Igreja Batista Getsemâni

Greve geral paralisa Plano Piloto de Brasília

Movimento teve a adesão de professores, bancários motoristas, cobradores e parte dos servidores federais, entre outras categorias

João Negrão
Sucursal de Brasília

A greve geral na capital da República provocou um grande vazio em toda a região do Plano Piloto (área central da cidade), sobretudo na parte da manhã desta sexta-feira (14). Mas o movimento teve muito pouca adesão nas regiões administrativas (atual denominação das antigas cidades satélites) do Distrito Federal e quase nenhuma participação nos municípios do Entorno de Brasília.

A paralisação, organizada por todas as centrais sindicais do país, é contra a reforma da Previdência, os cortes na educação pública e o desemprego. Segundo os organizadores, o movimento é considerado um dos maiores nos últimos 30 anos. “Paramos um dia para evitar o retrocesso de uma vida inteira. Paramos a produção para mostrar que quem move o Brasil e a economia brasileira somos nós, trabalhadores”, afirmou o bancário Rodrigo Britto, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Brasília.

“Não vamos aceitar que nenhum fascistinha, capitãozinho ou seja lá quem for retire nossos direitos, e coloque nosso povo de volta na miséria, nos prive de educação, saúde e de segurança. Não permitiremos o fim das aposentadorias, a privatização das estatais, o desemprego, o roubo das terras de trabalhadores rurais, quilombolas e indígenas. Nossa luta é também por um Estado democrático de direito! E é por isso que paramos neste dia 14, na Greve Geral da classe trabalhadora”, acrescentou Britto.

O sucesso da greve em Brasília só foi possível devido à paralisação dos cobradores e motoristas de ônibus, que ainda no início da noite de ontem (quinta, 13) foram impedidos pela Justiça de cruzarem os braços. Mas mesmo com tal pressão, a mobilização da categoria ganhou corpo tanto que mesmos os dirigentes sindicais não conseguiram acatar a ordem judicial de manter o essencial do serviço funcionando.

Os metroviários também jogaram peso no movimento. A categoria já está paralisada há pouco mais de 40 dias, reivindicando reajustes salariais e melhores condições de trabalho. Contudo, por força de um acordo com a justiça vem mantendo o Metrô em funcionamento com 75% da capacidade nos horários de pico (pelo início da manhã e final da tarde/início da noite) e 30% nos demais horários. Com isto, muitos trabalhadores cujas categorias não haviam declarado greve conseguiram seguir para o trabalho.

Sem ônibus funcionando e parte do Metro em atividades, as principais vias do Distrito Federal experimentaram grandes congestionamentos, atrapalhando ainda mais a chegada ao trabalho e contribuindo para que muita gente desistisse de seguir em frente. Por outro lado, foi registrado ainda na noite de ontem e sobretudo na manhã de hoje muita gente deixando o Distrito Federal para aproveitar a paralisação e prolongar o final de semana.

Além dos trabalhadores do transporte coletivo, no Distrito Federal paralisaram suas atividades os professores e servidores da educação pública, professores e servidores de todos os campi da Universidade de Brasília e do Instituto Federal do Distrito Federal, grande parte do serviço público distrital e do funcionalismo federal, autarquias e empresas públicas cruzaram os braços.

Ao contrário de várias capitais, como Cuiabá, em Brasília não foi organizado nenhum ato público. “Não convocamos nenhum ato conjunto porque greve é cruzar os braços”, afirmou Rodrigo Britto. As categorias mobilizadas se limitaram a organizar atividades no âmbito de seus locais de trabalho. Nas garagens de empresas de ônibus, por exemplo, onde aconteceram atos e piquetes. O Sindicato dos Professores (Sinpro) também organizouu atos e aulas públicas, além de palestras e debates nas escolas.

“A Greve Geral desta sexta é mais uma demonstração da insatisfação da classe trabalhadora com as políticas anti-povo do governo do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, que se afunda cada vez mais em um lamaçal de corrupção e outras ações ilegais. O descontentamento, aliás, é amplo e abarca grande parte da sociedade brasileira. Segundo pesquisa do Ibope, o número de pessoas insatisfeitas com o ultraliberal dobrou em pouco mais de três meses”, finalizou o presidente da CUT-DF.


Fonte: MUVUCA POPULAR

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