sobre a descriminalização das drogas e quais são as suas propostas nessa área?

Vinícius – Eu faço parte de um grupo de candidaturas que tem a plataforma Drogas é Questão de Política, para que possamos debater a questão das drogas de maneira muito mais ampla. Eu estou licenciado, mas sou conselheiro do estado de política sobre drogas e eu tenho uma visão muito mais ampla, que a descriminalização da maconha.  Não sou apenas a favor da legalização da maconha. O Brasil é ainda o primeiro consumidor de crack, o segundo em consumidor de cocaína. E a gente sabe que se a maconha for legalizada ela vai servir para quem tem dinheiro. Então, nós temos que debater para quem vai servir a legalização da maconha.

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COMENTÁRIOS

(2) COMENTÁRIOS

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Geane - 28-09-2018 14:28:19

Que doido, gostei dele

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Valdemari - 26-09-2018 17:34:37

Muito boas as ideias do menino, mas ainda um aprendiz. Tem futuro, só isso

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2 comentários