“Crônicas de Brasília”: Bolsonaro e seu "esporte" favorito, brigar com as instituições | MUVUCA POPULAR

Domingo, 15 de Setembro de 2019

POLÍTICA Domingo, 18 de Agosto de 2019, 17h:01 | - A | + A




Resumo Semanal

“Crônicas de Brasília”: Bolsonaro e seu "esporte" favorito, brigar com as instituições

Veja o resumo da semana que passou na capital federal

 

O Brasil vive uma crise política, econômica e institucional desde a derrubada da presidenta Dilma Rousseff (PT) por um golpe parlamentar, na esteira de um impeachment sem crime de responsabilidade. Naquele período, entre 2 de dezembro de 2015, quando se inicia o processo de impedimento, até 31 de agosto de 2016, quando se consuma o golpe, o país praticamente paralisou devido à tripla crise. Lá, e mesmo antes, tão logo termina a eleição de 2014, com o inconformismo da derrota de Aécio Neves, as três crises possuíam personagens diversos. Mas agora, não. Nos dias atuais, as crises possuem um único nome: Jair Messias Bolsonaro (PSL). O presidente vem personificando todos os desastres.

Ainda no final de 2014 quando Aécio, seu PSDB e demais aliados começaram a fustigar Dilma, não permitindo a presidenta governar, mobilizando tudo: de TCU a TSE e turbinando as pautas bombas com, logo que entra o ano seguinte, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB). Aí já estavam identificado dois atores da crise política. Junte-se a própria Dilma com sua quase total incapacidade de fazer política, de se conduzir no pantanal cheio de cobras, onças e jacarés que atende pelo nome de Congresso Nacional. Além das pautas bombas, a crise econômica começa a se agravar pelas escolhas erradas que a petista fez a partir do segundo mandato, dando um cavalo de pau na economia e promovendo um estelionato eleitoral.

A crise econômica agrava a crise política e Dilma perde aceleradamente credibilidade, dando margem para que seu vice, Michel Temer proponha a “Ponte para o futuro”, um conjunto de propostas nas áreas econômica e sociais que atraem os grandes capitalistas e grandes financistas, patrocinadores do golpe. Enquanto isto, a Operação Lava Jato trata de encurralar a presidenta e a peitar o Supremo Tribunal Federal, trazendo os ministros da corte para o centro da crise política e dando assim seu viés de confronto institucional. Aqui tem seu ápice na divulgação ilegal, pelo então juiz Sérgio Moro, de conversas entre Dilma e o ex-presidente Lula, o que veio impedir pelo Supremo, via ministro Gilmar Mendes, que o petista se torna-se ministro-chefe da Casa Civil e tentasse evitar a iminente queda da presidenta cuidando da articulação com o Congresso Nacional.  

Como se vê no resumo acima, as três crises tinham atores e autores com nomes e sobrenomes distintos. Agora, devido aos festivais de besteiras que vocifera diariamente, atacando a tudo e a todos, à sua incapacidade de dialogar e sua truculenta forma de administrar, Bolsonaro é ele próprio a crise. Ou melhor, as três crises juntas, potencializadas e com poder de destruição do Brasil e suas instituições quase a curto prazo. Ou seja, se esse sujeito não for contido, não demora a destruição política, econômica e institucional do Brasil. Sem falar na nossa desmoralização internacional e, por tabela, perdas econômicas graves, por conta de seu desprezo pela questão ambiental e confrontos desnecessários com aliados diplomáticos e parceiros comerciais.

O episódio mais emblemático da prática de seu “esporte” preferido veio no confronto com a Polícia Federal na semana que acabou de passar. Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas especialmente nos governos petistas, que promoveram investimentos em recursos materiais e humanos, a PF tem atuação de estado e não de governo. O que significa sua autonomia administrativa, financeira e política, neste último caso para ter voz na escolha de seus dirigentes. O caso da mudança na superintendência da corporação no Rio de Janeiro passa a ser emblemático (com o perdão do clichê). Bolsonaro determinou que assumisse um aliado seu e de seus filhos, contra o nome que estava na mesa da diretoria geral do departamento.

De uma tacada só, o presidente estabeleceu um confronto com a corporação - com superintendentes e delegados de todo o país ameaçando demissão em massa de suas funções - ; colocou mais uma pedra no edifício que ele constrói de desmoralização do seu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro; e, por fim, lançando suspeitas sobre seus reais intentos ao aparelhar a corporação. Estaria querendo Bolsonaro um aliado na superintendência do Rio para frear ou estancar as investigações de casos nebulosos com suspeitas de participação de aliados e familiares? Mandantes do assassinato de Marielle Franco, atuação de milícias, matadores vizinhos com 117 fuzis, esquemas de propinas, arrecadações irregulares, Fabrício Queiroz, compra e venda de imóveis suspeitos, enriquecimento vertiginoso, 39 quilos de cocaína em avião presidencial… Ufa, alista grande.

A briga com a Polícia Federal é só o caso mais recente. Bolsonaro vem empreendendo queda de braço com outras instituições desde o início de seu governo. O Congresso Nacional é um exemplo. Depois da posse o presidente não quis muita conversa com parlamentares, inclusive de seu partido, o PSL, e outros da base aliada. A alegação era de que não iria fazer a velha política. Mas depois teve que recuar e distribuiu fartamente emendas orçamentárias para que deputados e senadores votassem na reforma da Previdência. O Supremo é outro alvo, no qual já anunciou que enfiará goela abaixo um futuro ministro de sua estrita confiança e “evangélico”. Não são raras as ameaças, inclusive de prisão de ministros e fechamento da Corte por parte de seus seguidores, estimulados por sua postura desprezadora e apoiadora de passeatas convocadas para os devidos fins.

A lista de confronto prossegue. Um resumo de outros alvos de Bolsonaro: a Procuradoria-Geral da República, com a desconsideração da lista tríplice votada pelos procuradores em eleição direta em todo o país; a Receita Federal, que, igualmente à Polícia Federal, ele tenta intervir; as universidades públicas, onde desrespeita a autonomia e a gestão democrática; o Ibama, atrapalhando sobretudo o trabalho de fiscaliza; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que o contrariou em relação à verificação do desmatamento batendo recordes atrás de recordes.

Agronegócio está ameaçado

O alerta mais contundente veio do ex-senador mato-grossense e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “A retórica de Bolsonaro e seu estafe vai levar o agronegócio à estaca zero”, afirmou ele em entrevista ao jornal Valor, na quinta passada. “Estamos pagando um preço muito alto e acho que teremos problemas sérios. E como exportador te digo: as coisas estão apertando cada vez mais. Após anos de esforço para imprimir o ambiente como marca dos alimentos vendidos no mercado externo, o Brasil vai ser prejudicado com esse discurso”, acrescentou.

Depois veio o jornal O Globo, em editorial neste domingo: "Sem projeto alternativo, consistente, o governo se limita a renegar a Ciência, a desdenhar de debates e a estimular o desinvestimento externo. É política pouco inteligente. A incontinência retórica de Bolsonaro está criando um risco amazônico para o agronegócio, hoje responsável por 26% do Produto Interno Bruto”.

Impeachment já transita pelo Congresso

A palavra “impeachment” já transita pelos corredores, salões, cafezinhos e gabinetes do Congresso Nacional. Antes era um desejo de poucos, já que a maioria considera muito difícil a possibilidade da instalação de um processo de impedimento de Bolsonaro na atual conjuntura e com a composição da Câmara dos Deputados e do Senado. Agora, até aliados acalentam tal possibilidade, ao meu ver, muito remota. Ainda.

Eduardo embaixador é nepotismo

Se depender de parecer emitido pela Consultoria Legislativa do Senado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro não poderá ser indicado para o cargo de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, conforme quer seu pai. A CL considerou um caso de nepotismo, vez que o cargo de chefe de missão diplomática é um cargo comissionado comum, situação em que é vedada a ocupação por parentes do mandatário. A Consultoria se baseou em decisão do Supremo de 2008. Se Bolsonaro insistir na indicação, há risco de que o Senado vete, já que são os senadores que aprovam ou não os nomes apresentados para o cargo de embaixador.

Exército volta ao passado

O Exército brasileiro, assim como a Marinha e a Aeronáutica, está voltando a um passado recente, mais precisamente em 2002. Naquele ano, o último do governo de FHC, os recrutas eram dispensados antes do almoço por falta de, entre outras coisas, comida para alimentá-los. Quando assumi, o ex-presidente Lula imediatamente corrigiu esta situação e passou a investir pesado nas Forças Armadas. Agora, com cortes e mais cortes em investimentos públicos, o Ministério da Defesa também é afetado e as forças serão obrigadas a cortar quase um terço de seu contingente. Serão nada menos que 25 mil dos 80 mil jovens que integram as tropas.

CNMP se desmoraliza sozinho

Nem precisa de um Bolsonaro para desmoralizar o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O órgão trata de promover a sua própria desmoralização. Enquanto arquiva as diversas denúncias contra o procurador-chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallgnol, flagrado no cometimento de vários crimes, o conselho puniu o procurador de Justiça da Bahia, Rômulo Moreira, com 30 dias de suspensão, sem salário. Seu crime: chamou o presidente da República de “bunda-suja”. Sim, um presidente que vive a falar de “cocô” e outras bobagens. Talvez Moreira tivesse que tê-lo chamado de “boca-suja”.

Raquel Dodge acorda

Depois de sua conduta refratária em relação a uma série de obrigações suas, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, resolve se mover. Pelo menos no caso dos assassinatos de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, mesmo assim às vésperas de deixar o cargo. Esta semana que passou Dodge pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a íntegra do inquérito policial instaurado para apurar possíveis irregularidades na investigação dos covardes assassinatos da parlamentar e de seu assessor. Vamos ver no que vai dar.

Engavetador bolsonarista

Lembrando que Raquel Dodge estava em compasso de espera para ser reconduzida ao cargo por Bolsonaro. Ocorre que ele já avisou que escolherá um nome que seja totalmente afinado com suas posições. Ou seja, vem por aí um “engavetador bolsonarista”, a exemplo de Geraldo Brindeiro, o engavetador-geral da República de Fernando Henrique Cardoso.

Abuso de autoridade

Podem notar: só é contra a Lei de Abuso de Autoridades quem é afeito a cometer abusos contra os direitos dos cidadãos.

FRASE DA SEMANA

"Onde estão os militares nacionalistas?"

Ex-presidente Lula em entrevista à TVE Bahia

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COMENTÁRIOS

(3) COMENTÁRIOS

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Grillo Falante - 19-08-2019 06:48:11

Cri...cri...cri...Produtores rurais ,carne ,soja ,algodão .milho atenção ; o Der Spiegel e o Der Zeit , principais Jornais alemães ,lançaram Editoriais , dizendo e conclamando a Europa a reagir diante do desmatamento da Amazônia . Antes um bilionário sueco ,lançou uma plataforma ,colhendo assinaturas para BOICOTAR produtos do Brasil !!! Ei Maggi ,você tem razão ,a SOJA vai encalhar . PÔ !!!

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Olavo - 19-08-2019 22:22:20

A soja vai encalhar? Não sei se blairo é muito esperto ou você é tonto! A guerra entre China e EUA beneficia diretamente o Brasil e principalmente a soja, são milhões e milhões de toneladas que o Brasil mesmo vendendo tudo pra China não chega nem perto de zerar o déficit de soja e milho que a China precisa, se os europeus não ficarem espertos vão é passar fome.. Isso sim... Larga de ser papagaio esquerdista trouxa...

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Bolão - 18-08-2019 18:05:17

BOLSOZILLA o maior brucutu do Brasil!

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