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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

POLÍTICA Terça-feira, 23 de Abril de 2019, 17h:31 | - A | + A




Crise na Mídia

IstoÉ fecha sua sucursal em Brasília

Após 40 anos de história, revista fecha as portas


De Brasília - (Agência RBC News)

A revista IstoÉ, mantida pela Editora Três, acabou de fechar sua sucursal em Brasília. Foi a última das mais importantes praças nacionais a ter suas portas lacradas. Antes a revista já havia desistido do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. No rastro da crise que abate a mídia impressa, a publicação já havia, menos de um ano atrás, reduzido de 20 para cinco o número de jornalistas na capital federal. Agora, sem escritório, terá apenas um repórter que despachará de casa.

A crise da IstoÉ atravessa anos. E não apenas ela. A Veja também agoniza. E assim como o Grupo Abril, a Editora Três também luta contra seus estertores. Durante mais de 40 anos a sucursal de Brasília chegou a fazer história, com seus profissionais ganhando importantes prêmios do jornalismo brasileiro.

A sucursal era comandada pelo jornalista Rudolfo Lago, conhecido e respeitado profissional aqui em Brasília. Ao se despedir, Lago publicou ontem (22) em sua página Facebook um texto-desabafo.

Confira abaixo:

“A partir da manhã de hoje, cumpro a dolorosa tarefa de fechar as portas da sucursal de Brasília da revista IstoÉ.

Eu não tenho a menor dúvida de que é um passo célere para o fim da revista e da Editora Três. Tomou-se também a decisão de acabar com a revista Planeta, a primeira revista da editora fundada por Domingo Azulgaray. A decisão tomada hoje é meio como extirpar metade das funções vitais de um corpo para evitar a evolução de um câncer. Até pode diminuir a evolução do câncer. Mas o corpo pela metade não vai sobreviver por muito tempo.

Antes da decisão de por fim à sucursal de Brasília, a IstoÉ, carro-chefe da editora, já vinha funcionando com uma equipe de somente 13 pessoas. Esta sucursal, há alguns anos, tinha só ela mais de vinte jornalistas. Nestes últimos tempos, éramos três. Mas a leitura de qualquer edição da revista demonstrava o volume de produção que tinha Brasília como origem. Das cerca de 70 páginas editoriais da revista, vinte pelo menos eram produzidas todas as semanas pela sucursal de Brasília.

Com relação ao nosso trabalho na sucursal, o que posso apresentar são números e dados. Na medição de audiência da semana passada, as duas matérias mais lidas e de maior alcance nas redes sociais foram produzidas pela Sucursal de Brasília: a entrevista com Dom Falcão, o bispo que se envolveu numa polêmica com Caetano Veloso, e a boa apuração de Wilson Lima sobre a atuação de Flávio Bolsonaro nos bastidores para barrar a CPI Lava Toga.

Ao longo do tempo em que estive à frente da Sucursal, a quase totalidade das matérias que tiveram repercussão foram por nós produzidas. A última vez que IstoÉ foi mencionada no Jornal Nacional foi quando publicamos os áudios das conversas comprometedoras de um secretário do governo do Paraná que mais tarde acabaram levando à prisão do ex-governador Beto Richa. Fizemos ainda uma trabalhosa apuração junto a amigos da ministra Cármen Lúcia, conseguindo extrair diversas declarações ditas por ela a esses amigos sobre a situação do Supremo Tribunal Federal em um de seus momentos mais tensos. Fomos os primeiros a contar sobre a vida humilde na Ceilândia dos parentes de Michelle Bolsonaro. Mostramos as indenizações milionárias e mal explicadas da Comissão da Anistia, publicando pela primeira vez a lista com os nomes e os valores de cada indenização. Publicamos os cheques assinados pela irmã de dois milicianos em nome da campanha de Flávio Bolsonaro no Rio, na última reportagem de grande repercussão de IstoÉ – que, talvez, venha mesmo a ser a última reportagem de grande repercussão de IstoÉ.

Enquanto vamos aqui recolhendo nossas coisas pessoais e nossos papeis, vamos assistindo melancólicos a mais um capítulo dessa triste crise do jornalismo brasileiro. No Brasil, essa crise que é do modelo agravou-se muito pelos equívocos cometidos pelos responsáveis por cada publicação, que não perceberam – e ainda não percebem – as mudanças. Aqui, toma-se a decisão de eliminar o principal foco de produção. Sei lá: vão-se os dedos para não se perder os anéis…”

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COMENTÁRIOS

(6) COMENTÁRIOS

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Olavo - 24-04-2019 23:25:17

A teta secou pilantras

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Vilmara - 24-04-2019 10:06:19

Acho é pouco!

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Pamela - 24-04-2019 10:05:43

Normal

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Leandro - 24-04-2019 10:05:07

Estão pagando o preço justo pelo desserviço que prestaram agora já era

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Beth - 24-04-2019 10:04:23

É a crise no Brasil

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André - 24-04-2019 10:03:40

Vão fechar uma a uma. Essa imprensa golpista vai pagar

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6 comentários