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Condenado a 104 anos de prisão, Eder busca os holofotes

Gazeta Digital

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Foto: Divulgação

Eder de Moraes Dias sempre foi o homem do dinheiro. Não à toa, as investigações da Operação Ararath, da Polícia Federal, indicaram o ex-secretário de Fazenda dos governadores Silval Barbosa (sem partido) e Blairo Maggi (PP) como principal operador, dentro do Palácio Paiaguás, de um esquema de lavagem de dinheiro, financiamento de campanha via caixa dois e crimes financeiros que movimentaram grandes volumes financeiros na última década em Mato Grosso.

Segundo dados do Ministério Público Estadual (MPE), levantados pela reportagem do jornal A Gazeta em ações civis públicas decorrentes dos processos em que Eder é réu, o ex-secretário participou do desvio de pelo menos R$ 476 milhões. Originário do sistema financeiro, Eder controlava contas milionárias no extinto BicBanco, instituição usada como centro nervoso do esquema de crimes financeiros envolvendo dinheiro dos cofres do Estado.

Sua “experiência” foi recompensada com altos cargos no governo de Mato Grosso. Por conta destes crimes, Moraes acumula condenações na Justiça Estadual e Federal que o sentenciaram a 104 anos de prisão. Mesmo com todas estas decisões, ele continua fora da cadeia e responde em liberdade até ser condenado em segunda instância. Contando todas as vezes em que foi preso preventivamente, o ex-secretário ficou 376 dias detido, o equivalente a pouco mais de um ano. Eder nega todas as acusações, alega perseguição e diz que há uma série de motivações para as denúncias.

Segundo ele, interesses estariam por trás das denúncias, inclusive advindos do ex-governador Pedro Taques (PSDB). Apesar da ficha suja, o político costuma estar sob os holofotes de forma recorrente, sem receio de julgamentos: seja para dar pitacos sobre administração pública ou para ostentar sua profissão de homem midiático, apresentando o programa televisivo “Eder Moraes – Recordações”.

Eder também falou nos microfones no início de janeiro, quando foi convidado a participar de uma audiência pública que discutia a extinção da Desenvolve MT, agência de fomento criada por ele. Ali deu dicas de gestão e elogiou o governo de seu colega, Silval Barbosa, mesmo sob vaias revoltosas dos servidores públicos que assistiam ao evento. Uma das lideranças sindicais ouviu o ex-secretário falar que colocou ‘os salários dos servidores em dia’ quando estava no governo. Apesar de comemorar o equilíbrio financeiro nos tempos em que ajudou a governar Mato Grosso, Eder não pode dizer o mesmo de suas contas.

O ex-secretário deve mais de R$ 800 mil em impostos à União e de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) à Prefeitura de Cuiabá, em um total de R$ 20 mil. As dívidas com a União são referentes à venda de propriedades em que há suspeita de sonegação de impostos. O ex-secretário comprou uma propriedade rural em Nossa Senhora do Livramento por R$ 3 mil em 2010 e vendeu as mesmas terras por R$ 350 mil em 2013. Imóveis, aliás, compõem o principal tipo de bem acumulado por Eder.

Constam no nome dele pelo menos 16 lotes no mesmo município, terrenos que totalizam 35 mil metros quadrados. Os bens foram desbloqueados pela Justiça recentemente porque teriam sido vendidos para a Brasil Central Engenharia Ltda. O nome de Eder aparece mais de mil vezes na busca geral dos cartórios em Mato Grosso, sinal de que o ex-secretário compra e vende imóveis há bastante tempo. A reportagem apurou que ele possui movimentação de propriedades registradas em Várzea Grande, Cuiabá, Chapada dos Guimarães e em Matupá.

Mansão e loteria

Um de seus principais bens, a casa onde mora, também é alvo de questionamentos. O político vive em uma luxuosa mansão no condomínio Florais dos Lagos, avaliada em R$ 1,5 milhão, que teria sido construída sobre um terreno que, segundo o Ministério Público, foi usado para lavagem de dinheiro com 4 vendas simuladas a partir de 2011 e que se seguiram nos quatro anos seguintes.

Entre as justificativas do ex-secretário sobre a compra do imóvel está a de que sua esposa foi sorteada para receber R$ 3 milhões da loteria e o dinheiro foi investido para construir a casa. Mas mesmo com todo o dinheiro envolvido na aquisição do imóvel, Eder já atrasou a conta do condomínio e teve que responder na Justiça por um débito de R$ 26 mil, valor que foi pago depois de um acordo firmado entre as partes.

Gosto pelos holofotes

As inúmeras aparições de Eder dão a entender que, diferente de outros acusados de corrupção que fogem das câmeras, o político não costuma ter vergonha ou timidez. Mesmo submetido a medidas restritivas de liberdade - que juntas com o bloqueio de seus bens compõem o rol de “punições” as quais ainda está submetido - ele apresentava o seu “Recordações”, que teve início em fevereiro deste ano. E é exatamente dentro da mansão do Florais dos Lagos que o show de flashbacks acontecia. Mas a vida como apresentador teve uma pausa, já que o programa durou pouco mais de 4 meses.

Eder alega que a atração não acabou e que a pausa serve para que o show seja reformulado. O ex-deputado Maksuês Leite, dono da TV Cuiabá, contradiz o ex-secretário e afirma que a parceria entre ele e Eder já foi finalizada e que a união era baseada na divisão de 50% dos lucros sobre o programa para cada um. Mas como houve dificuldades de vender publicidade, a produção foi cancelada.

“Nós chegamos a um acordo e concluímos que o programa não tinha viabilidade comercial, sem viabilidade comercial o programa saiu do ar”, afirmou. “Ele não conseguiu vender nenhum anúncio e nem a emissora, a entrada era zero de faturamento comercial, até porque ele tem uma série de restrições para vender, ele não pode sair de casa”, afirmou o ex-parlamentar.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Eder rebateu os números de recursos desviados citados na matéria e disse se tratar de valores “superlativos, extraídos de base absolutamente incoerentes”. O ex-secretário diz que as investigações não demonstraram o destino dos recursos supostamente desviados. “Onde está este dinheiro, vasculharam a minha vida, fizeram todos os tipos de investigações possíveis e imaginárias, e onde que está o dinheiro? Eu não posso concordar com isso, jamais concordaria e no devido processo legal está sendo feita a defesa”, afirmou.

Eder também confirmou as dívidas e disse que elas são contestadas judicialmente. Ele lança luz sobre as denúncias do Ministério Público e alega que há possibilidade destas ações terem sido impetradas para fortalecer o ex-governador Pedro Taques (PSDB), que venceu as eleições após a saída de Silval Barbosa.

“É difícil falar as coisas sem prova, não quero me alongar muito, mas observamos detalhes em que por aí vejo o modus operandi das coisas, queriam eleger um governador que fosse de um perfil que todos conhecem, por conta disso jogaram acusações contra todo mundo para ficarem se coçando aí”, afirmou.

As prisões de Eder

21/05/2014 até 8/08/2014

1/04/2015 até 14/08/2015

4/12/2015 até 10/05/2016

3/06/2016 até 24/06/2016

Total - 376 dias


Fonte: MUVUCA POPULAR

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