Pesquisa da UFMT mapeia jornalismo independente em Mato Grosso | MUVUCA POPULAR

Segunda-feira, 30 de Março de 2020

MATO GROSSO Quinta-feira, 26 de Março de 2020, 17h:41 | - A | + A




Ciência

Pesquisa da UFMT mapeia jornalismo independente em Mato Grosso

Foto: Reprodução.

Um projeto de pesquisa desenvolvido no Departamento de Comunicação Social, ligado à Faculdade de Comunicação e Artes (FCA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), está realizando um mapeamento de iniciativas de jornalismo independente no estado. Embora outros mapeamentos do tipo tenham sido realizados em âmbito nacional, como o “Mapa do Jornalismo Independente” feito pela Agência Pública, os veículos presentes nesses mapeamentos estão concentrados no eixo Sul-Sudeste do Brasil, e apenas um dos projetos mapeados até agora tem atuação em Mato Grosso.

Segundo a coordenadora do projeto da UFMT, professora Tamires Coêlho, um dos grandes desafios de realizar esse levantamento no estado é justamente uma definição “fechada” do que seria um jornalismo independente. Um dos principais critérios está relacionado à forma de financiamento do projeto, estabelecendo que uma inciativa de jornalismo independente não poderia, por exemplo, receber dinheiro de poderes públicos.

No entanto, conforme observa a pesquisa, em muitas regiões do estado de Mato Grosso, especialmente as mais distantes da capital e de outras cidades maiores, não há qualquer outra forma de financiamento para veículos jornalísticos além de verbas de prefeituras, por exemplo. Por isso, o projeto de pesquisa trabalha com o que estabelecem como “indícios de independência”.

“Esse conceito de jornalismo independente é formulado por pesquisadores de grandes centros. O critério para avaliar se uma iniciativa jornalística é independente ou não vai variar de acordo do contexto sobre o qual estamos falando. Não se pode usar exatamente os mesmos critérios no Rio de Janeiro e no interior de Mato Grosso. Em nosso estado, muitas vezes não vai ser possível ter uma iniciativa que seja economicamente sustentável sem nenhum apoio do poder público”, esclarece a coordenadora do projeto.

Ainda segundo a pesquisadora, embora existam iniciativas interessantes no estado, torna-se difícil identificar boas práticas de jornalismo, pois há muitas evidências de condições de trabalho precárias para os profissionais, situação agravada em regiões mais distantes das grandes cidades. Além disso, a demanda por informação em um estado do tamanho de Mato Grosso também é muito grande, o que dificulta a investigação jornalística.

“Temos um estado enorme, com muitos desertos de informação ou quase desertos. Percebemos que a demanda é muito grande para poucos profissionais, então há, em geral, no jornalismo mato-grossense, uma dificuldade de produção mais investigativa. Há também um pensamento de que o jornalista que trabalha para algumas iniciativas independentes deve ser voluntário, trabalhar em prol do ativismo, o que é também problemático, porque é a força de trabalho desse profissional e ele também tem compromissos a honrar”, afirma Tamires Coêlho.

De acordo com a pesquisador, ao contrário da definição de “independente” o conceito do que é jornalismo de fato não pode ser relativizado. Ela esclarece que o trabalho jornalístico deve sempre prezar pelo interesse público e pela apuração precisa dos fatos, além de ser acessível à população. Segundo ela, o papel do jornalismo independente é justamente oferecer informação de qualidade sobre temas que não teriam espaço em grandes veículos de comunicação nacionais ou mesmo em veículos regionais e locais que sejam controlados por elites econômicas.

“O papel do jornalismo independente é justamente fazer jornalismo sem essas amarras, denunciar o que precisa ser denunciado, contar histórias que outros meios não contarão. Temos muitas histórias para contar, problemas para relatar. Mais do que nunca o trabalho do jornalista precisa ser visto com cuidado e reconhecimento. Mais do que nunca precisamos valorizar boas fontes de informação jornalística. Não podemos nos esquecer de que o direito à comunicação e a acessar informações com qualidade são direitos humanos”, defende a pesquisadora.

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