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A história de superação de Joice Hasselmann - De Cuiabá para o Brasil

Do bulling na escola a deputada mais bem votada da história

José Marcondes / Muvuca Popular

 

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL/SP) foi homenageada com os títulos de “Cidadã Cuiabana” e “Cidadã Mato-Grossense” na última segunda-feira (01). A homenagem da Câmara de Cuiabá foi iniciativa dos vereadores Diego Guimarães (PP) e Abílio Júnior (PSC). Já a honraria da Assembleia Legislativa foi concedida pelo deputado estadual Faissal Calil (PV). Os parlamentares que representam Cuiabá e Mato Grosso são fãs da representante do Estado de São Paulo Joice Hasselmann.

A traição deixou o pai de Joice “fora da casinha”, ou alterado pelo uso constante de álcool (e outras coisas, que ela não disse o que eram). A pobreza fez com que Clemente, aos 22 anos, e sua mulher Terezinha, 21, saíssem da cidade paranaense de Ponta Grossa para trabalhar no norte do Brasil. Após irem do Acre até Roraima chegaram a Mato Grosso oito anos depois. A menina Joice tinha 8 anos (e a irmã 4 anos, mas Joice não fala nela).

O pai já era caminhoneiro, mas a mãe conseguiu emprego na panificadora do Supermercado Modelo, no final da Rua Ari Paes Barreto, no Cristo Rei. Joice diz que morou em Cuiabá, porém a irmã ficou em creche municipal no Cristo Rei porque os pais trabalhavam no supermercado, e ela foi matriculada na escola estadual José Leite de Morais. A deputada, que recebeu as homenagens dos representantes do povo mato-grossense não guarda boas lembranças da escola. “Estudei nas piores escolas do país... Eu estudava em uma escola chamada “Zé Leite”, pode prestar um negócio desses?”. É o que pergunta a deputada, para logo depois responder: “Não pode prestar um negócio desses.” O sonho da menina Joice era fazer faculdade de medicina e a escola “Zé Leite” não a ajudaria a alcançar esse sonho.

A narrativa de todo bom “bolsonarista” será sempre a mesma coisa: o individualismo triunfa pelo mérito apesar do Estado

Além do péssimo ensino dado na escola também havia o bullyng e a violência física: “Eu era a única branquela da escola, e as meninas queriam me esperar na saída para me bater, porque eu era branquela, então eu também sei o que é o preconceito pela cor”. Relembra Joice. “Minha mãe tinha que me buscar na porta da escola com o que tinha na mão, uma panela... para ninguém me bater”. Mas apesar do racismo das meninas negras da escola José Leite, a sua cor de pele chamou a atenção de um olheiro de uma agência de publicidade. Ela se tornou estrela de um comercial que precisava de uma menina branca e loira para se passar por uma norte-americana. As falas tinham que ser em inglês, e ela as decorou. E foi essa experiência que a levou a tentar a carreira de modelo em Cuiabá.

O trabalho de modelo foi dos 13 aos 17 anos (1991 até 1995). E quem a levava para os testes era o pai, e foi numa dessas, ainda no início, aos 13 anos, que o dono da agência teve que correr do seu Clemente porque a filha contou que tinha sido assediada pelo homem. Segundo Joice, ela só encerrou a carreira de modelo ao ser eleita “Miss Cuiabá” em 1995. Isso porque no ano seguinte ela se dedicaria, e seria aprovada no vestibular de medicina para a Federal (UFMT). O calcinhalhe concede o crédito no que disse em entrevistas e não se deu ao trabalho de checar nenhuma das declarações de Joice Hasselmann: Agencias de modelo e publicidade em Cuiabá dos anos 90; A lista de aprovados em Medicina em 1995; O jornalzinho publicado no Colégio Master em 1994 em que a aprendiz de jornalismo Joice Cristina publicou algo sobre o dono-diretor do colégio que a fez perder a bolsa integral e etc etc.

Ela só encerrou a carreira de modelo ao ser eleita “Miss Cuiabá” em 1995. Isso porque no ano seguinte ela se dedicaria, e seria aprovada no vestibular de medicina para a Federal (UFMT)

O que Joice conta é a reconstrução de uma narrativa particular, ou seja, é apenas a criação de um relato dramático de alguém que tinha tudo contra si e mesmo assim venceu todas as adversidades até ser uma vencedora inquestionável. A narrativa de todos os “bolsonaristas” será sempre a mesma coisa: o individualismo triunfa pelo mérito apesar do Estado. Ou para dizer em inglês: self-made man (ou nesse caso, self-made woman). As lacunas da biografia de Joice na passagem cuiabana (1986 até 1996) vão desde a rua em que morou. Ela disse que foi em alguma rua no bairro Boa Esperança, e que na frente da sua casa havia uma igreja da Assembleia de Deus feita de tábuas, e onde ela freqüentou dos 8 aos 12 anos. Mas pode ter se confundido, e freqüentado a igreja no bairro várzea-grandense do Cristo Rei, e depois mudado para o Boa Esperança (bairro nobre nos anos 80 e 90).

O sobrenome Hasselman, judeu-alemão, ao contrário do que diz, é por empréstimo do primeiro ex-marido com quem tem uma filha de 18 anos. O ex-marido, um dentista de Ponta Grossa, é igualmente “bolsonarista”, e também aprecia posar com armas de fogo nas redes sociais. O segundo ex-marido, com quem tem um menino de 8 anos, é um pouco mais calmo, porém, é igualmente contra os partidos políticos de esquerda, e é “bolsonarista”.

Atualmente Joice está casada com um médico do Piauí, e que é servidor público da pasta da Saúde, e sócio com a ex-mulher em alguns negócios de prestação de serviços médicos. O casamento aconteceu porque ele a procurou pelas redes sociais com muita insistência e se declarou um fã apaixonado por uma mulher tão corajosa quanto Joice. Eles estão casados há dois anos (de papel passado), e moram em casas separadas devido às agendas de trabalho.

A deputada é considerada uma grande influenciadora digital, com presença massiva nas mídias sociais, e com um publico cativo entre o eleitorado conservador brasileiro, e naturalmente navega na “onda bolsonarista”.  Mas os fãs cuiabanos da deputada Joice não conhecem a sua passagem por Cuiabá, entre os anos 80 e 90

Em tempo: A deputada Joice tem uma irmã, de 37 anos, e um irmão de 27 anos (de quem ela também não fala, e que poderia dizer que é cuiabano, e é caminhoneiro igual ao pai). A mãe continua fazendo a mesma coisa desde a época em que era jovem: Pães e doces. Há alguns anos abriu com a filha Joice um pequeno negócio (uma “portinha”) chamado Padaria Donna.

P.S. Neste fim de semana, um jornalista cuiabano contrário às suas ideologias, teve um áudio disseminado, onde diz que a parlamentar foi garota de programa quando morou em Cuiabá. Fontes consultadas pelo calcinha, no entanto, apontam que a afirmação é completamente falsa, Joice - ao que consta pelas pessoas pesquisadas por este site - que a conheceram, sempre foi uma garota exemplar, esforçada e batalhadora.

 


Fonte: MUVUCA POPULAR

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