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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

POLÍTICA Sábado, 22 de Junho de 2019, 08h:19 | - A | + A




Marketing Eleitoral

Livro mostra as razões que levaram Bolsonaro ao poder

“A eleição disruptiva – Por que Bolsonaro venceu”, de Juliano Corbellini e Maurício Moura, indica a Operação Lava Jato como “aspecto estrutural” no êxito do candidato do PSL


Sucursal de Brasília

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O livro “A eleição disruptiva – Por que Bolsonaro venceu” acaba de sair do forno e promete apresentar “as razões estruturais que levaram ao triunfo do candidato do PSL”. De autoria de dois especialistas em marketing eleitoral e psicologia política, o cientista político Juliano Corbellini e o economista Maurício Moura, a obra se baseia na observação da conjuntura e fundamentalmente em dados estatísticos do IDEIA Big Data, consultoria em opinião pública que apresentou os prognósticos que mais se aproximaram do resultado final de um pleito surpreendente e que colocou em xeque a credibilidade das análises de opinião tradicionais.

“Se a disputa presidencial de 2018, que resultou na eleição de Jair Bolsonaro, tivesse sido o roteiro de um thriller político muitos espectadores poderiam questionar a verossimilhança do filme. Difícil acreditar que a sucessão de fatos pudesse ser real, diante da prisão do favorito em todas as pesquisas de intenção e do atentado ao segundo colocado. As circunstâncias excepcionais, no entanto, não foram as principais determinantes na vitória do candidato do PSL”, descreve matéria que referencia a divulgação do livro.

Maurício Moura e Juliano Corbellini observam que a curva ascendente de Bolsonaro já podia ser percebida muito antes da facada em Juiz de Fora. Em suas análises, os dois especialistas lançam mão de metodologias inovadoras que permitiram um monitoramento 360º e em tempo real. Por esta razão, “A eleição disruptiva – Por que Bolsonaro venceu” é uma obra fundamental para quem trabalha com campanha eleitoral ou simplesmente para quem deseja entender o atual momento político brasileiro e as perspectivas futuras.

O aspecto estrutural identificado pelos autores Maurício Moura e Juliano Corbellini em “A eleição disruptiva: Por que Bolsonaro venceu”, muito antes de iniciada a corrida eleitoral, é justamente o que a dupla de analistas convencionou chamar de Partido da Lava-Jato. “As investigações empreendidas pela força tarefa da operação, cujas conclusões embasaram as acusações do então juiz federal Sérgio Moro e que culminaram na controversa prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, alavancaram um forte sentimento antipolítica e o antipetismo”. Aponta a resenha.

“O cenário de terra arrasada da política tradicional trouxe uma mudança de paradigma no processo eleitoral brasileiro, com a substituição da tradicional polarização entre PT e PSDB, que marcava as eleições presidenciais desde 1994, por dois novos polos dinâmicos que mediram forças no pleito de 2018: o lulismo e o ‘partido da Lava Jato’”, acrescenta o texto. “Quem mais se beneficiou deste cenário, foi sem dúvida Jair Messias Bolsonaro. Seu discurso politicamente incorreto e intolerante era tudo o que a massa de indignados queria ouvir, e as redes sociais o veículo perfeito para sua disseminação, num movimento que Moura e Corbellini classificaram como a memeficação da política”, emenda.

A analisa ainda que a curva ascendente do candidato do PSL em pesquisas de intenção de voto espontânea já era nítida e consistente desde meados de 2017. “Bolsonaro soube como nenhum outro candidato surfar a tsunami gerada pela Lava Jato, que resultou no esvaziamento do centro político, fenômeno semelhante ao que havia sido apontado Wanderley Guilherme dos Santos como um dos fatores para o Golpe de 1964”, atesta a resenha.

“No caso de 2018, esse enfraquecimento se deve basicamente a fatores exógenos ao sistema político e de representação, que o golpearam ‘de fora para dentro’: as ações da Lava Jato e a sua espetacularização na mídia em geral. Em 2018 também se observou uma ruptura, não de caráter institucional como em 1964, mas uma ruptura radical com o padrão de competição eleitoral vigente desde a década de 1990, e com os atores em função dos quais se organizava”, ponderam os autores no capítulo ‘A eleição dos indignados’, no qual ainda diferenciam o fenômeno do lulismo e do petismo e apontam o efeito bumerangue da derrubada de Dilma Rousseff para o PSDB.

“A leitura precisa deste cenário intrincado pautou o trabalho da start up IDEIA Big Data. O monitoramento em tempo real das redes, aliado a outras metodologias inovadoras, permitiu que seus prognósticos fossem os mais precisos entre os institutos de pesquisas e analistas políticos. Com base neste retrato fiel, Moura e Corbellini minimizam o papel de episódios que o censo comum pode identificar como determinantes na ascensão de Bolsonaro ao poder, como a facada em Juiz de Fora. Em contraposição ao lulismo, emerge, então o bolsonarismo, que conseguiu angariar parte dos órfãos de Lula”, acrescenta o material de divulgação.

Esta conclusão foi possível graças ao trabalho inovador de antropologia digital, liderado por dois antropólogos especializados que acompanharam 2,5 mil eleitores que declaravam voto no ex-presidente da República. Toda semana o grupo era incentivado a gravar vídeos sobre a eleição, como pensavam e suas motivações. “Identificamos que Bolsonaro ganhava 1/3 dos eleitores do Lula, o que corroborava os dados das outras fontes e dava uma leitura muito privilegiada”, aponta Maurício Moura, fundador e CEO da IDEIA Big Data.

No capítulo dedicado ao papel das redes sociais, Moura e Juliano Corbellini refletem sobre o poder de mobilização orgânica do bolsonarismo, que, na última semana do primeiro turno, chegou a impactar 40 mil grupos por dia e, possivelmente, 28 milhões de indivíduos. “A eleição disruptiva: Por que Bolsonaro venceu” analisa ainda o papel de Olavo de Carvalho, das fake news e da facada como evento propagador do mundo digital. “Em pouco mais de duas horas desde a agressão, o nome de Jair Bolsonaro recebeu mais de 380 mil menções na web, considerado um evento inédito no mundo digital”, observa.

Muito mais que um retrato fiel da situação do Brasil atual, o livro incentiva o leitor a refletir sobre o rumo das campanhas eleitorais daqui para frente. O “modelo Bolsonaro” é uma fórmula que poderá levar outros candidatos a triunfos, como um novo paradigma? Neste ponto, Moura e Corbellini são reticentes: “Nossa resposta, com todos os riscos que implica, é não. A vitória de Bolsonaro, que carregou consigo uma enorme taxa de renovação no Congresso e a emergência de novas lideranças outsiders, explica-se pela articulação entre uma grande mudança tecnológica nas plataformas de comunicação política – isso com certeza veio para ficar e impactará cada vez mais as campanhas futuras – e uma conjuntura muito específica, que combina a indignação dos eleitores, a ascensão de um mosaico de antidiscursos de natureza conservadora, a desmoralização do sistema partidário tradicional como consequência da Operação Lava Jato e a decorrente perda, por parte da atividade política, porém, pode ser momentânea. É difícil imaginar que não reencontre um caminho”.

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COMENTÁRIOS

(6) COMENTÁRIOS

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Carlos Nunes - 23-06-2019 11:50:45

Aí, lá no Ceará, o santo baixou no tio Cid Gomes...que esbravejou bem alto: "vocês erraram feio...vocês merecem perder a eleição...vocês vão perder a eleição". E perderam...Se eles perderam pelos erros cometidos...BOLSONARO ganhou, uai. Se um perde, outro ganha. BOLSONARO quase foi parar na cidade dos pés juntos, o popular Cemitério, com a facada do Adélio - pessoa que recrutaram, fizeram a lavagem cerebral, treinaram, e deram a ordem MATA SENÃO ELE ELEGE. Adélio era a pessoa certa, meio débil mental, fácil de manejar, pessoa normal nunca faria isso.

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alexandre - 22-06-2019 21:09:20

A eleição de Bolsonaro, é uma resposta aos erros e corrupção do PT, resposta ao populismo e gastos desenfreado que gerou 14 milhões de desempregados e o maior escândalo de corrupção da história da humanidade, a lava jato é um alívio e quebra do mecanismo..

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- 22-06-2019 11:12:41

Bolsonaro é fruto do esquema criado pela VAZA-JATO que tinha como principal objetivo: prender Lula e criminalizar o PT.. O caso Triplex foi uma arrumação que só acreditou naquela sentença aqueles que já eram oposição ao Lula e ao PT, que não vejo nenhum mal nisso e que por sinal sempre foram minorias e também aqueles desinformados, ou melhor, mal informados ou ainda: enganados. O The Intercept Brasil, escancancarou a tramóia. Lula deve ser solto para se fazer justiça neste país. Aqueles que ainda insistem na prisão de Lula, estão sendo injustos. Uma pessoa que sabe que foi injusta com alguém porque foi enganada e muda de opinião é de uma grandeza louvável. Agora, depois que fica sabendo que foi enganada e continua sendo injusta, mostra o tamanho da sua pequenez. Tudo é uma questão de escolha.

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olavo - 23-06-2019 12:56:08

É pelo jeito colega anônimo vocês vão continuar perdendo eleições atras de eleições, quando vão aprender? o povo acordou, não é mais massa de manobra, estamos de saco cheio, desses mimimis de vocês, acabou o Cirão já disse, voltem pra base, acordem, o brasil não é mais de vocês...se continuarem assim, não sumir do mapa (o que espero que aconteça sinceramente).

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Joaquim José - 23-06-2019 18:27:40

Desculpe, quando mandei a mensagem não havia percebido que estava sem meu nome. Discordo, com todo o aparato montado pela VAZA-JATO viram que o PT iria ganhar mais uma eleição. A solução foi prender e condenar Lula antes das eleições. O Cirão, oportunista, bem que tentou assumir o lugar do Lula, mas não conseguiu. O povo não foi massa de manobra, de Lula, o povo estava apenas querendo mostrar a sua gratidão.

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Carlos Nunes - 22-06-2019 09:08:14

Por que BOLSONARO venceu as eleições? Resposta: 57 MILHÕES DE VOTOS. Por que tio Lula tá preso? Resposta: porque um batalhão de delatores premiados abriram o bico e contaram estórias, incluindo tio Palocci, seu braço direito, que sabe tudo o que aconteceu nos bastidores, nas entranhas do Poder. Por que tentaram matar o BOLSONARO? Resposta: Porque receberam a ordem> MATA SENÃO ELE ELEGE. Por que contrataram hacker espião russo pra invadir conversas? Resposta: Porque queriam DESMORALIZAR o Juiz, o MP, e acabar com a Lava-Jato - o terror dos Corruptores, dos Corruptos e dos Laranjas. Político corrupto péla de medo de a qualquer momento aparecer mais um delator premiado, abrir o bico e contar estórias. Aí, sua máscara cai.

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