História NÃO contada de Garcia Neto (Parte 2): Como o governador calou a imprensa de MT | MUVUCA POPULAR

Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

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História NÃO contada de Garcia Neto (Parte 2): Como o governador calou a imprensa de MT

Além de trazer jornalistas de outros estados, como Onofre Ribeiro, Garcia chegou a bancar um jornal para acusar o bispo comunista Dom Pedro Casaldáliga de assassinato

O governo era de Garcia Neto  (1975-1978), pai de Robério Garcia e avô do atual suplente de senador, Fábio Garcia. Garcia estava envolto ao “Caso Campanhã”, que colocou Mato Grosso nas páginas policiais brasileiras, onde já vinha freqüentando por denuncias de corrupção e em plena crise da divisão do estado. Abalado, o chefe do executivo estadual resolveu reforçar a imprensa.

O presidente do Jornamat (Associação de jornalistas de MT), Jucá, tentava iniciativas para valorizar a profissão indo do salário até o curso de Comunicação Social na UFMT (o reitor-fundador Gabriel Novis Neves abriria o curso se tivesse orçamento para tal). Porém, Jucá foi acusado de nada fazer pela categoria profissional e se “apegar ao cargo de presidente para interesses escusos”. O que o fez largar o sindicato para então assumir o jornalista Jaques Brunini (O Social Democrata), mas Brunini ficou doente, e a DRT nomeou Ruy Sant´Anna para conduzir o sindicato até a eleição de Elpídio (jornal Equipe).

O jornalista Adelino Praieiro (Diário de Cuiabá) também negou a propina mensal paga pelo governo, e ficou indignado com o valor, considerado ridículo frente aos seus custos

A mídia nacional divulgou um esquema de subvenção ilegal (propina) entre o governo e a mídia local em 1976. O esquema tinha um documento de procedimentos da propina assinado por Ruy Sant´Anna. O jornal Diário de Corumbá não apenas assumiu que recebia R$4 mil/mês em troca de notícias favoráveis, e deixar de publicar notícias ruins, como apontou toda a mídia como participe do mesmo esquema. O detalhe que provocou indignação foi que a conta deveria ser feita em nome do combalido Instituto Previdenciário do Funcionalismo (Ipemat) e paga pelo banco Bemat.

O esquema da propina foi negado pela mídia regional. O jornalista Tales Jordão (O Diário de Mato Grosso) disse que a situação financeira dos jornais não era boa e seria melhor se o governo ajudasse, e quem pagava pela publicidade eram as construtoras, ou seja, as obras do governo seriam noticiadas se o jornal fosse pago.

A mesma negativa veio da TVCA através do diretor José Pedro, que não apenas negou a existência de propina mensal como corrigiu o valor do pronunciamento feito pelo governador em rede (Cuiabá, Corumbá e Campo Grande). A transmissão em rede teria custado apenas R$200 mil, ao invés da denúncia de que custou R$1 milhão. O valor era cobrado conforme a tabela e seus serviços estavam a disposição de qualquer um que não fosse comunista ou subversivo.

O jornalista Adelino Praieiro (Diário de Cuiabá) também negou a propina mensal paga pelo governo, e ficou indignado com o valor, considerado ridículo frente ao seu custo com a folha de pagamento de R$120 mil/mês.

As voltas com mais essa crise, o governador Garcia Neto afastou Ruy Sant´Anna da diretoria da Sermat (Secretaria de comunicação), e o deixou apenas como Sub-Chefe da Casa Civil (ele acumulava as duas funções desde 1975) e trouxe de Campo Grande o advogado Levy Campanhã de Souza. O advogado de 35 anos começou na política como militante do MDB, e não conseguiu indicação para a eleição estadual de 1974. Levy Campanhã acabou nomeado delegado de ensino em Campo Grande.

O novo diretor do Sermat foi avalizado por políticos da região sul, e na capital começou a preparar nova licitação para publicidade do governo. A oposição não se interessou por essa tentativa de moralização porque o governo sempre ignorou os pedidos de explicação de gastos com comunicação. O setor era uma caixa-preta e apenas o governo o entendia.

O governador Garcia Neto nomeou novo secretário da Casa Civil. O novo chefe era Archimedes Pereira Lima, o jornalista mais antigo do estado em atividade e que tinha acabado de inaugurar seu novo jornal, o Diário de Mato Grosso (o quarto de Cuiabá).

O diretor de comunicação social pediu ajuda para o jornalista político de Brasília Onofre Ribeiro da Silva. O novo jornalista acabou sendo nomeado diretor do Sermat um ano depois

O Diário de Mato Grosso circulou com 5 mil exemplares e era o único com telefoto, radiofoto e teletipo, os demais tinham apenas telex e as fotos vinham por malote aéreo. O jornal tinha como superintendente Lenine (Presidente da Fundação Cultural), e o secretário-geral Mauro Cid (Presidente da Metamat).

A mídia nacional estranhou que na sua primeira edição o jornal Diário de Mato Grosso se dedicou a apontar como responsável pela morte do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier o Bispo “comunista” Dom Pedro Maria Casaldáliga. O governo estadual chegou a pedir a sua expulsão do país por atividades subversivas contra o governo. Porém, o Serviço Nacional de Informações (SNI) rechaçou as denúncias. Curioso que as denúncias contra Pedro Pedrossian tenham sido aceitas pelo SNI.

A mídia nacional estranhou que na sua primeira edição o jornal Diário de Mato Grosso se dedicou a apontar como responsável pela morte do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier o Bispo “comunista” Dom Pedro Maria Casaldáliga

O ex-governador Pedrossian rompeu com Garcia Neto ainda em 1976, e Garcia Neto o temia devido a sua influência no sul do estado e isso poderia influenciar as eleições ao Senado em 1979 (Garcia Neto estava tão enfraquecido que se tornou suplente de José Benedito Canelas). O jornal Correio da Imprensa, de Campo Grande, até então aliado de Pedrossian se tornou aliado de primeira hora de Garcia Neto.

A política trançava suas teias pelo estado e Levy Campanhã seguia trabalhando na Sermat. O diretor de comunicação social pediu ajuda para o jornalista político de Brasília Onofre Ribeiro da Silva. O novo jornalista acabou sendo nomeado diretor do Sermat um ano depois, enquanto Levy era nomeado assessor especial da Casa Civil. Onofre Ribeiro depois acabaria indo dirigir o jornal Diário de Mato Grosso.

Segundo as memórias de Onofre Ribeiro, a cada quinzena ele pegava o carro após o expediente de sexta-feira e dirigia por dezoito horas até Brasília para rever a família. Os seus superiores, Levy e Ruy, pegavam o avião e uma hora depois estavam em suas residências. O governo na época dispunha de uma frota de dez aviões, e dois eram reservados para assessores de Campo Grande.

A morte de Levy Campanhã chocou Mato Grosso.

O secretário de Segurança Pública Aloysio Madeira Évora deveria fechar o caso ainda em janeiro de 1978, mas não conseguiu, e em março o governador Garcia Neto procurou o governador paulista Paulo Egydio para ceder a equipe da Divisão de Investigações Criminais (Deic) que tinha solucionado o “Caso Ludinho” em 1976.

A equipe convocada por Mato Grosso era composta pelo delegado Jair Cesário da Silva, o escrivão Gilberto Cesário da Silva e os investigadores Wilson Rodrigues e Kiyobumi Fukushima. A equipe era supervisionada pelo delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, o já famoso delegado Fleury.

(Continua...)

Leia aqui a parte 1

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COMENTÁRIOS

(9) COMENTÁRIOS

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Dornele$ - 04-02-2019 15:39:43

Lula e sua quadrilha desviou 404 bilhões de reais e ainda é pobre? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!

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carlos - 04-02-2019 16:21:57

Dorneles, q q tem a ver com a história contada aqui? Ou vc é pago para distribuir isso em todos os lugares

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mané - 04-02-2019 17:08:41

Ele está com BOLSOPATIA avançada . Em casos graves assim só a TERAPIA DO MACACO !!!

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Carlos Nunes - 04-02-2019 15:10:35

A esquerda brasileira gosta de falar em Elite...que ,mané Elite que nada. Quem é Elite Brasileira? O Sílvio Santos? Que de camelô, vendendo caneta na barca Rio-Niterói, soube trabalhar e ficou muito rico, ou o Ratinho, que de ajudante meia colher do pai, trabalhou como lavador de defuntos e também soube trabalhar e ficou muito rico? Sim, na ditadura militar brasileira éramos felizes e não sabíamos...E olha que naquela época eu era MDB (o velho MandaBrasa) e fã do Ulisses Guimarães. Infelizmente não apoiei os militares, mas reconheço que eles tavam certo...se o cidadão era honesto e trabalhador, era bem tratado...se era uma porcaria, tinha o que merecia. De Tancredo, que mataram, e Sarney pra cá...o Brasil complicou. A violência tomou conta da Nação, muita droga, Armas, e sacanagens diversas. Me aponte um presidente militar que morreu rico...e deixou grande patrimônio? Nenhum. O Brasil avançou nas Agrovilas, cidades surgiram onde não tinha nada, tinha Projeto Rondon, que levava Saúde e Assistência pros mais carentes. Tinha até presídio agrícola pra fazer bandido trabalhar. Hoje a situação nas periferias, por exemplo, tão desse jeito: Exemplo, família foi em determinado bairro de Cuiabá (que não vou citar o nome pra não desmoralizar o bairro), e pretendia comprar uma casa por lá. Como muitos da família dependiam de ônibus, indagaram sobre a Segurança no Bairro, foram informados que determinada Facção mandava e desmandava. E ouviram o seguinte: fica com um dinheiro na mão toda vez que passar por determinada rua, pra fazer o pagamento do pedágio, pois se não tiver pelo menos 10 reais vai ter. Vê se na época dos militares isso acontecia. É um fato pitoresco, que descreve a pontinha do negócio...isso acontece no Brasil inteiro...exatamente onde tem mais pobreza. Experimenta andar depois de 22:00 horas em determinadas ruas da cidade. Há algum tempo um cidadão foi na missa de São Benedito, numa terça feira, ao sair da Igreja foi cercado, roubaram tudo o que tinha, só deixaram a cueca, mesmo assim depois de muita insistência do "a cueca não"...muito envergonhado chegou num ponte de táxi e pediu pro taxista leva-lo pra casa, que lá acertava a corrida. Esses casos são fichinhas perto daquilo que acontece na cidade....todas as noites. Na certa é por isso que muitos pedem a volta dos militares...e eles voltaram com o BOLSONARO e o General MOURÃO. Cabem a eles fazer a limpeza...separando o Trigo do Joio. A turma do mal fez a lavagem cerebral no Adélio e o programou pra matar o BOLSONARO...a ordem foi MATA SENÃO ELE ELEGE. Sérgio MORO tá fazendo um Projeto de Lei Anti-Crime que vai restituir pro cidadão e cidadã de bem a Segurança perdida.

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Rogerio - 04-02-2019 10:15:26

Bispo é comunista que só pensou nele

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Valter - 04-02-2019 10:13:31

Eu acredito do Dom Pedro, eu acho que ele nuca desprezou ninguém não usou a religião em benefício próprio, a história é interessante

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Carlos Nunes - 04-02-2019 09:07:49

Bons tempos aqueles...não tinha 87 Facções Criminosas no país...nem em cada bairro da cidade uma porção de bocas de fumo e um bando de traficantes loucos pra adotar o filho de alguém, só pra encher o bolso com o maldito do dinheiro da droga. Éramos felizes e não sabíamos...Agora o inferno baixou no Brasil faz tempo...do FHC pra cá foram assassinados no país mais de 1 MILHÃO DE PESSOAS, e a esquerda brasileira querendo saber Quem matou HERZOG, ou quem matou Marielle. Gostaria de saber POR QUE FHC, Lula, Dilma e o Temer não impediram que mais de 1 MILHÃO DE PESSOAS fossem assassinadas? Maríelle infelizmente entrou na Estatística dessas 1 MILHÃO DE PESSOAS, deve ser a 1 MILHÃO E UMA. Ano passado os sites da Capital deram uma série de notícias escabrosas: Bandido invade casa e estupra Mulher na frente do marido...Bandido invade casa e estupra Mulher na frente da filha...Bandido invade casa e estupra Mulher na frente da mãe...Na época do Garcia Neto não tinha isso, ou tinha?

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Luciano - 04-02-2019 12:16:33

Quem era feliz na época da ditadura militar? Só se for a elite que está no poder até hoje. Roubos, falcatruas, obras mega faturadas, educação de faz de conta (professores recebiam meio salário mínimo, cerca de 40 dólares), miséria ampla em vários estados, falta de assistência, submissão aos Estados Unidos, empréstimos constantes, inflação galopante... O pior é que a imprensa não podia sequer mostrar alguma coisa. O jornalista era preso, torturado e até morto. Bem ou mal, hoje o brasileiro pobre frequenta universidades, pode ir ao shopping, se sofrer abuso policial tem a quem reclamar. A violência cresceu por ineficiência das polícias, que não fecham as bocas de fumo por que não investigam direito; o crime organizado nasceu com a ditadura militar em que misturou intelectuais com bandidos perigosos; a corrupção não nasceu agora, apenas ficou mais visível com o trabalho da imprensa livre, que agora pode mostrar.

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wagner - 04-02-2019 13:36:37

Se tinha , e como . Só que dependendo do autor ,turo virava pó ,a ser varrido prá debaixo do tapete . Ingenuidade acreditar , que durante a ditadura não existia crimes . São daquela época , o aparecimento da Scuderie Lcócq , esquadrão temido e responsável por milhares de assassinatos . Um de seus assassinos , acaba de ser NOMEADO em alto cargo ,por Bolsonaro .

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