Maggi diz que recuperação judicial para produtor é ‘enriquecimento ilícito’ | MUVUCA POPULAR

Quinta-feira, 04 de Junho de 2020

POLÍTICA Sexta-feira, 22 de Maio de 2020, 17h:40 | - A | + A




Crédito Rural

Maggi diz que recuperação judicial para produtor é ‘enriquecimento ilícito’

Ex-ministro afirma que projeto pode levar todos à falência


redacaomuvuca@gmail.com

Foto: Reprodução

O ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), criticou nesta quinta-feira (21), as mudanças na legislação brasileira sobre garantia de recebimento de empréstimo por entidades privadas. Segundo o político, o projeto de recuperação judicial do produtor rural está conturbando o ambiente do crédito rural.

“Eu não sei se vou ter dinheiro hoje, amanhã é meu dia de pagar e eu chego na tua porta e digo: a lavoura até foi muito bem, mas aí chega uma cláusula não prevista ou eu não consegui fechar minhas contas e não vou te pagar, eu entro com uma RJ [recuperação judicial] e quero 70% de desconto no meu débito e 20 anos para pagar. Quem vai emprestar dinheiro? Isso é enriquecimento ilícito. Você já recebeu para isso, por um produto, e na hora de pagar não quer?”, declarou.

De acordo com Maggi, há um movimento criado pelo setor para alterar as interpretações sobre a Cédula de Produto Rural (CPR), documento que considera valioso para o setor.

“[Com] O movimento que está sendo feito por lideranças do setor e políticos de retirar a garantia da CPR, você vai fatalmente ter diminuição na quantidade de dinheiro disponível. Bancos, empresas e prestadores têm medo de colocar dinheiro e não receber de volta”. Para o ex-ministro, essas mudanças jurídicas são as maiores ameaças ao crédito rural do agronegócio brasileiro.

Diminuição de recursos do governo
Maggi destacou ainda o esforço do governo para que entidades privadas aumentem sua participação na concessão de crédito rural para, assim, o volume público diminuir. Ele enfatiza que a CPR e outros papéis de garantia foram importantes para o agronegócio até o momento. No entanto, afirma que é preciso que os instrumentos legais de recebimento do valor sejam fortes o suficiente.

“O Banco do Brasil só está dando 35% dos valores para fazer comercialização, de plantio, o resto vem de fora. Quem tem dinheiro suficiente para estar numa cadeia de produção de sementes, por exemplo, e esperar até o fim da ponta para receber esse dinheiro de volta?”, questiona.

Ele relembra que recentemente novos instrumentos foram criados para que investidores estrangeiros colocassem dinheiro no agronegócio brasileiro. Mas indagou a capacidade de garantia de pagamento que o Brasil pode oferecer, diante das mudanças solicitadas pelo setor.

“Após essas medidas provisórias, veio um famoso fundo americano que colocou alguns milhões e até próximo de bilhão na mão de produtor. Os caras não receberam nada e não querem ver pintado de ouro brasileiro pegando dinheiro deles”, disse.

Para o ex-ministro, a grande ameaça sobre falta de liquidez no crédito rural é a falta de confiança em receber o pagamento de empréstimos. “Faltou confiança, vai faltar crédito. Faltou crédito, vai subir o juro. Vai pagar a conta todo mundo por meia dúzia de espertos. Se eu tirar o laço de confiança desse setor, vai morrer todo mundo abraçado”, concluiu.

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COMENTÁRIOS

(1) COMENTÁRIOS

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Antonio Carlos - 24-05-2020 00:08:25

Todo mundo sabe que recuperação judicial eh só pra burlar a justiça e não pagar fornecedores !!!malandragem !!!

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1 comentários

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