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Preço do etanol dispara novamente em Mato Grosso

Mais um aumento de R$ 0,11, em média, ao consumidor

Beatriz Saturnino
redacaomuvuca@gmail.com

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 Foto: reprodução 

Em menos de 15 dias o preço do litro do etanol registra mais um aumento em Cuiabá, que passa da média de R$ 3,09 para R$ 3,20, desde segunda-feira (20). No último dia 9 o combustível já teria sofrido um reajuste na bomba de combustível de pelo menos R$ 0,20, de R$ 2,89 para R$ 3,09. O aumento se apresenta progressivo desde o mês de julho do ano passado, quando o litro do álcool ainda era R$1,99 em alguns postos da região metropolitana.

Porém, o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool/MT), Jorge Santos, alerta que na usina aumentou apenas R$ 0,1 o litro do etanol, na última semana. E que se houve um aumento, além disso, ao consumidor, nesta semana que passou, não foi recorrente a aumento de preço nas unidades consumidoras, disse ao emanuelzinho.

Isso significa que o valor agregado aos consumidores na bomba dos postos de combustível foi escolha dos próprios empresários, para atingirem margem de lucro.

Apesar de Jorge Santos dizer que não sabe o motivo desta última alta no preço do litro do etanol, verificada ontem nas bombas de combustível, o acompanhamento feito pelo Sindalcool-MT, nos preços das unidades produtoras, é de que houve a ocorrência de dois aumentos que culminou na alta progressiva do etanol, desde dezembro de 2019. 

A primeira ocorrência foi por conta da forte variação do dólar, desde o final de novembro do ano passado, que impactou na elevação do preço dos insumos, como diesel, fertilizante e defensivos. Ambos são cotados em dólar. Isso fez com que aumentasse 10% o custo da produção da soja.

“O diesel em Mato Grosso é o mais caro no Brasil e os produtores utilizam dele para plantar e colher”, frisa o diretor da Sindalcool-MT, que responde pelas empresas produtoras de etanol.

Já o segundo fator, considerado pelo Sindalcool-MT o motivo da progressão do aumento do valor do álcool, está na mudança na forma de tributação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), pelo Governo do Estado de Mato Grosso, de 10,5% para 12,5%.

Segundo Jorge Santos, com a redução deste benefício fiscal para vários setores, desde o dia 1 de janeiro, o preço de pauta (preço pelo qual é obrigado a tributar o produto) que era de R$ 2,65 o litro (conforme determinação da Sefaz-MT – Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso) passou para R$ 2,86 por litro de etanol ao consumidor, conforme a carga tributária estar 2% maior.

“Então, basicamente este foi o grande impacto. Uma sucessão de fatos que atropelou todo o processo. O etanol é uma commodities (produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade). E commodities não tem preço, tem volume. Quanto maior o volume que eu venda melhor. Então eu não tenho o menor interesse em aumentar preço e reduzir o volume de vendas. Eu só faço pressionado pelos custos ou pela carga tributária”, explica.

Com este impacto no setor agrícola o valor final ao consumidor acaba sendo refletido, porém o valor atualizado nesta segunda-feira ainda não foi justificado.

Entenda

No dia 31 de dezembro o preço de venda na usina estava a R$ 2,32 o litro, já com o ICMS de 10,5%, o PIS - Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e o Cofins - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social. Enquanto, em pauta, o valor médio vendido nos postos em Mato Grosso estava em R$ 2,65.

Em 3 de janeiro passou para R$ 2,48, o valor vendido pelos produtores, por conta desses aumentos apontados pelo diretor executivo do Sindalcool-MT, o que representou 5,97% de aumento. Já nos postos estava em média de R$ 2,86. E de lá para cá o preço praticado pelas usinas foi para R$ 2,51,  com os impostos embutidos, e para o consumidor em média até R$ 3,17. Ou seja, resultou em um aumento de R$ 0,19 no litro do etanol às distribuidoras e ao consumidor pelo menos R$ 0,31, de janeiro até esta terça-feira (21).

Jorge Santos explica que o consumidor acaba pagando bem mais, pois leva-se em consideração o custo do transporte ou mão-de-obra para a distribuidora levar até os postos, além de parte do PIS e Cofins que se paga, que, por sua vez, os empresários de postos ainda colocam outro valor que atinja a margem de lucro, com o valor já totalmente tributado. Ou seja, o empresário não paga mais impostos.

Contudo, o diretor executivo do Sindalcool-MT ressalta que o valor do litro do etanol vendido em Mato Grosso é o menor em todo o país, onde destaca que o maior valor final, de R$ 4,01 ao consumidor, é vendido no Acre, Estado vizinho que compra de Mato Grosso.

Também que Mato Grosso está vivendo uma boa safra este ano, com a produção de 2,5 bilhões de litros de etanol para um consumo estimado de 1,2 bilhões.


Fonte: MUVUCA POPULAR

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