A "bomba do verdão" - Playboys dos anos 80 detonaram bomba em estádio | MUVUCA POPULAR

Sábado, 15 de Junho de 2019

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RESGATE HISTÓRICO

A "bomba do verdão" - Playboys dos anos 80 detonaram bomba em estádio

Josino Guimarães, delinquente desde a juventude - Episódio afastou famílias dos estádios


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A bomba explodiu no Estádio do Verdão no final da tarde de 25 de junho de 1980. Em campo rolava a decisão para a final do campeonato mato-grossense entre Mixto e Operário Várzea-Grandense. A explosão ocorreu no setor inferior à tribuna de honra destruindo 22 cadeiras, que voaram pelos ares, e rachando uma das estruturas de concreto do estádio. A cortina de fumaça se elevou a seis metros e espalhou pelo gramado, interrompendo a partida por alguns minutos.

Os responsáveis pelo atentado contra o povo cuiabano foram identificados ainda dentro do estádio. O que fizeram não passou despercebido por parte do público, e poderiam ter sido presos em flagrante ainda no estacionamento se o desespero em se salvar não fosse muito grande entre as pessoas. Até aquele momento os pais de família levavam seus filhos ao estádio para assistir os jogos. A “Bomba do Verdão” afastou a torcida do estádio.

Até aquele momento os pais de família levavam seus filhos ao estádio para assistir os jogos. A “Bomba do Verdão” afastou a torcida do estádio.

A polícia identificou os responsáveis, e todos foram condenados pela Justiça. O artefato foi preparado e detonado por Josino Pereira Guimarães, na época conhecido como “Josino da Rondomaq”, Pedro Cerqueira Caldas, João Batista Nince, Afrânio Loureiro Borba, Rogério Silveira Silvestrin e Oatamo Germano Canavarros Bernardino, todos condenados a dois anos e oito meses de reclusão.

Os rapazes poderiam ser enquadrados como terroristas, e pegar cana federal, porém confessaram tudo. A bomba foi feita a partir da pólvora de fogos de artifício (o uso de dinamite levaria a uma pena maior) e colocada dentro de uma caixa de isopor, que passou de mão em mão até chegar a João Batista que fumava um cigarro, e com ele acendeu o estopim da bomba. Aceso o estopim, o grupo saiu em desabalada carreira para os portões de saída do estádio.

A denúncia foi oferecida em outubro de 1980 contra os seis rapazes, e todos foram condenados. Mas a pena não seria cumprida até ser julgada pelo Tribunal de Justiça (TJ) em abril de 1986. O TJ acabou derrubando o recurso da apelação e reformando a sentença. Os réus deixariam de cumprir a pena em regime domiciliar e cumpririam o regime semiaberto (albergue), o que significava que seriam levados para o Presídio Agrícola de Palmeiras (Santo Antônio do Leverger).

Os rapazes poderiam ser enquadrados como terroristas, e pegar cana federal, porém confessaram tudo

O TJ tomaria ainda outra decisão contra o réu Josino, elevando a sua pena para três anos porque não era mais primário. Isso porque já havia sido condenado após um flagrante da polícia rodoviária federal em Alto Garças. Os patrulheiros desconfiaram de dois “playboys” vindos de Rondonópolis, e na abordagem sentiram o cheiro característico de ‘baseado’. Apesar do protesto de Josino, de que maconheiro era o seu carona, acabou preso e condenado pela posse de maconha.

O juiz criminal Paulo Lessa não chegou a mandar recolher os réus ao presídio porque eles recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Djaci Falcão acatou os pedidos do advogado Henrique Fonseca de Araújo e concedeu Habeas Corpus contra a decisão do TJ de prender os réus no presídio agrícola. E não apenas não permitiu o recolhimento ao presídio distante 100 km de Cuiabá como cassou a decisão do TJ em maio de 1987.

O STF também reduziria a pena de Josino aos 2 anos e 8 meses, igual aos demais, porque tecnicamente ele também seria réu primário. Isso porque o TJ ignorou que o presidente da República João Batista Figueiredo havia concedido indulto extinguindo a pena pelo uso de maconha, ou seja, a sua “ficha corrida” estava limpa novamente. Além disso, os réus não poderiam cumprir a pena (dormir no presídio) porque seriam pais de família e sustentavam seus filhos trabalhando em Cuiabá. Portanto os réus voltariam a cumprir as penas em casa (regime domiciliar).

O ministro Djaci chamou às falas os desembargadores mato grosssenses que julgaram o caso da “Bomba do Verdão”. O relator Mauro José Pereira não teria sido técnico no caso. “O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime”, ensinou o ministro

O grupo dos seis rapazes responsáveis pela “Bomba do Verdão”, considerados a fina flor da cuiabania, desde aquela época ainda mantém um pacto que nunca se quebrou

Djaci à Mauro, considerado o melhor da sua turma, e que quando juiz tinha a fama das suas sentenças nunca serem reformadas no Tribunal de Justiça.

O pior, segundo o ministro, é que o desembargador Onésimo Nunes Rocha foi ainda mais emotivo na sua decisão porque confessou que estava na tribuna de honra quando ocorreu a explosão. O desembargador ficou desesperado ao ver o seu filho em pânico e não saber o que fazer para protegê-lo de algo que não sabia o que era naquele momento. A regra é clara, o juiz não julga casos em que seja parte (pois se somou à indignação popular). E por fim, a desembargadora que compunha a câmara criminal Shelma Lombardi de Kato poderia chamar a atenção dos seus pares, mas apenas seguiu o relator. O ministro Djaci, na prática, absolveu os réus.

O grupo dos seis rapazes responsáveis pela “Bomba do Verdão”, considerados a fina flor da cuiabania, desde aquela época ainda mantém um pacto que nunca se quebrou. O pacto é o de que não importa o que o outro faça ou em que situação estejam porque todos os outros o apoiarão, e ninguém será deixado para trás, especialmente se falirem. Ou seja, o pacto é que ninguém do grupo jamais ficará pobre porque todos do grupo o ajudarão se erguer novamente.

Em tempo: Josino Pereira Guimarães, o “Josino da Rondomaq” de 1980 seria considerado o “Chiquinho Scarpa cuiabano” em 1985 durante o governo de Júlio Campos, e mais do que uma pessoa querida do staff palaciano, seria ainda mais influente junto ao governador do que o secretário de segurança publica Oscar Travassos.

Em tempo²: Mais tarde, Josino seria apontado como mandante da morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, além de condenado em outras contravenções como fraude processual, formação de quadrilha, denunciação caluniosa, interceptação telefônica clandestina e outros crimes.

P.S. Naquele ano, 1980, o Mixto sagrou-se bicampeão do campeonato estadual. O Operário ficou em terceiro lugar.

 

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COMENTÁRIOS

(13) COMENTÁRIOS

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Sidney Jose - 07-05-2019 08:41:27

Eu estava nesse jogo

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Wagner Malheiros - 07-05-2019 08:39:43

Eu estava lá com meu irmão e o meu pai. Tínhamos acabado de sair das cadeiras e o meu pai comprava uns cachorros-quentes. Foi ensurdecedor e quase caí ao chão. Meu pai como médico correu para socorrer. O povo saía chorando em desespero. Lembro de uma senhora saindo carregada. Meu pai nunca mais voltou ao Estádio.

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THIAGUINHO - 06-05-2019 09:59:31

PLAY BOY DOS ANOS 80 JÁ MAIS SERIAM ENQUADRADOS COMO TERRORISTA E O QUE O PAPAI E A MAMÃE FIZERAM?

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Oziel - 06-05-2019 09:54:19

Eu me lembro desse fato.

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Andreia - 06-05-2019 09:53:42

Isso ninguém conta nobre muvuca, só você mesmo

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Luciane - 06-05-2019 09:52:39

O cara veio meter a real aqui. Não esperava nada diferente desse site, os detalhes estão muitos ricos, parabéns

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Almar - 06-05-2019 09:50:47

se fuderam

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Cassio - 06-05-2019 09:49:29

Só isso? 2 anos e 8 meses? achei pouco a condenação e me parece que esse jesuino virou um bambam em MT

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Tiane - 06-05-2019 09:46:29

Sempre achei o operário melhor que o mixto ele é o maior de mato grosso .

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Mauro - 06-05-2019 09:42:39

Olha a politicagem afetando até os jogadores de futebol

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Luís - 06-05-2019 09:39:32

Isso foi para prejudicar um time e salvar o outro

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Junqueira - 06-05-2019 09:38:47

foi uma destruicao pacifica qual era o objetivo nisso em?

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Vagal - 06-05-2019 00:04:31

Eu cresci ouvindo essa história, mas não sabia os detalhes.. bem sinistro!

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13 comentários