Jovens de Brasília foram usados pelo braço armado do crime organizado em Mato Grosso | MUVUCA POPULAR

Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019

POLÍTICA Sábado, 11 de Maio de 2019, 12h:00 | - A | + A




Série “Turma de Brasília"

Jovens de Brasília foram usados pelo braço armado do crime organizado em Mato Grosso

Primeira parte: Operação comandada por Lepesteur levou mais de mil jovens de Brasília para a PM de MT 

O então capitão Frederico Carlos Lepesteur foi um dos oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso que comandaram o recrutamento dos jovens de Brasília. Ao chegar naquele estado, também ajudou no treinamento da jovem tropa, que seria distribuída por batalhões e companhias espalhas por várias regiões. Aí já passou a identificar aqueles que poderiam pertencer à sua tropa pessoal.

Desde que chegou a Mato Grosso em meados nos anos 70, após servir oriundo do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva) no Exército no Rio de Janeiro, onde nasceu, Lepesteur, que manteve estreitas ligações com os comandos de repressão política naqueles anos de chumbo, passou a integrar o braço armado do crime, atuando inicialmente na defesa de fazendeiros e grileiros de terras. Naquela época Mato Grosso ainda não havia sido dividido e a estrutura do crime organizado era mais forte no Sul do estado, justamente o território que passou a ser denominado Mato Grosso do Sul.

Estado dividido, nova vertente do crime

Com a divisão de Mato Grosso, aprovada em 1977 e oficializada em 1979, os chefes dos bandidos do Sul carecem de força no Norte ao perderem influência no aparelho policial e governamental em geral, e o crime organizado também divide sua estrutura. É neste contexto, já adentrando nos anos 80, que irá aparecer um personagem que iria fortalecer o pequeno exército de Lepesteur e submeter o aparelho de estado, grandes nomes da política local – alguns com expressão nacional -, juízes, desembargadores, fazendeiros poderosos e empresários influentes pelas três décadas seguintes. Seu nome: João Arcanjo Ribeiro. Vamos falar dele mais adiante.

A divisão de Mato Grosso foi uma das razões para o governo de então se lançar à busca por servidores não apenas militares como civis. A região que se desmembrou e passou a ser conhecida por Mato Grosso do Sul era mais desenvolvida que o Norte, devido à proximidade com a região Sudeste, em especial São Paulo. Assim, a maioria dos servidores públicos, incluindo os policiais militares, ficou na “parte de baixo”, como se referiam ao novo estado, nem tanto de forma pejorativa e mais por conta da posição no mapa.

Brasilienses na linha de frente das batalhas

A outra razão era recusa dos jovens nativos de Mato Grosso de ingressarem na força pública, devido aos baixos salários e à exposição constante ao perigo, diante do enfrentamento em áreas de risco como garimpos, conflitos por terras e uma verdadeira guerra entre posseiros e grileiros, estes e aqueles com índios e de todos contra garimpeiros que iam tomando conta de minas de ouro em áreas do chamado Nortão Mato-grossense, região onde surgiram dezenas de cidades por força da garimpagem e a extração ilegal de madeiras nobres, não raro em reservas indígenas.

Neste cenário aterrador, os jovens mato-grossenses queriam distância do engajamento na PM. Assim, os quartéis mato-grossenses careciam de contingente e a alternativa foi suprir as necessidades da polícia recrutando futuros soldados em Brasília e em Goiânia. Desconhecendo todos os perigos e atraídos pelas promessas dos oficiais recrutadores, os jovens, sobretudo do Distrito Federal, foram colocados na linha de frente de verdadeiras batalhas que eram missões para desarmar garimpeiros, posseiros e grileiros, executar ordem de desapropriação e desocupação de terras e enfrentar exércitos pessoais de donos de garimpos que transformaram suas minas e cercanias em verdadeiros países particulares.

O primeiro confronto

Tão logo chegou a Mato Grosso, Manoel Alves da Silva Filho ingressou no curso de formação de sargentos, junto com outros com mais instrução, que com ele partiram de Brasília na primeira leva, em cerca de dez ônibus, pouco mais de 400 pessoas. O sargento Filho, seu nome de guerra, mal assumiria sua primeira missão e já teria seu primeiro confronto com Lepesteur. A esta altura, o grupo do então capitão não apenas prestava serviços a fazendeiros e grileiros, mas atuava na pistolagem e na agiotagem, fazendo “cobranças” dos devedores dos agiotas. Essas cobranças eram ações violentas de intimidação, espancamento, cárcere privado e até assassinatos, como exemplo para aqueles que não “honrassem” o compromisso do pagamento em dia.

“Toda vez que eu estava de serviço tinha um azar lascado de confrontar com o esquema desse cara [Lepesteur]”, lembra o então sargento Filho, que hoje é professor da rede pública do Distrito Federal e militante do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF). O azar, conta o professor Manoel, é que sempre havia uma denúncia contra comandados do capitão. “Eu prendia os caras que estavam a serviço dele, inclusive os que eram seus seguranças pessoais, os caras estavam armados. Eu e minha equipe os desarmávamos, prendia e levava para a delegacia. Assim eu comecei a ser mal visto, e o Lepesteur de repente passou a olhar para mim e me ver como inimigo. E eu virei inimigo, principalmente porque eu descobri todo o esquema dele”, relata o ex-militar.

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COMENTÁRIOS

(10) COMENTÁRIOS

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Rosicley Rodrigues Da Silva Rodrigues - 13-05-2019 09:16:03

Moca esse lepester foi um dos maiores bandido que a pm mt ja tv.As vezes meu pai ainda fala que o lepester para tirar servico com ele era os dois olhos arregalados policiais que ele nao gostava.antigamente tinha muito suicidio de policiais sera que era.

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Julio Soares - 13-05-2019 09:15:28

Matéria tendenciosa que não faz jus aos bravos membros da segurança pública que colocam todos os dias as suas vidas em perigo na defesa da sociedade. Maçã estragada há em todas as profissões, inclusive na IMPRENSA cheia de "Genis" que colocam as suas redações a serviço de quem paga mais. Um Repórter que faz mau uso da sua caneta causa tanto mal quanto um médico que faz mau uso de seu bisturi nos ensinava o saudoso Dep Éneas

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Isabel - 11-05-2019 17:35:46

nosso brasil foi feito sobre o sangue dos inocentes

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Valter - 11-05-2019 17:24:09

acho impressionante essas histórias contadas aqui

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Palmiro - 11-05-2019 17:09:59

Os posseiros estão ainda em briga constante com os grileiros, pois de acordo com os posseiros, oque os grileiros tem na verdade não são deles, e os grileiros são ricos os posseiros pobres e perdem assim como os índios

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Milla - 11-05-2019 17:04:01

Os grileiros ricos invadem as terras para enriquecer ainda mais às custas delas e depois matam os posseiros pobres que tentam usar a terra para sobreviver é mais ou menos assim que funciona a coisa

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Giselda - 11-05-2019 16:56:20

quantas pessoas deve ter morrido para esses fazendeiros terem mais terras em? que história surreal

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Joaquim - 11-05-2019 16:49:22

Sistema corrupto e consumista,consumindo vida e sonho para o bem estar dos verdadeiros chefões desde antes de eu nascer

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Fabio - 11-05-2019 16:44:45

ou seja meu amigo, desde muito antes a polícia servia os ricos e nada aos pobres, tudo como hoje

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Augusto - 11-05-2019 16:41:59

Isso chama medo xó mano quando se tem medo vale tudo

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10 comentários