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POLÍTICA Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2019, 10h:44 | - A | + A




Decisão dos parlamentares

Bolsonaro diz que extinção de municípios caberá ao Congresso Nacional

Presidente afirmou que projeto não é "ponto de honra"


redacaomuvuca@gmail.com

 Foto: reprodução 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (4) que caberá ao Congresso Nacional decidir se mantém ou não o dispositivo que prevê a extinção de municípios na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 188, em tramitação no Legislativo. Segundo o presidente, esse não é um "ponto de honra" da proposta que vem sendo chamada de PEC do pacto federativo.

"Um município que arrecada R$ 1 mil por mês, [mas] tem uma despesa de R$ 10 mil, é um município deficitário. Agora, não é ponto de honra, não. O Congresso tem liberdade", afirmou a jornalistas, pela manhã, em frente ao Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente.

A PEC do pacto federativo foi enviada pelo governo ao Congresso no mês passado. Entre as mudanças, a medida propõe a extinção de municípios que não atingirem, em 2023, o limite de 10% dos impostos sobre as receitas totais e que tenham população de até cinco mil habitantes. Porém, desde que chegou ao Senado, onde começou a tramitação, o texto e os critérios propostos recebeu críticas de organizações como a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) que realizou um estudo sobre a proposta.

De acordo com o levantamento, os municípios com até 50 mil habitantes correspondem a 87,9% do território e respondem por parte da produção brasileira. Os que têm população de até cinco mil habitantes totalizam 1.252, o equivalente a 22,5% das cidades. Desses, 1.217 (97%) não atingiriam o limite de 10% dos impostos sobre suas receitas totais. Desde ontem (3), cerca de mil prefeitos estão em Brasília para tratar de demandas das cidades. Eles pressionam o Congresso para não aprovar a extinção de municípios.

Para Bolsonaro, a fusão de municípios poderá ajudar na melhor aplicação de recursos públicos. "Se o município tem renda própria vai continuar sem problema nenhum. Mas tem município que [a renda] não dá pra pagar a folha de vereadores. Eu não quero tirar emprego de vereador, mas não dá. Complicou a situação, vamos facilitar. Dá para, ao fundir, ter um pouco mais de recurso e aplicar no que interessa no município. Não é perseguir vereador nem prefeito. E não vai ser extinto o município, ele vai ser incorporado por outro. Alguns acham que vai ser feita ali uma derrubada. Não, vai ser um distrito de um [outro] município ali”.

Em Mato Grosso

Proposta do presidente pode acabar com 28 municípios mato-grossenses. Segundo o IBGE, 34 cidades do Estado possuem menos do que o número mínimo de habitantes exigidos na proposta. Os dados levam em consideração a estimativa da população para 2019.

Contudo, levantamento apontou que, desses municípios, seis apresentaram boa autonomia financeira em 2018 e foram considerados autossustentáveis. A informação consta no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) 2019, divulgado no final de outubro. Isso significa que, apenas com os impostos básicos (como IPTU e ISS), a cidade consegue dinheiro suficiente para manter a estrutura básica da prefeitura e da Câmara dos Vereadores.

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