Igreja Batista Getsemâni

"A hipocrisia, o preconceito e a violência tomaram conta do Brasil", afirma ativista

Girlene Ramos critica o termo "Somos Todos Iguais" em artigo de opinião

Redação
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Foto: Reprodução

A bióloga e ativista negra Girlene Ramos criticou, por meio de artigo de opinião, o termo “Somos Todos Iguais” e destacou que os negros do país continuam sendo injustiçados e inferiorizados. “Os negros e as negras continuam vulneráveis à violência. A maioria dos presos são negros/as. A maioria dos desempregados/as são negros/as. A maioria dos assassinados/as pela polícia são negros/as”, afirmou.

Segundo a bióloga, ainda é “normal” no Brasil vermos brancos que se sentem superiores aos negros e, por isso, acabam agredindo fisicamente e verbalmente negros, muitas vezes por diversão inclusive.

Além disso, Girlene afirma que a hipocrisia, o preconceito e a violência tomaram conta da sociedade brasileira. “O que fazer para enfrentar e superar esse estado de coisas maléficas? Complicado, o que está em jogo é a luta de classes, o poder que dominou e domina o Brasil desde a chegada dos portugueses”, afirmou.

Para a bióloga, não somos todos iguais e devemos, diariamente, lutar por justiça social e por democracia. "im, não somos todos iguais! Mas podemos lutar juntos por justiça social e por democracia! O preconceito existe e devemos todos os dias lutar para sermos justos democráticos e solidários", concluiu. 

Confira o artigo na íntegra:

A luta literalmente continua!

Sei que a maioria se dizem defensores/as da justiça e da igualdade.

Mas, não somos todos iguais.

Não é só o cabelo que é diferente.. rsrs eu gosto mais do meu... a pele, o nariz, a boca. O tronco ainda existe. Os/as brancas/os não titubeiam, usam todas às vezes o tronco pra dizer quem manda.

Os negros e as negras continuam vulneráveis à violência. Lamentável. Mas a maioria dos pobres são negros/as;

A maioria dos presos são negros/as;

A maioria dos desempregados/as são negros/as;

A maioria dos assassinados/as pela polícia são negros/as;

É normal, infelizmente, vermos brancos/as, seja pela posição de superioridade agredirem fisicamente e verbalmente negros/as e o que mais dói é saber que pessoas brancas se divertem e aprovam.

É normal brancos/as se declarem negras/os para usarem os poucos direitos dos negros/as para continuarem a tirar dos negros e negras o que com lutas e centenas de anos foi conquistado.

E assim segue...

A hipocrisia, o preconceito e a violência tomou conta da sociedade brasileira. O que fazer para enfrentar e superar esse estado de coisas maléficas? Complicado, o que está em jogo é a luta de classes, o poder que dominou e domina o Brasil desde a chegada dos portugueses. Escravização de pobres e negros/as continua, aliás, a aprovação da Leia Áurea, saiu sem nenhuma alternativa para os libertos garantirem a sua sobrevivência. Sendo a grande maioria, analfabetos.

Não era apenas a liberdade que estava em jogo, diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, houve debates sobre a repartição das terras nacionais, proposto pelo abolicionista André Rebouças, negro de grande prestígio. A proposta era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para os escravos libertados. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a sugestão de André Rebouças. A elite, obviamente era contrária. A elite, aprovou a Lei Áurea para não fazer reforma agrária. Até hoje o Brasil não implantou a democratização do acesso à terra que continua concentrada nas mãos de poucos. E os/as negros/as foram continuar as suas lutas pela sobrevivência de forma desigual e injusta. A ideia de reforma agrária foi sucumbida na época da Lei Áurea.

Sim, não somos todos iguais! Mas podemos lutar juntos por justiça social e por democracia!

O preconceito existe e devemos todos os dias lutar para sermos justos democráticos e solidários.

Tô cansada deste discurso. SOMOS TODOS IGUAIS.

Girlene Ramos

Bióloga, negra e petista.


Fonte: MUVUCA POPULAR

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