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Consciência Negra

Mulheres negras donas de negócio ganham 49% menos do que as brancas

A proporção de negras que possui CNPJ (21%) é a metade da verificada no grupo das mulheres brancas (42%)


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Helen da Silva / Foto: Reprodução

A proporção de mulheres negras que possuem negócio próprio em Mato Grosso é de 21% , a metade da verificada no grupo das mulheres brancas (42%). As mulheres donas de negócio ganham 17% a menos que os homens e as negras ganham 49% menos do que as brancas.

Mato Grosso tem 91 mil mulheres negras empreendedoras e ocupa o 16° lugar no país, com uma participação relativa de 59%. Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O levantamento foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e referem-se ao primeiro trimestre de 2019.

A pesquisa reflete as desigualdades entre brancas e negras em vários aspectos. As mulheres donas de negócios têm maior escolaridade que os homens (16% maior), no entanto, as negras têm, em média, 1,7 ano a menos de escolaridade que as brancas empresárias e estão há menos tempo no mercado que as brancas: 73% contra 79%.

Helem Sílvia Soares, 30 anos, sócia de um salão que atende exclusivamente clientes com cabelos ondulados, encaracolados, cacheados e crespos, conta que sua maior dificuldade para abrir um negócio foi financeira.

Ela começou em um quartinho em sua casa, que depois se transformou num espaço maior construído pelo pai, até que se mudou para um ponto comercial onde está até hoje.

Isso depois do irmão ter sido demitido e usado o dinheiro da indenização para se tornar sócio dela. Outra barreira foi o preconceito contra a profissão de cabeleireira.

“As pessoas me perguntavam como eu poderia tratar de cabelo se o meu cabelo era ruim. No curso, questionava as professoras sobre cortes que não ‘podiam’ ser feitos em negras”.

Antes de montar o próprio empreendimento, ela trabalhou como auxiliar de cabeleireira num salão tradicional de classe média alta e foi lá que começou a se questionar sobre o trabalho que fazia, limitado a alisar, escovar e fazer permanente afro.

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Helem buscou conhecimento e experiências de salões exclusivos para cabelo crespo e conta que ao visitar um empreendimento em Rondônia, percebeu de cara que era aquilo que queria para sua vida.

Durante a pandemia de covid-19, o salão ficou fechado por dois períodos em mais de 40 dias em cada um deles. No entanto, ela conta que tinham dinheiro guardado e conseguiram se manter.

Ivonete Guarino, de 33 anos, também recorreu a sua experiência pessoal para abrir uma startup que oferece um serviço de transporte de pessoas especializado em idosos.

Depois de viver o drama com doentes na família ela resolveu criar um serviço para aplacar as 'dores' de outras pessoas que vivem esse tipo de situação.

Para testar a viabilidade do projeto, ela mesma atuou como motorista do projeto piloto da empresa e começou a operar em março deste ano. “Veio a pandemia e parou tudo. Em outubro, retomou o projeto com motoristas parceiros, escolhidos a partir de indicação e validados após avaliação psicológica”, conta.

Ela explica que tem cinco motoristas validades e 12 na lista para a seleção.

A empresa disponibiliza três produtos, todos solicitados por WhatsApp: corrida avulsa, pacotes personalizados e serviço de concierge (em que o motorista acompanha o idoso numa consulta médica, por exemplo).

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