Plano Safra 2019/20 ficará aquém do esperado pelo setor agropecuário | MUVUCA POPULAR

Sábado, 20 de Julho de 2019

POLÍTICA Sábado, 15 de Junho de 2019, 12h:00 | - A | + A




Falta de Recursos

Plano Safra 2019/20 ficará aquém do esperado pelo setor agropecuário

Crise fiscal está contendo as expectativas com linhas de financiamento público para a produção agrícola e pecuária deste ano


Sucursal de Brasília

O Plano Agrícola e Pecuária da Safra 2019/2020, ou simplesmente Plano Safra, vai ficar aquém do esperado pelo setor. O motivo é a falta de recursos que o governo federal enfrenta devido à crise econômica, com o país já beirando à recessão. Representantes do setor, como o senador mato-grossense Wellington Fagundes, avaliam que diante da crise fiscal o Plano não “será o tão desejado”.

O governo vai lançar o Plano Safra 2019/20 na manhã da próxima terça-feira (18), no Palácio do Planalto. Contudo, o lançamento não significa a disponibilidade automática dos recursos subsidiados. O Executivo terá o dia 30 deste mês para colocá-los disponíveis para os produtores rurais acessá-los. O primeiro passo foi dado com a aprovação, pelo Congresso Nacional, na terça-feira passada, do crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões, com o qual o governo espera assegurar os recursos.

“O Plano Safra é um forte instrumento que o governo dispõe para fazer com que o Brasil avance na produção de alimentos, que ajuda o nosso país a ser gigante perante o mundo”, afirmou o senador Wellington Fagundes ao Muvuca Popular. “Estamos aguardando com muita expectativa o lançamento do plano. Conversei com a ministra Tereza Cristina que admitiu que ainda não será o plano tão desejado pelo setor, mas que, mesmo diante da grande crise fiscal que o país atravessa, traria inovações importantes”, acrescentou.

Wellington Fagundes lembrou que se não houvesse a aprovação do crédito suplementar o setor seria muito sacrificado com juros de mercado. “Especialmente o pequeno e médio produtores”, atentou ele.

O problema é que, nos dias atuais, o financiamento público para o setor agrícola e pecuário, com juros subsidiados, representa somente um terço do necessário para setor. “Assim os produtores acabam sendo obrigados a recorrer a recursos próprios e tradings”, observou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Ela própria reconhece que o Plano Safra não é o que o agronegócio queria. “Mas terá pequenas inovações”, afirmou ela. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) confiam nessas “pequenas inovações”, mas estão reticentes. “Há uma preocupação com a redução do volume de recursos. Isto pode comprometer seriamente a produção agrícola, que tem sido hoje o motor da economia nacional. O governo não está tendo noção do buraco que estamos trilhando”, afirmou um deputado da base do governo que preferiu falar em off.

É preciso atentar ainda para uma situação. Os R$ 248,9 bilhões de crédito suplementar autorizados pelo Congresso Nacional não serão para exclusivos para o Plano Safra, que deverá consumir apenas parte. A outra parte vai para outras despesas como pagamentos de Bolsa Família, de Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e para cobrir cortes na Educação, como foi acordado para que o crédito fosse aprovado. Sobrará para o setor 7,1 bilhões, mesmo assim divido entre o Plano Safra e as despesas do Ministério da Agricultura.

Ou seja, como a previsão de recursos deve ficar em torno de R$ 194 bilhões, o governo terá que percorrer um grande caminho para assegurar este montante junto aos bancos oficiais e privados até o dia 1º de julho, quando se prevê o início da liberação dos financiamentos. É por esta razão que não está sendo descartada que parte do Plano Safra 2019/2020 seja financiado com juros de mercado, com taxas bem acima das subsidiadas. Com os subsídios, os juros estariam entre 4,6% e 6% para pequenos e médios e de 7,5% e 9% para os grandes produtores.

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