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CORRUPÇÃO

Empresas são acusadas de superfaturamento em obras do aeroporto de Rondonópolis

Estado investiga supostas fraudes cometidas em licitações e na execução dos contratos


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Aeroporto de Rondonópolis / Foto: Mayke Toscano

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), juntamente com a Controladora Geral do Estado (CGE-MT), instauraram um processo administrativo para investigar irregularidades na fase licitatória e na execução dos contratos de duas empresas responsáveis por obras no Aeroporto de Rondonópolis.

Segundo informações, o Contrato nº 22/2013 tinha como objetivo a ampliação e pavimentação do Aeroporto, no montante de R$ 20,8 milhões. Já o Contrato 241/2013, tinha como tarefa a supervisão das obras de ampliação da pista de pouso e decolagem, pista de táxi, pátio e estacionamento de aeronaves do Aeroporto, no valor de R$ 1,2 milhão. 

No entanto, no primeiro contrato, a empresa vencedora da licitação teria superfaturado a obra no montante de R$ 7,2 milhões, inclusive por serviços não executados. Outra questão é que o primeiro termo aditivo, no valor de R$ 10,2 milhões, ou seja, 49,26% do montante do contrato original, extrapolou o limite de 25% do valor inicial do contrato estabelecido pela Lei de Licitações (Lei nº 8.666/1993).

Em relação ao Contrato nº 241/2013, o termo de referência do procedimento licitatório foi elaborado com cronograma físico-financeiro divergente do período de execução das obras. Os serviços de supervisão teriam começado 178 dias após o início das obras.

Outra irregularidade é que o Contrato 241/2013 foi aditivado durante o período de suspensão cautelar das obras, decorrente do Julgamento Singular n. 1475/AJ/2014/TCE-MT. O acréscimo, de 60 dias de execução dos serviços e valor de R$ 317,8 mil, teria ocorrido sem que as obras tivessem sido realizadas no período, o que gerou efetivo dano financeiro ao erário.

Além disso, a empresa não teria realizado de forma adequada os serviços de supervisão, o que acabou por colaborar na ocorrência de pagamento por serviços não prestados do Contrato nº  22/2013.

A apuração administrativa de responsabilidade das duas empresas foi motivada pelo processo de representação interna do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (protocolo TCE n. 162876/2014) e pelo Relatório de Auditoria n. 004/2015, da Controladoria Geral do Estado.

Também tem como fundamento o Termo de Declaração nº 11 do acordo de colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa autuado no Supremo Tribunal Federal (STF). No referido Termo de Declaração, o ex-governador afirma que a empresa do Contrato nº 22/2013 teria participado de esquema de pagamento de propina a agentes públicos para obtenção de facilidades na contratação com o Estado.

Penalidades

Ao final do processo de responsabilização, e depois de assegurados a ampla defesa e o contraditório, uma das eventuais penalidades é a aplicação de multa de até 20% do faturamento bruto das empresas no exercício anterior ao da instauração do processo, além de reparação integral dos danos causados à administração pública. Outras sanções administrativas são: proibição de participar de licitações e de celebrar contratos com a administração pública.

Servidores

Em parecer de admissibilidade, a CGE opinou também pela instauração de processo administrativo disciplinar para apurar a conduta funcional de seis servidores estaduais nas irregularidades na ampliação, pavimentação e supervisão das obras do Aeroporto de Rondonópolis. Com isso, o processo deve ser publicado nos próximos dias no Diário Oficial do Estado.

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