Jornalista relata suas experiências como bipolar e diz que doença não é o fim da linha  | MUVUCA POPULAR

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020

POLÍTICA Sábado, 18 de Janeiro de 2020, 12h:00 | - A | + A




Janeiro Branco

Jornalista relata suas experiências como bipolar e diz que doença não é o fim da linha

Em mês de defesa à saúde mental, Luiz Fernando Fernandes conta sua história de superação com a bipolaridade


redacaomuvuca@gmail.com

Foto: Reprodução

No mês da defesa à saúde mental e ao bem estar, o jornalista Luiz Fernando Fernandes publicou um artigo onde relata suas vivências com a bipolaridade, um transtorno mental que causa alterações de humor com fases de mania e depressão, uma doença que não tem cura e pode durar a vida inteira. “Um dia você acorda e descobre que precisa fazer algo. Chegam as terapias e eis que no fim do túnel você começa a enxergar uma luz, finalmente”, conta Luiz.

De acordo com o jornalista, o início da jornada é sempre difícil para um bipolar e descobrir que possui o transtorno é um baque, no entanto, ter uma explicação para as crises repentinas e os momentos dolorosos recorrentes é um alívio.

“Bipolaridade, quando ouvi essa palavra pela primeira vez, chorei dois dias seguidos, não foi de tristeza, foi de alívio. Mas o tempo passa e você cai na real, a vida nunca será aquele mar de rosas e você precisa vigiar constantemente. É uma situação complicada, por que as vezes mesmo com o tratamento você acaba tendo uma crise”, afirma.

Além de todas as crises e processos de dor, Luiz destaca que todo bipolar ainda tem que lidar com o arrependimento, pois durante os momentos de desequilíbrio, alguém muito próximo ou mesmo distante pode ser afetado e, para o bipolar, resta apenas a lamentação de não ter sido capaz de se segurar.

No entanto, mesmo parecendo uma vida miserável, há uma luz no fim do túnel, que é o tratamento. A união de terapia e remédios pode trazer qualidade de vida a um bipolar e o jornalista ressalta que é possível alcançar a paz, basta persistir e acreditar em dias melhores, sem crises e sem desgostos.

“Entenda de uma vez por todas que descobrir ser bipolar não é o fim da linha, mas o começo dela. Muitas pessoas estão sofrendo sozinhas neste exato momento, pela cabeça pensamentos mil. Talvez você até esteja pensando em desistir, em fugir para uma caverna, mas entenda, existe sim uma saída e ela é mais simples do que você imagina”, pontua.

Confira a nota na íntegra:

Nós os bipolares.
Duas pessoas vivendo sob o mesmo teto, neste caso o mesmo corpo. Até o diagnóstico a caminhada não é fácil, conflitos, muitos conflitos. Um dia você acorda e descobre que precisa fazer algo. Chegam as terapias e eis que no fim do túnel você começa a enxergar uma luz, finalmente.
Entra para as estatísticas e passa a um ritual difícil de ser mantido, mas necessário. Remédios, muitos remédios e a vida parece que começa a ficar normal, mas só parece, por que você não está livre das crises, dos tão dolorosos momentos de descontrole.
Bipolaridade, quando ouvi essa palavra pela primeira vez, chorei dois dias seguidos, não foi de tristeza, foi de alívio. Mas o tempo passa e você cai na real, a vida nunca será aquele mar de rosas e você precisa vigiar constantemente.
É uma situação complicada, por que as vezes mesmo com o tratamento você acaba tendo uma crise. E neste caso invariavelmente alguém muito próximo ou mesmo distante vai passar por uma situação complicada.
Para o bipolar, sobra o arrependimento, aquela sensação horrível de ter acontecido mais uma vez. Não, não existe a menor possibilidade das coisas mudarem, vai ser assim sempre, vigilância constante.
Sempre quando acordo peço a Deus que me conceda um dia sem nenhum incidente, que eu não machuque ninguém, que meus rompantes não me envergonhem e que eu consiga ser a pessoa amável que eu sou ou que gostaria de ser.
À aqueles que eu já magoei, peço perdão, aos que ainda magoarei, peço compreensão. Não é fácil e às vezes você cansa, pensa em desistir, se isolar, enfim, qualquer saída que não o tratamento é no mínimo fantasiosa e assim o bipolar vai seguindo.
Não quero ser normal, eu sou normal.
Não quero ter razão, quero ter paz.
Não quero um monte de coisa, quero o minimalismo da tranquilidade, mesmo que esta esteja dentro de um comprimido.
Amanhã é um outro dia, com certeza sem crises e sem ferir ninguém.
No final das contas a vida segue, o tempo não para e você também não.
Quero dormir tranquilo sem pensar em crises ou o que quer que seja, quero paz, nem que pra isso eu precise aumentar o nível de vigilância e o tratamento.
Entenda de uma vez por todas que descobrir ser bipolar não é o fim da linha, mas o começo dela. Muitas pessoas estão sofrendo sozinhas neste exato momento, pela cabeça pensamentos mil. Talvez você até esteja pensando em desistir, em fugir para uma caverna, mas entenda, existe sim uma saída e ela é mais simples do que você imagina.
Os conflitos diários, os gritos, a impaciência, tudo pode se converter em paz, basta que você comece o tratamento e ao começar não pare. Aos poucos você vai perceber que o mundo não está em câmera lenta, que ser normal é bom e que viver em paz é a maior experiência de todas.
Eu consegui e com toda certeza você também irá.

Luiz Fernando Fernandes é Jornalista em Cuiabá.

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COMENTÁRIOS

(2) COMENTÁRIOS

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Guedes - 18-01-2020 16:18:08

Muito bom. Fiquei emocionado e quero saber se tenho tbm, pq os sintomas já sinto. Parabéns ao autor do texto pela coragem de se expor. Sua atitude serve de estímulo

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Luiz Fernando Fernandes - 19-01-2020 08:35:09

Estou a sua disposição para conversar. Mande um e-mail com seu contato que retorno. nososbipolares@gmail.com

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2 comentários

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